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Cangaço Virgulino, um homem do Nordeste

Por: Gabriel Catunda

Publicado em: 25/07/2013 10:45 Atualizado em: 25/07/2013 10:51

Para você entender a história do famoso capitão Virgolino Ferreira da Silva, o Lampião, também conhecido como o “Rei do Cangaço" precisamos fazer uma viagem na história pelo meio físico em que o personagem nasceu, viveu e morreu.

Nascido em 1898, em Serra Talhada, Lampião viveu em um ambiente de clima seco e quente, onde as chuvas quase não existiam, a vegetação era rasa cizenta, recheada de árvores cheias de galhos secos recheados de espinhos. A água era o bem mais precioso no Sertão nordestino. As desigualdades sociais eram muito grandes. A miséria e a pobreza deixavam o gado magro e o povo com fome. A terra era dominada pelos coronéis e pelos políticos da região. Todos esses fatores influenciaram o Rei do Cangaço a se tornar um dos bandidos mais temidos e procurados, depois de liderar um movimento social no nordeste brasileiro, “O Cangaço”, comandando vários jagunços, que dominaram a região por mais de vinte anos, nos períodos entre os séculos 19 e 20.

Instigados por outros movimentos populares, os grupos de rebeldes procuraram em si mesmos os meios para tentar mudanças, instigados pelo analfabetismo, pela fome, pela falta de futuro melhor, pelos anos sucessivos de seca, pelo descaso das autoridades e pela participação, muitas vezes infeliz, da Igreja Católica. Lampião nunca foi um líder de rebeliões ou um ídolo que servisse para a formação de camponeses revoltados. Política nunca foi parte de sua vida. Mas, as populações humilhadas e ofendidas viam em Lampião um exemplo, naquele meio termo entre temer o que ele era e querer ser igual a ele, quase a justificar sua existência de bandoleiro errante. Lampião subverteu a ordem imposta, mesmo que não fosse esse seu objetivo. Latifúndios que, durante décadas imaginavam-se intocáveis, sentiram o peso de sua presença e o terror das consequências do não atendimento de suas exigências. Isso não significa que ele tinha boas intenções, pois queria se apoderar de bens e riquezas da região, tanto em terras como em objetos de viajantes que passavam pelo local, além de desafiar a força polícial.


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