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Memória Recife ganhará um Museu da Imprensa Com acervo sobre a atuação do jornalismo pernambucano, espaço será construído na nova sede da AIP

Por: Alef Pontes

Publicado em: 13/09/2017 13:50 Atualizado em:

Acervo de biblioteca da sede da AIP será transferido para o equipamento cultural. Foto: Alcione Ferreira/DP/D.A.Press
Acervo de biblioteca da sede da AIP será transferido para o equipamento cultural. Foto: Alcione Ferreira/DP/D.A.Press

A imprensa pernambucana ganhará um espaço dedicado à memória da prática jornalística no estado. O chamado Museu da Imprensa, ainda sem data para inauguração, vai funcionar na nova sede da Associação da Imprensa de Pernambuco (AIP). O equipamento terá como objetivo contar a história dos veículos impressos, de rádio e de televisão que atuam ou atuaram por aqui nas últimas décadas. O prédio, localizado no número 1424 da Avenida Conde da Boa Vista, aguarda licitação para ser restaurado. Depois de finalizado, irá contar com café cultural, museu e auditório abertos ao público.

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Os planos para a criação do museu foram revelados pelo presidente da AIP, Múcio Aguiar, na semana em que a associação completa 86 anos. Se, por um lado, a expectativa de reforma do novo prédio traz novas possibilidades de ação para a entidade, por outro, parte importante da memória e do patrimônio cultural e intelectual do estado permanece sem projeções positivas. Fechado há 17 anos, o Cine AIP, localizado no histórico Edifício Santo Albino, na Avenida Dantas Barreto, no bairro de Santo Antônio, ainda sofre com o abandono. "A expectativa para reabrir não é algo próximo", lamenta Múcio.

Problemas estruturais e operacionais no edifício inviabilizaram a utilização da antiga sede pela entidade e dificultam a restauração do equipamento cultural: O edifício precisa passar por uma reforma na rede elétrica, orçada em R$ 250 mil, além da compra de dois elevadores, custando R$ 300 mil cada. "Por se tratar de um prédio privado - apenas a antiga sede da AIP foi desapropriada -, não temos como obrigar o Governo do Estado a aplicar verba pública nele", diz. "No entanto, é do nosso interesse que haja uma futura cessão de uso e lutar pela sua preservação. O Cine AIP continua vivo, é nosso dever que ele reabra", afirma.

Histórico
Dois dias após a celebração do Dia Nacional da Imprensa, no dia 12 de setembro de 1931, era realizada no Recife a primeira reunião da Associação da Imprensa de Pernambuco (AIP), entidade de luta pelos direitos dos profissionais da informação e importante veículo de atuação pelos direitos civis durante os pesados anos de regime militar.

Para Múcio Aguiar, a atuação da AIP durante os anos de repressão da Ditadura Militar teve um papel fundamental na defesa da liberdade de imprensa. Entre as ações de destaque, ele recorda a elaboração do Fundo de Liberdade de Imprensa, com o objetivo de ajudar os familiares dos presos políticos da década de 1960. Ainda nesse período, denunciou o sequestro do jornalista Iran Pereira, torturado pelos militares em 1964, e a perseguição de Paulo Cavalcanti por suas posições em defesa da liberdade de imprensa.

Durante essas décadas de existência, Múcio contabiliza várias tentativas de calar a AIP, principalmente sobre a atuação do Cine AIP e a exibição de filmes considerados subversivos. Presidente na época, o jornalista Carlos Garcia chegou a ser preso dez vezes. A importância da associação neste contexto, relembra, fez-se marcante na escolha do local pelo ex-governador Miguel Arraes para a realização de seu discurso de posse.

"Ao ser eleito governador, ele foi para o auditório da AIP fazer seu discurso de posse, não para a Assembleia Legislativa ou para o Palácio do Campo das Princesas, como é de costume, isso dada a importância da Associação naquele cenário", conta o atual presidente do órgão.

Recortes
Passado o período das perseguições do regime militar e seus mecanismos de censura, ele acredita que o órgão continua tendo vital importância como guardião dos princípios democráticos: "Não podemos pensar especificamente na redemocratização sem pensar na liberdade de imprensa". Para ele, a liberdade vem sendo afrontada, no novo contexto sociopolítico do Brasil, "quando medidas judiciais ou ações políticas coíbem o funcionamento da imprensa".

"Quando um prefeito no interior de Pernambuco corre com um facão para atacar um radialista, ele está cerceando a liberdade de imprensa. É nosso papel, como entidade, tanto repudiar como usar os meios legais para combater esses atos", afirma, recordando o caso ocorrido no município de Carpina, em 2008.

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