As sete empresas “X” do empresário Eike Batista perderam R$ 13,8 bilhões em valor de mercado nos dois últimos dias — R$ 8,4 bilhões na quarta-feira, sendo que só ontem as ações da petroleira OGX despencaram 19,20%, a R$ 5,05. No início da noite, a empresa comunicou o afastamento de seu presidente, Paulo Mendonça e a indicação de Luiz Eduardo Guimarães Carneiro para o posto. O movimento teve impacto direto na colocação do brasileiro no ranking dos mais ricos do mundo, do 7º lugar na revista norte-americana Forbes em março para o 46º. A publicação, uma espécie de bíblia das famosas listas de bilionários, não perdoou a queda e intitulou, na internet, que Eike era “o maior perdedor do ano”.
O esforço do empresário para reverter a desconfiança dos investidores, em teleconferência, não surtiu efeito. Eike tentou explicar, em inglês, que a produção inicial de 5 mil barris de petróleo pela OGX na Bacia de Campos — a previsão era de 15 mil a 20 mil barris — é decorrente de fratura entre os dois poços da empresa no campo Tubarão Azul, no litoral fluminense. Problema que, segundo ele, está sendo revisto e analisado.
Os investidores, porém, não quiseram esperar e os papéis chegaram a cair 23% no início da tarde de ontem — os papéis acumulam queda de 51% no mês. A desconfiança contaminou outras empresas do grupo, na verdade as 7 que carregam a letra X, como MMX (mineração), MPX (energia), OSX (estaleiro), LLX (logística), PortX (portuária) e CCX (carvão). O temor é que as demais empresas, a exemplo da OGX, não entreguem os resultados esperados pelo mercado e previstos no início das captações na bolsas.
A imagem de Eike ontem era bem diferente de quando, em 26 de abril, ao lado da presidente Dilma Rousseff, foi retirado o primeiro barril de petróleo do poço da OGX em Tubarão Azul. Eike informou aos investidores que todos os esforços estão sendo realizados para o aumento da produção. A cautela da Petrobras, que no plano de investimento reduziu previsões de produção, também contribuiu para o aumento da desconfiança quanto à capacidade de resultados da empresa do bilionário brasileiro.
Frustração
“O mau humor do mercado com as ações do grupo continua forte”, disse o analista Erick Scott, da SLW Corretora. “A tendência é que o papel continue pressionado até que a empresa mostre resultados condizentes ou acima da expectativa.” A maior desconfiança está na execução do programa de crescimento das empresas. Nem a disposição do empresário em dar respostas ao mercado e analistas alivou as tensões. “Isso (a teleconferência) não adiantou, porque esse novo dado colocou em xeque a credibilidade do grupo.
Já o banco de investimentos JP Morgan escreveu em relatório que a redução da capacidade de produção da OGX “cria incerteza sobre o potencial de recuperação de óleo da companhia, assim como o potencial máximo de produção”. O Bank of America Merryll Lynch foi ainda mais longe e rebaixou as ações da OGX de neutro para “underperform” (desempenho abaixo do esperado). Mais: reduziu a previsão de preço dos papéis de R$ 19,50 a ação para R$ 7,30 em 12 meses. Ou seja, as ações ainda podem cair ainda mais.
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