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Produção » Depois de paralisação, funcionários da GM voltam ao trabalho e temem demissões O sindicato diz estar aberto a propostas como redução de jornada e férias coletivas, desde que a GM mantenha a produção do Classic

Publicação: 04/08/2012 08:29 Atualização:

Depois de fechar a Via Dutra e parar toda a produção na quinta-feira, os empregados da GM em São José dos Campos voltaram ontem ao trabalho com a atenção voltada para a reunião que acontece hoje cedo entre representantes da montadora, do Sindicato dos Metalúrgicos e do Ministério do Trabalho. Na mesa, está o futuro do setor de Montagem de Veículos Automotores (MVA), que emprega 1.500 dos 7.500 empregados do complexo. O sindicato diz estar aberto a propostas como redução de jornada e férias coletivas, desde que a GM mantenha a produção do Classic, único dos quatro modelos que continua a sair do MVA.

"Não vamos abrir mão da essência da nossa proposta, que é a manutenção da produção do Classic, hoje nosso único ganha-pão. O resto é negociável", disse Antônio Ferreira da Costa, o Macapá, presidente do sindicato local.

Comércio já sente a pressão

Segundo Macapá, as declarações de ontem do ministro da Fazenda, Guido Mantega, de não aceitar demissões, reconsiderando a posição do governo, provocaram alívio entre os empregados, apesar do fantasma das demissões rondar o setor.

O clima de apreensão em relação ao encerramento da produção também já afeta o comércio da cidade. Apesar das estimativas de alta nas vendas em agosto em torno de 12% pelo Dia dos Pais, o presidente da Associação Comercial e Industrial de São José dos Campos, Felipe Cury, diz que tudo vai depender do desfecho da reunião entre sindicalistas e a GM:

"Todos estão com um pé atrás", diz.

Segundo Cury, o corte de 1.500 postos diretos na fábrica pode representar o fim de outros cinco mil indiretos. Caso esse cenário se confirme, diz o empresário, as vendas serão derrubadas. Em sua memória, ainda está a demissão de 4.700 empregados da Embraer, em fevereiro de 2009, o equivalente a 20% do quadro de funcionários da empresa.

Mais complicada é a situação de quem está no meio do furacão. Erenilson Carlos Gonçalves, com mais de 14 anos na GM, e pai de um menino de 4 anos, teme perder o emprego.

"Não sabemos o dia de amanhã", disse ele na entrada do primeiro turno do MVA.

José Tadeu, outro funcionário antigo, com 23 anos de GM, também convive com o risco de ser demitido a qualquer momento. Para ele, a empresa quer fazer uma reestruturação em toda a planta, mandando os trabalhadores mais antigos embora e contratando jovens com salário menor.

"A linha de montagem tem capacidade para rodar 50 carros por hora, mas nos últimos dias vem rodando 10 ou 15 carros", contou Tadeu, que recebe R$ 20,55 por hora, contra os R$ 9,50 recebidos pelos novos funcionários.

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