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Carreira » Mercado de trabalho ainda carente de técnicos e engenheiros Pesquisa da Manpower aponta que as duas categorias profissionais estão entre as dez mais procuradas no Brasil. E os especialistas sugerem o diferencial para quem quer preencher essa lacuna e garantir sua vaga

Carolina Oliveira

Publicação: 29/12/2012 16:00 Atualização: 28/12/2012 18:39

 (Maurenilson Freire/CB/D.A Press)
Quem pensa que o aumento do número de faculdades no Brasil é o suficiente para a formação de um mercado de trabalho farto parece ter se enganado. É que, ao contrário do que se esperava, a grande busca pelo “sonho universitário” fez com que alguns setores sentissem tanto a falta de trabalhadores a ponto de sobrarem vagas de emprego. Mas como suprir a carência das empresas por profissionais como técnicos, trabalhadores de ofícios manuais, e, até mesmo, engenheiros? Especialistas afirmam que quem não quer sobrar no mercado de trabalho deve ir além da qualificação.

De acordo com a edição de 2012 da pesquisa sobre escassez de talentos, realizada pela consultoria Manpower Group, a média global de dificuldade para encontrar profissionais é de 34%. Em segundo lugar na lista dos 42 países abrangidos pelo estudo, o Brasil supera a marca mundial com o patamar de 71%. De acordo com o estudo realizado pela empresa, a área onde mais sobram vagas no país é a destinada a técnicos.

“Por muitos anos, esses trabalhadores foram preparados para conquistar uma boa posição apenas com o domínio da tarefa. Mas, hoje, outros fatores determinam o sucesso no mercado de trabalho. Além do conhecimento técnico, é preciso ter as técnicas comportamentais - capacidade de interagir, trabalhar em equipe, se comunicar, ter iniciativa e liderança”, recomenda a sócia da consultoria de recursos humanos Fator Humano, Ana Thereza de Almeida.

O resultado da pesquisa não surpreende o diretor regional do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), Sérgio Gaudêncio. Para ele, os preconceitos da sociedade relativos aos cursos técnicos são decisivos para a redução drástica do número de profissionais. “É algo implantado na mente do estudante desde o ensino médio. O sonho da universidade tem levado muitos a optarem pelo nível superior, o que gerou uma grande defasagem para a indústria, que está carente de profissionais técnicos”, justifica.

Ele explica que, se por um lado o jovem de nível superior sente dificuldades para conseguir uma vaga de emprego, por outro, o cenário para quem quer seguir carreira de técnico é favorável. “Uma vez dominando a técnica, o profissional é absorvido pelo mercado”, garante. Mas quem quer se destacar e não dar bobeira na hora de concorrer a uma vaga de emprego deve, segundo Sérgio, apresentar não só o domínio técnico. “Ter um segundo idioma é fundamental. Com a multiplicação das relações internacionais entre empresas, saber falar inglês é um diferencial para esse tipo de profissional”, ressalta.

A consultora de RH Ana Thereza destaca que a má formação dos profissionais na construção civil contrasta com o alto grau de exigência das empresas (Ricardo Fernandes/DP/D.A Press)
A consultora de RH Ana Thereza destaca que a má formação dos profissionais na construção civil contrasta com o alto grau de exigência das empresas
A pesquisa aponta também uma carência de trabalhadores de ofícios manuais. “O setor de construção demanda a contratação de pessoas para a mão de obra operacional, mas há uma dificuldade muito grande em razão da falha na preparação desses profissionais, que se contrasta com o alto grau de exigência das empresas”, analisa a consultora de RH Ana Thereza.

No terceiro lugar da lista das dez profissões em que sobram mais vagas no Brasil estão os cursos de engenharia. O presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Pernambuco (Sinduscon-PE), Gustavo de Miranda, explica que, apesar do pequeno número de vagas preenchidas, o ramo oferece boas oportunidades. “A grande vantagem em fazer o curso de engenharia é a versatilidade que essa área oferece. Há uma verdadeira olimpíada matemática, e, qualquer um de nós, ao entrar, precisa superar essa fase básica, que é a dificuldade com os cálculos. Enfrentando essa dificuldade, a cabeça do futuro engenheiro estará muito bem preparada para encarar os desafios”, reflete.

Ele sugere que os engenheiros que queiram se destacar no mercado de trabalho comecem a investir na carreira desde os momentos iniciais, na universidade. “O estudante precisa explorar ao máximo a sua vocação, buscando se especializar na área em que mais tem aptidão, seja a engenharia de produção, naval, metalúrgica, ou qualquer outra. Vocação é algo que não se discute, mas para se destacar é preciso também ter em mente outros valores”, pondera.

De acordo com ele, três são as bases para formar um bom engenheiro. “Não adianta fazer um trabalho muito rápido e errar, então é importante prezar pela qualidade. O bom engenheiro nunca deve esquecer a máxima de ‘fazer mais por menos’, e isso significa que é preciso otimizar a produção e tornar o preço mais acessível, porque o lado humano é um dos fatores que rege a engenharia. E trabalhar com segurança e respeito ao meio-ambiente são valores que não devem ser postos em risco”, recomenda.

Saiba as dez profissões que sobram vagas no Brasil
1 2 3 4 5
Técnicos Trabalhadores de ofício manual Engenheiros Motoristas Operadores de produção
6 7 8 9 10
Contadores e profissionais de finanças Representantes de vendas Profissionais
de TI
Operários Mecânicos
Fonte: Consultoria Manpower Group

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