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Fim de ano » Sair das dívidas não é difícil, mas é preciso valorizar o dinheiro

Publicação: 30/12/2012 15:20 Atualização:

O fim de cada ano traz também a possibilidade de fazer uma espécie de balanço financeiro. São muitas as promessas de mudar de vida no período que começa, principalmente quando se está endividado e os problemas decorrentes das prestações a pagar tiraram o sono por muito tempo. Para ser bem-sucedido na empreitada de começar 2013 no azul, no entanto, é preciso bem mais do que boas intenções. “As pessoas precisam aprender a dar mais valor ao dinheiro. Uma avaliação criteriosa da atual situação financeira pode ser um alívio para muitas famílias, pois elas vão descobrir que poderão, facilmente, cortar entre 20% e 30% de suas despesas”, avalia Reinaldo Domingos, presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin).

Segundo ele, essa economia não é nenhum milagre. Ela pode ser obtida com a racionalização dos gastos. Basta fazer uma lista  das despesas fixas e maleáveis do mês. Antes de pôr mãos à obra, no entanto, Domingos sugere que o consumidor tenha real consciência de sua situação financeira. Para facilitar, o educador divide as famílias em três categorias: as poupadoras, as que estão equilibradas e as devedoras.

Para as poupadoras, começar o ano no azul será fácil. “Elas vão poder presentear os entes queridos e, o que é melhor, pagando à vista e com desconto”, pontua. O especialista diz que, para quem tem dinheiro guardado, as despesas de início do ano também devem ser pagas à vista. “Compensa, e muito, se os descontos forem superiores a 3% ao mês.”

O caso muda se as famílias são equilibradas – sem dívidas nem reservas. “Qualquer eventualidade vai fazer com que precisem tomar crédito, e nesse caso já serão devedoras.” Segundo Fernando Cosenza, diretor de Inovação e Sustentabilidade da Boa Vista Serviços, administradora do Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC), falta aos brasileiros um bom planejamento. Mudar essa situação, em sua opinião, é fácil. Eles devem estabelecer uma meta de poupança e, assim que receberem o salário, depositar religiosamente aquela quantia, antes de fazer os pagamentos. “Poupança não é luxo. É uma rede de proteção.” Segundo ele, pode-se começar separando R$ 50 todo mês.

Agora, para quem está endividado e não consegue manter as contas em dia, o jeito é renegociar com os credores e mudar de vida. “Não adianta continuar cometendo os erros”, destaca o diretor de Educação Financeira da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Fábio Moraes. Ele admite que a organização do orçamento não é fácil. “Exige disciplina e acompanhamento.”

Foi o que a a técnica em enfermagem Elisângela Martins Pereira fez. Neste ano, problemas pessoais resultaram em dívidas. Cartão de crédito, empréstimos e cheque especial foram os vilões. A solução veio ao controlar as finanças. “Fui atrás das instituições financeiras, negociei e consegui transformar uma dívida de R$ 4 mil em R$ 400 e limpei meu nome, meu maior bem”, lembra. Para evitar novas dívidas, ela quebrou todos os seus cartões e só usa o de débito para o pagamento das contas. “Cartão de crédito nas mãos de uma mulher é uma tentação. Por isso, desde que eu consegui acertar meu orçamento eu só compro à vista”, conta Elisângela, que além de quitar dívidas, conseguiu também fazer uma poupança e planeja comprar a casa própria em 2013.

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