Contagem regressiva para o ano-novo. Tempo de fazer as famosas resoluções e promessas, que muitas vezes não são cumpridas. No amor, no trabalho, no orçamento da família. Em 2013 pode ser diferente. O
Diario conversou com os economistas Luiz Maia e Marcelo Barros e com o advogado Rômulo Saraiva. Não, eles não falaram sobre amor. Mas sobre investimentos, trabalho e aposentadoria.
Planejar os gastos e diversificar as aplicações deve ser a prioridade para manter o orçamento saudável em tempos de juros baixos e inflação acima da meta do Banco Central (BC). No mercado de trabalho, para garantir o emprego atual ou alçar novos voos na carreira, é fundamental investir em capacitação. Ou, quem sabe, montar o próprio negócio.
Já os que estiverem pertinho da aposentadoria devem pensar seriamente em pendurar as chuteiras. O fator 95/85, cotado para substituir o atual fator previdenciário, pode ser prejudicial para quem está na marca do pênalti. Que tal dar uma olhadinha nas dicas dos especialistas? Afinal, não dá para depender só das sementes de romã na carteira e de pular as sete ondas na virada do ano.
Planeje-se e diversifique as aplicaçõesQuantas vezes neste ano você parou para conferir como está o seu orçamento? Nenhuma? Depois não vá reclamar por entrar no ano-novo com dois pés esquerdos e nenhum dinheiro de reserva. “É preciso uma postura pró-ativa em relação à renda”, afirma o economista e professor Luiz Maia, coautor do blog
Educação de Bolso. Segundo ele, a primeira coisa a fazer é exercer o autoconhecimento. Analisar os extratos da conta, descobrir onde estão os gastos invisíveis, entender-se com o cartão de crédito.
“A gente muita vezes posterga os projetos. Em qualquer ano a gente deveria ter em mente projetos de curto, médio e longo prazo”, afirma Maia. Vale para orçamento da família e para os investimentos também, já que a realidade mudou. Os juros nunca estiveram tão baixos. O rendimento da nova poupança (70% da Selic) mal cobre a inflação e o BC tem dado sinais claros de que não quer subir a taxa por enquanto. “Isso faz com que a gente deva ter uma atenção para estudar e conhecer outros produtos financeiros.”
Diversificar é a palavra. Claro que não é para tirar todo o dinheiro da poupança de uma hora para outra e sair comprando ações. Mas já está mais do que na hora de arriscar um pouquinho. Os papéis de grandes e sólidas empresas estão baratos. Outra opção sempre indicada é o Tesouro Direto, aplicação simples e com garantia do Tesouro Nacional. “O pequeno investidor pode ter remuneração igual a de um grande investidor.” A aplicação mínima é de R$ 30. O prazo do investimento pode ser curto ou de até 22 anos.
Melhore o currículo ou monte o próprio negócioSaber mexer na internet e falar inglês não diferencia mais ninguém no mercado de trabalho. #ficaadica. Se a sua meta para 2013 e para os próximos anos é bombar no emprego, melhor tratar de turbinar o seu currículo. Mas turbinar de verdade. “Prepare uma lista de cursos e capacitações que pretende fazer. Coloque como prioridade para o próximo ano o investimento em educação. O mercado de trabalho está cada vez mais competitivo”, lembra o economista Marcelo Barros, coautor do blog
Educação de Bolso.
Barros acredita que o país deve voltar a crescer no próximo ano. O mercado de trabalho deve continuar bom. Talvez não tão aquecido. Mas pelo menos para Pernambuco a perspectiva continua boa, principalmente por conta dos novos empreendimentos em implantação no estado, especialmente em Suape. Além dos cargos técnicos, a demanda também será maior para os estratégicos. As empresas buscam uma boa formação acadêmica e pós-graduação, além de uma segunda língua. Hablas español?
“As pessoas também devem buscar oportunidades de negócios. Exercitar a veia empreendedora. O momento é propício. Temos uma legião de pessoas que podem arriscar. Boa parte das tentativas vai dar certo”, garante Mercelo Barros. Segundo ele, as condições estão aí. O ano será movimentado, com Copa das Confederações (e em 2014 tem a Copa do Mundo). Pegando apenas os exemplos futebolísticos, o economista destaca possibilidades na área de marketing esportivo, tradução simultânea, brindes. Será que o empreendedorismo é para você?
Talvez seja hora de pararEm 2013, existe a possibilidade de o Congresso aprovar o projeto de lei que “mata” o fator previdenciário e institui uma nova regra, chamada de 95/85, para as aposentadorias. De acordo com essa norma, os aposentados vinculados ao INSS poderão ter o valor do benefício igual ao teto, de atualmente R$ 3,9 mil, se a soma do tempo de contribuição para o sistema e a idade atingir 85 no caso de mulheres e 95 no caso dos homens. Bom para quem for se aposentar daqui a alguns anos, mas talvez ruim para quem está prestes a se aposentar e começou a trabalhar cedo.
“Se um homem começou a trabalhar com 20 anos, ao completar os 35 anos de contribuição e 55 anos de idade, somaria 90 pontos. Cada ano vale um ponto. Então ele, que poderia optar pela aposentadoria imediata, teria de trabalhar mais dois anos e meio contribuindo”, explica o advogado Rômulo Saraiva, autor do blog
Espaço da Previdência. Para o advogado, mesmo com o benefício reduzido, no modelo atual o trabalhador tem a opção de se aposentar e continuar trabalhando, recebendo o salário e o benefício.
Outro problema, segundo Saraiva, é como será a regra de transição. Ou se haverá regra de transição. “No direito previdenciário, mesmo as pessoas que têm a perspectiva de se aposentar não tem o direito adquirido. Se o governo não criar uma regra de transição, atinge todo mundo. E isso já aconteceu.” O ministro da Previdência, Garibaldi Alves, andou falando em “fórmula móvel”, que exigiria ainda mais tempo de contribuição conforme aumentasse a expectativa de vida do brasileiro.
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