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| O gerente de marketing da Minds, João Rafael, diz que a demanda cresceu nos últimos dois anos. Até dezembro, a escola abrirá nova unidade |
Mais um índice coloca o Brasil em uma das piores posições do ranking mundial. Dessa vez, trata-se do nível de proficiência em inglês: segundo pesquisa da escola de inglês online Global English, o país fica em penúltima posição numa lista de 76 nações, ganhando apenas da Colômbia. Enquanto a média mundial foi de 4,15 pontos, a brasileira ficou em 2,95.
O dado causa ainda mais preocupação às empresas, que têm tido dificuldades em recrutar funcionários que falem mais do que o inglês básico. Apesar do resultado da pesquisa, os cursos de idioma têm registrado o aumento da demanda ao longo dos últimos dois anos, mostrando que uma das soluções encontradas pelas empresas é a parceria com escolas de inglês.
Dentre outros motivos, o resultado da sondagem, realizada com 13 mil brasileiros, pode ser creditado à baixa carga horária dedicada ao ensino de inglês no Brasil. E enquanto os materiais didáticos preparados pelas editoras internacionais focam no desenvolvimento da leitura, escrita, audição e pronúncia, o enfoque brasileiro se volta prioritariamente para o vocabulário, a interpretação de texto e a gramática, deixando a desejar no que diz respeito à conversação — o que causa lacunas quanto ao entendimento e à expressão.
E foi pensando em vencer as defasagens encontradas na metodologia de grande parte das escolas brasileiras que a gerente de inovação Tatiana Garrido decidiu aprimorar o inglês. Há seis anos e meio morando no Recife, a carioca veio à capital pernambucana em razão de uma operação realizada pela empresa em que trabalhava. Já estabilizada aqui, há um ano ela começou a ter aulas particulares de business school. E, até hoje, exercita o idioma com uma linguagem voltada para os negócios: “As aulas facilitaram bastante a comunicação. Em meu trabalho, preciso falar em inglês com empresas de outros países, então o exercício se tornou essencial.”
Este não é o primeiro nem o último caso de pessoas que, já no mercado de trabalho, decidem apostar no estudo de idiomas estrangeiros. Que o diga o professor de Tatiana, Eduardo Santos, que também é gerente acadêmico da Cultura Inglesa Madalena. Ele explica que, diante da totalidade de alunos do tradicional curso de inglês, os adultos correspondem a 60%. “Nas aulas em dias de sábado predominam alunos maiores de 18 anos. A demanda cresceu tanto que, pela falta de espaço físico, algumas turmas tiveram que ser alojadas na Cultura Young, espaço que é voltado para crianças”, explica Eduardo.
Um dos fatores que justifica o aumento da procura pelo aprendizado do inglês é a parceria firmada com empresas. Eduardo diz que, enquanto alguns alunos da Cultura Inglesa chegam ao curso sem as noções básicas do idioma, outros já apresentam algum conhecimento. “Parte dos estudantes teve o ‘inglês de escola’, que prepara o aluno com o enfoque do vestibular. Este é um dos motivos da defasagem na proficiência.”
Ainda segundo ele, entre julho e setembro as buscas foram lideradas por pessoas entre 27 e 40 anos, que procuravam aprender a falar inglês rapidamente. Também professor de business english há dois anos e meio, Eduardo disse dar aulas para uma maioria notadamente de for a: “Muitos alunos como Tatiana vieram das regiões Sul e Sudeste em busca de oportunidades, em meio ao desenvolvimento econômico do estado. Os alunos recifenses, por incrível que pareça, são minoria.”
O curso de inglês Minds registrou um crescimento forte da demanda nos últimos dois anos. O gerente de marketing da empresa, João Rafael, pontua que, inicialmente, a escola tinha três unidades distribuídas pelo Recife, mas logo viu a necessidade de abrir mais duas. Até o fim deste ano, a expectativa é que mais uma unidade seja aberta. O público-alvo, segundo ele, é bem definido. “Nosso foco é formar alunos que estão no mercado de trabalho em busca de ter o inglês como diferencial. Tendo isso em vista, 80% de nossos seis mil estudantes estão na faixa etária dos 18 aos 40 anos”, diz.
Assim como acontece na Cultura Inglesa, a Minds oferece convênios para algumas empresas. E esta tem sido a solução não só para os empregadores, como também para os funcionários. “Muitas empresas e instituições encaminham o trabalhador para o curso de idioma, mas também observamos uma procura natural por parte dos funcionários. As parcerias aumentam semanalmente, em razão da necessidade de qualificação”, conclui o gerente de marketing.
Para o sócio do escritório recifense da consultoria Deloitte, José Emílio Calado, apesar da dificuldade em se contratar funcionários com fluência no inglês, o quadro melhorou nos últimos anos. “É por meio da escrita, leitura, entendimento e pronúncia que percebemos o nível do candidato a uma vaga. Mas para otimizar o aproveitamento de nossos funcionários, oferecemos um convênio com escolas de idioma. A iniciativa já abarca 50% de nosso capital humano”, relata.
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