Ligados pelos laços do amor Alguns pais têm filhos que foram gerados por outras pessoas, formando famílias tão completas como qualquer outra. Adoção é uma decisão séria que precisa ser avaliada

Por: Emília Prado

Publicado em: 03/04/2018 11:49 Atualizado em:

Isaque e João Henrique em passeio com os pais. Foto: Arquivo Pessoal
Isaque e João Henrique em passeio com os pais. Foto: Arquivo Pessoal

Relações entre pais e filhos costumam ser bem parecidas, mas também têm diferenças entre si. Alguns pais e mães têm filhos que foram gerados por outra pessoa, mas, por algum motivo, morte dos responsáveis ou falta de condições de cuidar de uma criança, outra família assume a responsabilidade por aquela vida. É uma decisão muito séria, por isso, existem instituições que avaliam e permitem ou não o ato de adoção.

Francisco Lacerda e seu esposo, João Gomes, entraram em contato com a Vara da Infância e Juventude do Recife e deram início ao longo, mas necessário, procedimento que toda família passa para adotar uma criança. Depois de um ano e três meses e algumas entrevistas, foram indicados para Isaque e João Henrique, na época com 7 e 5 anos. Os meninos se encaixavam no padrão solicitado pelo casal, dois irmãos ou duas irmãs, entre 1 e 7 anos.

Francisco e João visitaram os meninos algumas vezes no abrigo.  Os quatro se gostaram e Isaque e João Henrique foram morar com os novos pais. Francisco lembra que a primeira semana foi a mais difícil. “Não é fácil se adaptar e era novidade para todo mundo. Notamos que Isaque se sentia menos à vontade que João Henrique, que é mais extrovertido, mas, ao mesmo tempo, tem mais dificuldade para entender limites e regras”, conta o pai. A cada dia que passava a relação da família melhorava e ficava mais natural, até hoje é assim. Dois anos depois, aos 7 e 9 anos, João Henrique e Isaque têm uma relação saudável com os pais.

Família de João Hélio, Anthony e Ruan. Foto: Arquivo Pessoal
Família de João Hélio, Anthony e Ruan. Foto: Arquivo Pessoal


Um processo parecido aconteceu com Marcelo Ribeiro e sua esposa, Ana Celma Mendes. Os dois já tinham uma filha biológica, Marcela, quando entraram na fila de espera da adoção. Uma ligação os informou que três irmãos estavam esperando um lar e marcaram o primeiro encontro. Na época, João Hélio, Anthony e Ruan tinham 3, 6 e 7 anos, respectivamente.

Após três visitas e bastante conversa, os cinco passaram para o estágio de convivência, quando a criança mora com a família por até 90 dias, mas a adoção ainda não está totalmente confirmada. Depois de um mês e meio, Marcelo e Ana receberam a autorização do juiz e colocaram seus nomes nos documentos das crianças. Oficialmente eles eram uma família.

Na família de Marcelo, Ana e Marcela, que receberam três crianças, a adaptação à nova casa e rotina foi rápida e os meninos não demoraram a chamar “painho” e “mainha”. “Eu nunca tinha entrado em um prédio e tive que me acostumar. Também tinha um pouco de vergonha das pessoas da família no começo, mas depois passou”, diz Ruan, o mais velho dos três. Anthony, que tinha 6 anos quando chegou ao novo lar, também estranhou a rotina. “Eu tive que fazer novos amigos e não sabia se ia me agrupar bem. Na primeira escola que estudei alguns meninos implicavam comigo e fomos estudar em outra, onde estou até hoje. Lá encontrei meus amigos e eu sempre os defendo porque eles fazem o mesmo quando preciso”, relata.

Depois de quatro anos da chegada dos meninos, a família já tem bastante história para contar. O caçula João Hélio conta que seu programa preferido é passear com os pais e irmãos no Parque da Jaqueira e sair para comer. O garoto, que considera o pai seu melhor amigo, também lembra cheio de animação da viagem que fizeram para a Argentina.

Anthony, hoje com 10 anos, define baseado nos últimos anos o seu conceito de família. “Para mim, é um grupo de amigos que estão sempre perto e todo mundo se ajuda”.

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