E lá se vão 40 anos... Ícone do teatro infantil em Pernambuco, o Palhaço Chocolate contagia a criançada por onde passa. E tem sido assim por quatro décadas, animando e marcando várias gerações.

Publicado em: 13/04/2015 09:47 Atualizado em: 13/04/2015 11:55

 (Foto: Ricardo Fernandes/DP/D.A Press )
O chocolate foi o bombom que se destacou. Apesar de gostar de teatro desde criança, a carreira de Ulisses Dornelas, que dá vida ao Palhaço Chocolate, começou pra valer quando, adolescente, formou um grupo chamado “Família dos Bombons”. Eram dez recreadores, que se apresentavam em festas infantis, mas o “Chocolate”, nome que ele próprio escolheu, seguiu em frente. E, sozinho, o palhaço foi desenvolvendo seu projeto, voltado para o teatro, com música, dança, circo, tudo para as crianças.

Foi trabalhando com a casa de festas chamada Maria Fumaça, há quase 30 anos, que ganhou visibilidade. “Trabalhávamos para festas mais simples durante a semana e, nos fins de semana, realizávamos festas de gente ‘importante’, celebridades”, conta. A empresária Ana Maria de Andrade, dona da antiga Maria Fumaça, hoje à frente de uma empresa de confecções de fardamentos, lembra do palhaço com carinho. “Ulisses sempre foi um homem de bom coração. Sempre gostou de seu trabalho e tem uma energia que poucas pessoas têm”, relata.

Ícone no teatro infantil, Chocolate marcou a infância de muitos que hoje são pais e até avós, fazendo show em todo o Brasil. Mas, nessas quatro décadas, ele percebeu que os tempos mudaram. A criança de hoje não é a mesma de 40 anos atrás. As peças precisam cada vez mais de ações, cores e muitos efeitos especiais. “Antes, tínhamos mais textos, hoje elas são mais musicadas, com textos menores, mas sem perder a essência da mensagem”, explica Ulisses, que sempre teve a preocupação de passar uma mensagem educativa e construtiva, como a preservação do meio ambiente.

Tento participado de mais de 100 peças, ele conta que cada produção é individual. “A gente escreve o espetáculo, cria o roteiro, pensa ele no palco e depois convida os atores, produz os figurinos e começa a montagem da peça. E o momento importante é saber se aquela criação vai ser bem recebida pelo público”, diz.

Fora dos palcos, o palhaço descansa, mas Ulisses não. Mesmo sem fantasia e sem atuação em espetáculos, ele continua pesquisando, estudando e procurando se aperfeiçoar para levar sempre mais novidades à criançada. Agora você deve estar se perguntando: “E como esse homem faz tanta coisa ao mesmo tempo?”. A resposta está na ponta da língua: “Você tem que ser apaixonado pelo que faz. Nunca deixei de cumprir um compromisso, faço tudo com amor”, diz.




O segredo do sucesso


 (Foto: Alcione Ferreira/DP/D.A Press)
Criador do palhaço mais querido da região, Ulisses tem vida própria, mas uma vida que se mistura ao personagem. Formado em Pedagogia, Psicologia, Administração de Empresas e Marketing, tudo para aprimorar seu trabalho, o olindense, pai de dois filhos, trabalha de domingo a domingo, sem cansar, sem tirar férias. Mas, com um sorriso largo no rosto, ele confessa: "O palco é onde eu me realizo".


Quem é Ulisses sem a fantasia?

Uma pessoa normal, que admira as artes. Eu sou muito tranquilo. Sou católico e acredito em Deus e na luz que ilumina os passos de Ulisses e do Chocolate e no meu caminhar das artes.


Que semelhanças existem entre você e o palhaço?

Eu fico sempre a serviço do Chocolate. Sou eu que crio, defino roteiro, dirijo o espetaculo. E o Chocolate é o que vive o persoangem. Quem produz é Ulisses e quem realiza é o Chocolate. Poucas pessoas me conhecem como Ulisses. Poucas pessoas me viram sem fantasia e acredito que quase ninguém me reconheceria na rua sem a maquiagem. Mas há uma afinidade muito grande entre Ulisses e o Chocolate. Não é um mero personagem.


E a família, onde fica?

Minha família é tudo. Minha mãe era uma professora primária que dava aula cantando. Devo ter herdado dela essa veia artística. Meu pai era o oposto, um ex-militar que a princípio não aceitava minha vida no campo da arte, mas que ao longo do tempo foi entendendo. Tenho dois filhos: Ulisses Dornelas Júnior, que é advogado e baterista, e Tamara Dornelas, uma filha linda que é bailarina clássica. São as duas pérolas na minha vida. Sempre procurei ser um pai presente.


