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Circo Esta trupe vive debaixo da lona! Quatro crianças contam como é acompanhar o Cirque du Soleil pelo mundo afora

Por: Gustavo Aguiar

Publicado em: 06/09/2013 12:33 Atualizado em: 06/09/2013 12:46

 (Carlos Vieira/CB/D.A.Press)
 

A vida no picadeiro é um sonho fascinante. Por causa disso, muita gente acabou largando tudo comum para viajar e trabalhar no circo. Era a trupe desembarcar para estreia de um novo espetáculo que qualquer cidade virava um Deus nos acuda. Mãe proibia filha de sair à rua, e pai mandava filho passar um temporada na casa de tios distantes. No Cirque du Soleil, para não ter choro nem vela, família de artista viaja unida — e as crianças da trupe internacional que acompanham o espetáculo Corteo, em cartaz em Brasília, contaram para nossa equipe tudo sobre o dia a dia num circo de verdade!

Família do circo
Como deve ser viver no circo? De manhã, fazer trapézio ou brincar de malabarismo. À tarde, aprender uns truques de mágica, como serrar pessoas ao meio, cuspir fogo e engolir espadas. Na hora de dormir, as camas elásticas substituem as bobocas camas normais que todo mundo tem em casa, e a brincadeira continua. Será que é assim?

— Não é, não!, tratou de esclarecer o esperto Nikita Klavdich, 8 anos, canadense filho de um trapezista do Cirque du Soleil. Aqui no circo, tem muita regra, explica Nikita, e a gente tem que seguir tudo direitinho, senão… Senão acaba de castigo, como toda criança. O circo é como uma família beeem grande, e lá todo mundo tem uma função! 

Aulas no picadeiro
— Enquanto papai dá duro nos ensaios e durante os espetáculos, a gente precisa estudar!, esclarece o canadense Esteban Tôt-Ouané, 9 anos, filho de um dos músicos do circo.

As crianças não fazem parte do espetáculo, mas isso não significa que elas não tenham que cumprir tarefas por lá. Uma escola acompanha as viagens do Cirque du Soleil para os filhos dos artistas não ficarem sem aulas.

Como na companhia há gente do mundo todo, a galerinha aprende as lições em inglês e em francês. Além disso, não dá para esquecer as aulas de matemática, ciências, história e geografia. Mas lá, a agenda é um pouquinho diferente. De terça a sábado, sem sossego para o aprendizado. Já no domingo e na segunda, liberdade para fazer bagunça! 

Nascida na ribalta
Romina Mendez, 38 anos, é acrobata e uma dos quatro brasileiros que compõem o elenco de Corteo. Atualmente, ela pode ser vista no espetáculo fazendo um número de trapézio pendurada num lustre a 10 metros acima do chão. Assim como Sabrina, Sarina, Nikita e Esteban, Romina nasceu e cresceu no circo.

A estreia dela nos picadeiros foi aos 4 anos, ao lado dos pais, também artistas de circo. Eles apresentaram um perigoso número de equilibrismo. Durante a infância (veja foto acima), Romina não tinha endereço fixo: a casa dela era um trailer de viagem. A família viajou de norte a sul foi aplaudida em muitas cidades brasileiras.

— Existe uma lei no Brasil que diz que criança de circo tem direito a estudar em qualquer escola. Por isso, nunca fiquei sem frequentar o colégio, e trocava de escola sempre que o circo mudava de cidade. Todos queriam ser meus amigos, afinal eu era do circo! 

Show de tradição
O modelo de circo como conhecemos hoje nasceu em Roma — o primeiro a fazer sucesso, inaugurado no século VI a.C., chamava-se Circus Maximus e era uma grande arena de corrida e palco de torneios e inúmeros festivais. Ao longo dos séculos, e os espetáculos passaram a incluir apresentações teatrais, dança, ilusionismo, acrobacias e shows com animais adestrados. A história do circo no Brasil começa no século XIX, com a chegada de imigrantes europeus nascidos em famílias tradicionais de circo. Esta arte sempre esteve ligada às tradições ciganas. Nômades, esses grupos viajavam de cidade em cidade em caravanas e adaptavam os espetáculos ao gosto do público local.

 (Ronaldo de Oliveira/CB/D.A.Press)
 

Rei da gargalhada
Em Corteo, ao imaginar o dia do próprio funeral, o palhaço Mauro convida os amigos do circo para celebrar a vida e a alegria na hora do adeus. O ator e músico Mauro Fernandez, 40 anos, que interpreta o anfitrião dessa festa, entrou para a família do circo há cerca de um ano, mas revela que descobriu o amor pelo picadeiro na primeira gargalhada que conseguiu tirar de uma criança.

— Crianças são sempre muito espontâneas. Quando riem, estão felizes e contagiam os adultos. Fui tocado por essa alegria. Não escolhi ser palhaço, mas o palhaço me escolheu. Quando vi, de repente estava no palco fazendo as pessoas rirem, e isso é o máximo.

Filhos de peixe…
As gêmeas Sabrina e Zarina Novruzova, 7 anos, são filhas de um dos equilibristas do espetáculo e integram o grupo de crianças da trupe. As duas completam a galerinha  que acompanha o Corteo. Apesar de terem origem russa, elas nasceram nos Estados Unidos, moraram no Canadá, e já viajaram meio mundo com o circo.

Nikita lembra com saudade dos dias que passou na Tailândia. Esteban calcula que já visitou 17 países. Na vinda ao Brasil, os quatro aprenderam tudo sobre a Floresta Amazônica, os animais brasileiros e até um pouquinho sobre o nosso folclore!

E o que será que essa turminha quer ser quando crescer? Será que filho de peixe, peixinho é?

— Não quero trabalhar no circo, não. Quero ser um grande cientista, conta Nikita.

— Eu gosto do circo, mas quero ser engenheiro, assume Esteban. Logo muda de ideia. Não, eu quero ser arquiteto. Ou então presidente!



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