Cinema [Crítica] Arranha-céu: Coragem Sem Limites requenta clichês de filmes de ação em aventura divertida Longa estrelado por Dwayne Johnson revisita conceitos vistos em Duro de Matar e Inferno na Torre

Por: Breno Pessoa

Publicado em: 12/07/2018 13:22 Atualizado em: 12/07/2018 12:14

Personagem de Johnson é o ex-líder de uma divisão do FBI dedicada ao resgate de reféns. Foto: Universal Pictures/Divulgação
Personagem de Johnson é o ex-líder de uma divisão do FBI dedicada ao resgate de reféns. Foto: Universal Pictures/Divulgação


Não é fácil fugir dos clichês de filmes de ação, mas nem sempre é o fator novidade que vai contribuir para tornar uma produção do gênero bem-sucedida. Longe de ser um exemplo de originalidade, Arranha-céu: Coragem sem limite, maior estreia desta semana, mostra ser possível oferecer bom entretenimento mesmo reciclando ideias vistas em outros longas-metragens e desfilando chavões ao longo de uma hora e 40 minutos de projeção.

Estrelado por Dwayne 'The Rock' Johnson (Velozes e furiosos) e dirigido por Rawson Marshall Thurber, mais conhecido pelo trabalho em comédias como Família do bagulho (2013), Arranha-céu tem jeitão de filme ação dos anos 1980, mas com uma roupagem moderna e boa dose de efeitos visuais. Já a premissa parece um remix entre Duro de matar (1988) e Inferno na torre (1974).

Personagem de Johnson, o tough guy (durão) Will Ford é o ex-líder de uma divisão do FBI dedicada ao resgate de reféns, que atualmente trabalha como inspetor de segurança. Responsável pela verificação final do sistema de proteção do mais alto prédio já construído, ele acaba sendo o principal suspeito quando um incêndio atinge o arranha-céu e todos os mecanismos para salvaguardar o local falham.

Erguida em Hong Kong, a edificação é alvo de criminosos locais que desejam chantagear o proprietário, Zhao Long Ji (Chin Han). Ao mesmo tempo que tenta provar sua inocência, Will parte em busca da esposa, Sarah (Neve Campbell), isolada no edifício com os dois filhos do casal em pleno incêndio.

O protagonista não é muito diferente de outros papéis de The Rock, o que não é um problema. A exemplo do contemporâneo Jason Statham ou de medalhões como Sylverter Stallone e Arnold Schwarzenegger, o ator se consagrou muito mais pelo carisma e desenvoltura como astro de ação do que por versatilidade dramática.

Dito isso, Dwayne Johnson é uma escolha sempre acertada para produções como Arranha-céu, em que pesa a presença de um ator carismático e capaz de emular aquela figura manjada do herói solitário que enfrenta dezenas de bandidos e é capaz de feitos físicos inacreditáveis, geralmente acompanhados de caretas e frases de efeito. Para não dizer que o personagem é idêntico a tantos outros brucutus dos filmes de ação, Will Ford tem uma característica diferente: tem uma das pernas amputadas e usa prótese (que, a propósito, ganha usos para além da substituição do membro). Vale dizer também que a personagem de Neve Campbell, embora de certa maneira represente a figura feminina a ser salva, passa longe de ser uma dama em perigo e mostra independência e força.

Um tanto previsível, por vezes bobo, e com várias daquelas cenas física e humanamente impossíveis, Arranha-céu: Coragem sem limite é eficiente justamente por não buscar realismo ou densidade emocional em uma premissa que não pede isso. E ainda que recicle ideias e tenha um desenrolar dos acontecimentos que não sai do esperado, garante diversão e certa dose de tensão pelas cenas de ação competentes e exageradas. Um bom entretenimento.

Assista ao trailer:



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