O que gosta de fazer fora dos palcos?

Gosto de estudar, pesquisar, ler, refletir. Meu lazer é no palco mesmo, no teatro fazendo shows. São 40 anos sem tirar férias e não acho que está na hora de tirar. A gente fica até cansado, mas nunca chateado, aborrecido porque o palco é uma paixão. Tenho uma afinidade enorme. Estou sempre fazendo coisas que possam acrescentar no meu trabalho. Hoje, pesquisar talvez seja meu hobby. Você precisa sempre estar estudando para passar para o público valores positivos.


Então o palhaço não descança?

O palhaço quando sai de cena descansa, mas Ulisses continua trabalhando. Levo uma vida muito brincante, prazerosa, e isso eu tento passar para as pessoas que trabalham comigo. Faço os espetáculos sempre como se fossem o primeiro.


Como é sua relação com as crianças?

Eu adoro as crianças! Minha relação com elas é de admiração. Faço teatro com as crianças e para as crianças se sentirem bem. Fico feliz com o sorriso delas, a satisfação.


O que o palco representa para Ulisses?

O palco é um espaço feliz, mágico do artista, onde eu me realizo. Quando estou criando, elaborando, sinto uma felicidade imensa. Isso faz parte do meu dia a dia. Quando o profissional se dedica e gosta do que faz, fica feliz.


O senhor tem ideia do que representam esses 40 anos?

Eu vejo que já estou fazendo espetáculos para a terceira geração. Fico muito feliz. As pessoas fazem depoimentos para mim falando que fiz parte da sua infância e hoje levam os netos para as peças. Não tenho dimensão dos 40 anos, mas foram de muito trabalho e satisfação. Porque eu amo o que faço.




O palhaço de cara limpa

Ele não mostra o rosto. Não tira fotos sem ao menos algum adereço de palhaço. Ulisses Dornelas é seu nome. Nasceu em Olinda e fez faculdade de teatro, além dos cursos de pedagogia, psicologia e marketing. Toda a sua formação como profissional foi pensada em sua carreira como artista. De cara limpa, sem a maquiagem tão conhecida nos palcos,
Ulisses é um homem simples. De vida simples. Em dois minutos de conversa, ele já mostra o brilho nos olhos ao falar de sua profissão, da satisfação ao alegrar uma criança.
Sente orgulho de sua trajetória, de suas conquistas e parece não se cansar nunca.
Trabalha de domingo a domingo. Atua, dança, produz, escolhe elenco, prepara roteiro e resolve questões burocráticas do negócio. Sim, é um negócio, mas também é prazer. Nas horas vagas? Vai estudar, pesquisar, buscar o que há de novidade no mercado para apresentar a seu público. Com sorriso largo e espontâneo, o palhaço e o homem se misturam. Ulisses respira pelo Palhaço Chocolate e é o palhaço quem dá vida a esse senhor, que não revela a idade, mas brinca que tem prá lá de “meio século” de vida e quarenta anos de estrada. E, com tanto trabalho, já é milionário? Se é, não parece, mas ele faz questão de dizer “sou milionário na alegria”. E que venham mais quarenta anos. Afinal, o espetáculo não pode parar.



Em cartaz!

Teatro Boa Vista apresenta o espetáculo musical A Bela e a Fera, numa produção do Palhaço Chocolate com a Cia do Riso


 (Foto: Ivaldo Bezerra/Divulgacao)
Uma superprodução, assim o Palhaço Chocolate define os espetáculos que produz. No momento, a peça em cartaz é A Bela e a Fera, que acontece todos os domingos, sempre às 10h, no Teatro Boa Vista, na Rua Dom Bosco, bairro da Boa Vista. Um dos clássicos infantis mais conhecidos da criançada ganha nova roupagem com produção da Cia do Riso, baseada no conto da francesa Jeane Marie Leprince e inspirada nos grandes musicais da Broadway.

O espetáculo é uma adaptação do conto de fadas francês do século 18, conhecido pela adaptação da Disney em 1991. Com direção de Roberto Costa e apresentação do Palhaço Chocolate, a peça traz efeitos especiais e muitos cenários, além de contar com 15 atores e bailarinos que se revezam em 40 personagens, com mais de 50 figurinos. A montagem conta ainda com cenários em 3D.

Os ingressos já estão à venda na bilheteria do teatro, ao preço de R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia). E, como diz o próprio Chocolate: chame o papai e a mamãe e venha com a sua família!

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