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| O executivo de vendas Tiago Saturno, 24, está satisfeito: "Visito vários clientes no Recife e vou sempre sozinho" |
Tradicionalmente conhecidos pelo baixo preço e melhores índices de consumo nas bombas de combustível, os veículos 1.0 nem sempre são sinônimo de economia. Eles, que ganharam um empurrãozinho e tanto do governo federal no ano passado, com a isenção do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), só poupam os reais desejados por seu dono se uma série de fatores forem levados em conta. Para escolher o modelo ideal sem prejuízos, é necessário que os consumidores estejam atentos equipamentos, perfil de uso e o número médio de ocupantes, por exemplo.
Segundo os especialistas ouvidos pelo
Diario, em primeiro lugar, para que a relação custo-benefício seja positiva, os motoristas devem prestar atenção num item importante: a carroceria. “A grande maioria dos compradores só pensa na economia oferecida pela potência do motor, mas não leva em consideração o peso da carroceria”, afirma o diretor da consultoria em vendas de veículos Personal Car PE, Felipe Procópio. Uma carroceria inadequada impacta diretamente no consumo de combustível e no desgaste prematuro de peças importantes – e caras –, como a caixa de embreagem e o próprio motor.
O modelo ideal de carroceria para veículos 1.0, segundo Felipe, é a do tipo hatch. Além de serem menores, são mais leves e não forçam tanto o motor. “Mas nem todas são econômicas. Algumas são mais pesadas que outras, e é preciso ter cuidado”, alerta. Depois de escolher o tipo de carroceria ideal, o comprador ainda precisa ter em mente a quantidade de pessoas que utilizarão o carro e a finalidade do veículo. Para uma família com cinco pessoas, que sempre viaja, por exemplo, é recomendado veículos com motorização a partir de 1.4. “Carros assim possuem uma diferença de preço pequena em relação aos motores de entrada, e atendem perfeitamente à necessidade das famílias”, comenta o gerente comercial da JBS Veículos, Daniel Lima.
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| Segundo a Fenabrave, nos últimos anos os brasileiros têm preferido investir num veículo com motorização mais potente |
Nos últimos anos, os brasileiros têm preferido investir num veículo com motorização mais potente. Segundo levantamento da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), no ano passado foram vendidos pouco mais de 1,2 milhão de veículos com motorização de entrada. O número é 4,64% menor se comparado a 2011, quando foram vendidos pouco mais de 1,3 milhão de carros 1.0. Quando se compara a participação no mercado, a queda é menor (em 2011, as vendas de 1.0 representaram 34,7% do total no país; no ano passado, o percentual foi de 33,21%).
Para o coordenador do curso de economia da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), José Alexandre Ferreira Filho, a redução é reflexo do cenário econômico atual. “No ano passado, tivemos a redução do IPI”, lembra. “Além disso, nos últimos anos a renda do brasileiro vem aumentando, então é natural que ele queira investir num carro mais potente e confortável.”
No entanto, adquirir um modelo 1.4 ainda pode pesar no orçamento de algumas famílias. Hoje, no mercado, o modelo 1.0 mais barato custa R$ 21,8 mil (versão básica do Ford Ka). Já o 1.4 mais em conta é vendido a partir de R$ 28.010 (preço de tabela do Novo Uno Economy). São pouco mais de R$ 6,2 mil que fazem toda a diferença na hora da compra. “A diferença não é de apenas R$ 6 mil. Caso o carro seja financiado, é preciso que as pessoas levem em consideração os juros que estarão embutidos”, alerta José Alexandre. Segundo o economista, além das questões econômicas, é preciso levar em conta também a satisfação pessoal do cliente.
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| O professor Felipe Fernando, 24, diz que suas viagens para a Paraíba têm sobrecarregado o motor. Ele já pensa em trocar por um carro 1.6 |
Perfil ideal para uso do 1.0Casais com no máximo um filho e jovens que acabaram de ganhar o primeiro carro estão dentro do perfil ideal de uso do 1.0. Foi o que afirmou o gerente administrativo da Líder Veículos, Marcondes Guisseppe. Para ele, os motores de entrada requerem um uso mais urbano, sem a necessidade de serem sobrecarregados.
É o caso do executivo de vendas Tiago Saturno, de 24 anos, que utiliza seu veículo dentro do perímetro urbano. “Visito clientes em vários locais da Região Metropolitana e vou sempre sozinho”, afirma. Apesar de estar satisfeito com o consumo e desempenho de seu automóvel, ele admitiu que em ultrapassagens ou ladeiras, o veículo deixa a desejar. “Eu preciso forçar mais, o que acaba impactando no consumo”, constata.
Toda semana, o professor de matemática Felipe Fernando, de 24 anos, utiliza seu veículo 1.0 para se deslocar até a Paraíba, onde dá aulas. “Não vale a pena. Viajo numa velocidade média de 110km/h, o que acaba sobrecarregando o motor.” Bastante insatisfeito com o rendimento e o consumo de seu carro, Felipe viu que a opção pelo 1.0 não foi tão econômica como pensava. “Da próxima, vou comprar um automóvel com motor 1.6”, garante.
Opcionais também são vilõesOs motoristas que desejam instalar opcionais como ar-condicionado e direção hidráulica devem preparar o bolso. Não só na hora da compra (os itens custam, em media, mais de R$ 2 mil), mas também durante o dia a dia. Isso porque eles também pesam na balança dos contras em relação ao motor 1.0, dependendo da finalidade de uso. Para funcionar, o ar-condicionado, assim como a direção hidráulica, utilizam parte da forca produzida pelo motor, sobrecarregando ainda mais o veiculo.
“Se o uso for estritamente urbano e, no máximo, com dois ocupantes, vale a pena equipar o veículo com esses opcionais”, avalia Júnior Andrade, gerente da São Paulo Veículos. No entanto, para quem viaja muito ou tem uma família numerosa, os equipamentos prejudicam o desempenho do veículo e a segurança dos ocupantes. “Nesse caso, o carro perde muita força, já que o motor estará sobrecarregado. O veículo não desenvolverá uma velocidade suficiente para realizar ultrapassagens ou subir ladeiras”, exemplifica Júnior.
Quando o 1.0 vale a pena...- Quando vem equipado com carroceria hatch
- Para casais recém-casados, ou, no máximo, com um filho
- Para jovens que ganharam seu primeiro automóvel
- Para uso estritamente urbano
- Para os que evitam andar com a capacidade máxima (5 ocupantes) e com muitos objetos na mala
Quando o 1.0 não vale a pena...- Quando vem equipado com carroceria sedan
- Para famílias numerosas (com dois filhos ou mais)
- Para quem viaja constantemente
- Quando vem equipado com direção hidráulica e ar-condicionado
1.0 mais baratos (por montadora)FORD: Ford Ka (a partir de R$ 21.800)
FIAT: Mille Economy (a partir de R$ 21.990)
RENAULT: Clio Authentique (a partir de R$ 24.150)
VOLKSWAGEN: Gol G4 (a partir de R$ 25.100)
CHEVROLET: Celta (a partir de R$ 25.270)
1.4 mais baratosFIAT: Novo Uno Economy (a partir de R$ 28.010)
CHEVROLET: Onix LT (a partir de R$ 36.190)
(obs: demais montadoras não trabalham com motorização 1.4)
Fonte: site oficial das montadoras consu
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