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| Antes do anúncio da redução do IPI, a revenda de Alexandre Brito, o Alemão, comercializava entre 15 e 25 carros usados por mês. Hoje, as transações se resumem a cerca de cinco veículos |
Você tem percebido que as concessionárias de veículos têm recebido uma enxurrada de consumidores dispostos a realizar o sonho de ter um carro zero quilômetro. Não importa se é a primeira compra ou mesmo a troca do veículo já usado. A corrida está sendo possível graças à redução do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI), anunciada pelo governo, em maio, para estimular o consumo.
A medida adotada reduziu o valor médio dos carros zero com motores entre mil e duas mil cilindradas entre 7% e 10%. Veículos utilitários sofreram uma queda de 4%. Compradores de carros novos não faltam. Mas a redução do IPI fez despencar a venda de seminovos. O efeito negativo, em alguns casos, chega a assustar e está difícil vender um veículo dessa categoria sem amargar um desconto indigesto.
“Desde a redução do IPI as vendas de seminovos caíram bastante. Tivemos até 60% de queda nas vendas. Toda facilidade de crédito está indo para os carros zero”, diz Alexandre Brito, o Alemão, proprietário de uma revendedora de veículos usados na Zona Norte do Recife. Segundo ele, antes do anúncio da redução do IPI, o estabelecimento vendia entre 15 e 25 carros por mês. Hoje, as transações se resumem a cerca de cinco carros mensais. “As financeiras estão mais rigorosas em oferecer crédito para a compra de seminovos. O estoque está 20% menor por que as vendas caíram.”
O fenômeno, aliás, já era previsível. Somente com a redução do IPI, as vendas de automóveis zero quilômetro aumentaram 11,5% em maio em relação a abril, de acordo com um levantamento realizado pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). Na contramão, o valor dos usados despencou entre 10% e 15%. Os consumidores têm preferido pagar um pouco mais (a diferença não é tão grande) para ter um carro zero.
Para Alexandre Jatobá, professor de economia da Faculdade Boa Viagem (FBV), o mercado de usados tende a se recuperar com o tempo. “Essa tendência de queda deve permanecer enquanto o IPI estiver reduzido. A facilidade de crédito com juros mais baixos para os carros novos faz com que o consumidor possa pagar prestações menores e ajustadas ao orçamento. No momento atual, a diferença de preços entre um novo e um usado é pouca”, explica.
Pela lógica, se o preço do carro novo cai o do seminovo se reduz por consequência. Mas não na mesma proporção, já que existe a questão da oferta e da demanda. No último mês, os consumidores estão tendo dificuldade para comprar carros novos, uma vez que as concessionárias não estão conseguindo suprir a quantidade de pedidos. Em média, os clientes só irão receber os produtos com mais de 30 dias.
Vítor Arruda, vendedor de uma outra concessionária de carros usados da Zona Norte, conta que, antes da redução do IPI para os carro 0km, a concessionária vendia uma média de 20 carros seminovos por mês. “No último mês, a loja vendeu cerca de cinco carros usados e eu não vendi nenhum. A queda foi de mais de 10%. No momento atual, só compra seminovo quem não encontra carro zero nas lojas, já que os estoques estão baixos”, pontua.
MudançaCom o cenário de encalhe dos carros usados nas revendedoras, não há outra saída para os proprietários que não seja promover descontos. Algumas concessionárias têm ofertado abatimentos variando entre 10% e 20% no preço dos seminovos na esperança de verem uma reação do setor, inclusive para evitar eventuais demissões de funcionários.
“Antes vendíamos e comprávamos carros usados todos os dias. Como o preço do carro usado é baseado no veículo novo e este caiu, é preciso acompanhar as reduções para evitar um prejuízo maior. O consumidor ainda está se acostumando com os novos valores”, reforça Alexandre Brito.
Há, porém, quem já esteja vislumbrando um cenário de mudança. O empresário Mário Neto, que também possui uma revendedora de carros usados na Zona Norte, diz que já percebe uma reação do mercado de seminovos, mesmo com mais dois meses de IPI reduzido (a promessa do governo federal é de que a medida vigore até o fim de agosto). “Vendíamos, em média, cerca de 70 carros usados por mês. Nos primeiros dias do mês passado caíram para 40, mas já estamos percebendo uma recuperação. Acho que a redução vai ser prorrogada e somente em janeiro os preços voltarão ao normal.”
De acordo com Alexandre Jatobá, alguns bancos também tornaram a concessão de crédito mais rigorosa para evitar a inadimplência do setor, a maior nos últimos 12 anos. Somada à redução dos juros para a compra de carros novos (em média, 0,99%, contra até 2,5% dos usados), um carro zero pode custar o mesmo que um usado. “O impacto no momento é negativo para os seminovos, que precisam baixar os preços para competir com os usados. O ajuste só virá com o tempo”, completa.
Esta matéria tem: (1) comentários
Autor: Antonio Silva
É uma pena que as pessoas continuem comprando carros novos.... Todos deviam parar e segurar as compras. Assim, não pagaríamos o preço de 2,5 carros para compra de um automóvel devido a impostos absurdos nesse País! | Denuncie |