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Combustíveis » Possível aumento da gasolina ameaça roubar o sonho do carro novo

J. Vicktor Tigre - Diario de Pernambuco

Publicação: 01/01/2013 18:37 Atualização: 01/01/2013 19:45

Em dezembro, o governo atendeu às pressões e manteve o IPI reduzido para a compra de carros novos (Rafael Ohana/CB/D.A Press)
Em dezembro, o governo atendeu às pressões e manteve o IPI reduzido para a compra de carros novos

Ano novo de carro novo. Esse é o sonho de milhares de pernambucanos que ainda pensam em aproveitar a prorrogação do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) menor para turbinar a garagem. Mas o que muita gente não contava era com o aumento de preço dos combustíveis a partir deste mês, o que pode inviabilizar o desejo de começar o ano motorizado.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, confirmou no dia 19 de dezembro que a Petrobras deve aumentar o preço dos combustíveis agora em janeiro. Apesar de não citar números, o titular da pasta chegou a afirmar que o acréscimo no preço dos combustíveis  se deve ao alto preço do petróleo no mercado internacional.

“É uma probabilidade. Não sei, em momento inoportuno a Petrobras deve se pronunciar. Haverá um aumento no tempo adequado, só não sei de quanto será”, encerrou Mantega recentemente, durante um café da manhã com a imprensa.

Para o professor de economia da UFRPE Luiz Maia, também coautor do blog Educação de Bolso, o aumento dos combustíveis neste início de ano poderá influenciar diretamente a inflação, que deve ser oficializada em 5,71% em 2012, segundo projeções do último Boletim Focus, do Banco Central (BC).

“Teremos diferentes situações, caso seja confirmado o aumento dos combustíveis. A primeira delas é o impacto sobre o setor de transportes, que, por sua vez, repassará os novos custos ao consumidor. Se o aumento for de mais de 4%, outros setores da economia também devem ser atingidos”, explica.

Quem realizou o sonho do primeiro carro zero há pouco tempo já se preocupa com a futura alta nas bombas. O estudante Paulo Feijó da Silva, de 26 anos, diz que percorre diariamente mais de 60 quilômetros de casa para o trabalho. Ele mora no bairro de Pau Amarelo, em Paulista, e vai até o Espinheiro, na Zona Norte do Recife. Com as perspectivas de gastar mais, Paulo começa a pensar em aderir ao transporte público.

“Andar de carro vai ficar mais difícil. Gasto em torno de R$ 250 mensais com combustível, fora a manutenção. Com o aumento, vou terminar me forçando a deixar o carro na garagem e buscar alternativas mais baratas, como o ônibus”, destaca.

Para o presidente do Sindicombustíveis (Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo de Pernambuco), Fernando Cavalcanti, ainda é cedo para se falar em valores percentuais. O presidente da entidade diz que vai esperar o anúncio da Petrobras.

“É muito cedo para se posicionar sobre o possível aumento e como vamos repassá-lo ao consumidor. Não sabemos o que pode acontecer, mas descartamos a possibilidade de abusos por parte dos postos conveniados ao Sindicombustíveis.”

Para aqueles que apesar da gasolina alta ainda pensam em comprar um carro zero, o vendedor Valdemar Cavalcanti, da concessionária Via Sul, ensina uma conta rápida. Antes de aderir a um financiamento ou raspar a poupança, ele lembra que a nova aquisição pode consumir até 30% da renda bruta do seu dono, somente com gastos como combustível e manutenção. “Antes das pessoas comprarem um carro, precisam pensar primeiro como vão sustentar o sonhado veículo”, adverte Valdemar.


 

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