A presidente Dilma Rousseff convocou o ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, para uma reunião de emergência, na próxima quarta-feira (9), com o objetivo de discutir soluções para o setor elétrico brasileiro. O encontro servirá para que a pasta apresente um balanço e propostas diante do risco de racionamento de energia, já que os reservatórios que de água para a geração de luz apresentam níveis até 62% abaixo dos registrados no ano passado, inferior ao que é considerado seguro.
Curiosamente, a reunião foi anunciada nesta segunda-feira (7), dez dias após Dilma Rousseff afirmar que é "ridículo" falar em racionamento de energia. Informações do Palácio do Planalto confirmaram que dirigentes de órgãos do setor tiveram de cancelar compromissos para comparecer. A preocupação do governo não acontece por acaso, já que as altas temperaturas registradas nos últimos dias (40 graus em cidades como o Rio de Janeiro) têm elevado o consumo de energia com o uso de ar condicionado, ventilador e refrigerador.
Estarão presentes ao encontro de quarta-feira os integrantes do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), presidido por Edison Lobão, Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Agência Nacional de Petróleo (ANP), Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). É provável que o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), vinculado ao CMSE, participe da reunião.
Mesmo antes da reunião, segundo informações do Planalto, o ministério já estava tomando medidas extras para garantir a produção de energia. Uma delas foi a reativação da usina de Uruguaiana, parada desde 2009, e o acionamento a plena capacidade das usinas térmicas, bem mais caras que as hidrelétricas. No entanto, técnicos do setor elétrico acreditam que Dilma Rousseff estaria centralizando as decisões, alegqando que “se o racionamento não é uma certeza, também não pode ser simplesmente descartado”. De acordo com um desses técnicos, o risco "está acima do prudencial".
Na análise dos órgãos do setor, a situação ainda está sob controle porque o crescimento econômico de 2012 foi pífio, na ordem de 1%. A equipe defende que se este crescimento econômico tivesse sido de 4,5% (previsão inicial do ministro da Fazenda, Guido Mantega) o consumo da indústria estaria bem maior com sério risco de racionamento.
Além disso, os mesmos técnicos argumentam que a reunião emergencial é um sinal claro de que a falta de chuvas atingiu um grau preocupante na escala de alerta, num momento em que o Rio de Janeiro sofre com enchentes, deixando milhares de desabrigados. O governo teme que o panorama atual se mantenha ao longo deste ano, pressionando todo o setor no último trimestre e no início de 2014. Risco que ocorre, por exemplo, em relação à Copa, uma vez que os estádios estão sendo equipados com modernos e potentes geradores de modo preventivo.
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