Pesquisa Os venenos que salvam vidas do Instituto Butantan Saiba como é feita a extração do veneno da cobra para produção de antídoto contra animais peçonhentos no Butantan

Por: Ana Paula Neiva - Diário de Pernambuco

Publicado em: 13/12/2018 16:29 Atualizado em:

Foto: Ana Paula Neiva/DP
Foto: Ana Paula Neiva/DP
Quando Giuseppe Porto chegou para estagiar no Instituto Butantan, em São Paulo, tinha apenas 16 anos e morria de medo de cobras. Biólogo de formação, hoje, ele dirige o Museu Biológico do instituto e especialista em répteis e anfíbios. Com habilidade extrema, ele extrai o veneno das cobras para produção do soro antiofídicos e medicamentos. Nesta quarta-feira (12), Giuseppe exibiu o procedimento para jornalistas, pesquisadores convidados do Seminário sobre os impactos da vacinação na saúde pública, no auditório do Butantan, na capital paulista. 

"As cobras usadas para extração de veneno não podem ser devolvidas à natureza. Elas ficam guardadas no laboratório", explicou. Para extrair o veneno, é preciso de dois funcionários com habilidade. Um pressiona a cabeça da cobra, enquanto o outro segura o corpo da serpente. O líquido venoso é processado em uma centrífuga até refinamento das impurezas. Depois, guardado em um frasco a uma temperatura de 20 graus negativo. 
Foto: Ana Paula Neiva/DP
Foto: Ana Paula Neiva/DP


Após esse procedimento, a substância é transformada em vacina e encaminhada  para uma fazenda, onde é aplicada em cavalos. O objetivo é a criação de anticorpos, que resultarão no antídoto. A aplicação não envenena o cavalo. Após ter o veneno injetado na veia, o animal passa por exames de sangue. Nessa etapa, o plasma (parte líquida) é separado. Devolvido ao Butantan, esse soro purificado é transformado em antiofídico, usado contra picada de animais peçonhentos. 

O Museu do Instituto Butantan possui atualmente um acervo de 400 animais. Mil deles fazem parte da produção do soro. A extração do soro da cobra acontece num intervalo de 40 dias. Geralmente, as serpentes são alimentadas com 10 a 20% do seu peso. "Isso evita obesidade. Além disso, a cobra gasta o veneno p matar o camundongo. Então se ela come muito perde o veneno", explicou Giuseppe. 

Localizado na Zona Oeste de São Paulo, o Instituto Butantan ocupa uma área de 80 hectares. Em maio de 2010, o edifício onde ficava guardada as coleções de cobras mortas sofreu um incêndio e cerca de 80 exemplares foram perdidas. 

Criado em 1901, é responsável pela produção de soros e vacinas. O lugar é também ponto turístico, recebendo uma média de mais de 300 mil visitantes por ano.

Entre as principais atrações estão os artrópodes, vertebrados répteis e anfíbios que fazem parte do museu biológico e o serpentário. Com exposição zoológica viva e permanente, com cobras, aranhas e escorpiões, em ambientes que recriam as condições naturais é campeão de visitação. Ano passado, cerca de 152 mil pessoas passaram pelo local.


Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.