Saúde SUS vai pagar tratamento de adesivo para Alzheimer Segundo dados do Ministério da Saúde, a doença impacta a vida de aproximadamente 1,2 milhão brasileiros

Por: Diario de Pernambuco

Publicado em: 04/07/2018 10:59 Atualizado em: 04/07/2018 11:17

Adesivo é colado nas costas do paciente e precisa ser trocado a cada 24 horas. Uma caixa custa em média R$ 500, com desconto do laboratório. Foto: Ana Paula Neiva/DP
Adesivo é colado nas costas do paciente e precisa ser trocado a cada 24 horas. Uma caixa custa em média R$ 500, com desconto do laboratório. Foto: Ana Paula Neiva/DP
O Ministério da Saúde assinou o primeiro contrato para a compra de rivastigmina, adesivo transdérmico para o tratamento da Doença de Alzheimer (DA), uma das dez doenças que mais causam mortes no Brasil. A disponibilização a pacientes do sistema público será feita nas apresentações de 5cm e 10cm. O medicamento já havia sido incorporado pelo sistema público de saúde em 2016. O remédio rivastigmina, já disponibilizado em comprimido e solução oral, agora também é disponibilizado em forma de adesivo transdérmico. Além da rivastigmina, o SUS também disponibiliza outros medicamentos para o tratamento de Alzheimer: Donepezila, Galantamina e a Memantina.

A adição do adesivo à lista de remédios do SUS representa uma melhoria na qualidade de vida de alguns pacientes. Por ser colocado na pele, a absorção do remédio se dá ao longo do dia e por isso tem menos efeitos colaterais, especialmente no sistema digestivo. A rivastigmina faz com que ocorra um aumento de uma substância chamada acetilcolina, que está reduzida no cérebro de quem tem Alzheimer, mas a medicação pode causar sintomas gastrointestinais como náuseas e diarreia, diminuição do apetite e dor de cabeça.

Este adesivo também proporciona maior praticidade ao cuidador, por conta da facilidade de manuseio e da garantia de que o paciente realmente recebeu a dose diária correta. Isso porque, por se tratar de uma doença que incide principalmente em idosos, os comprimidos, muitas vezes, são perdidos antes de serem levados à boca ou não são engolidos pelo paciente. Em média, nas farmácias, a caixa com 30 adesivos de 10 cm é comercializada por R$ 500, já com desconto do laboratório. 

No Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde, a doença impacta a vida de aproximadamente 1,2 milhão de pessoas. E a situação pode piorar, uma vez que, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população idosa no país deve triplicar até 2050, contribuindo ainda mais com o aumento dos casos de Alzheimer.

Causada pela morte progressiva de células do célebro, o Alzheimer é uma doença neurodegenerativa. Pacientes portadores têm funções de memória prejudicada, além da atenção e orientação e linguagem, o que gera graves consequências para qualidade de vida dos mesmos. A doença não tem cura.

No mundo, estima-se que 47 milhões de pessoas sofram de demência e, a cada ano, cerca de 10 milhões de novos casos são registrados. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a DA é responsável por 60% a 70% dos casos de demência, representando perda de qualidade de vida para os pacientes e familiares.

O ministério explica que a adição da versão adesiva do medicamento à lista disponibilizada pelo SUS se dá por causa dos menores efeitos colaterais e da facilidade de aplicação. "A rivastigmina já era oferecida por via oral, porém tinha o inconveniente de causar alguns desconfortos gastrointestinais no paciente, como náusea, vômito e diarreia. Para tentar diminuir esses efeitos indesejáveis, foi incorporada essa nova apresentação, que será indicada pelo médico que acompanha o paciente. Além disso, os pacientes com Alzheimer, podem tomar mais medicamentos ou menos que a quantidade prescrita, devido ao esquecimento", diz nota do Ministério da Saúde.

Causas e sintomas
Segundo a OMS, apesar de ser uma doença que incide principalmente sobre pessoas idosas, o aparecimento de sintomas antes dos 65 anos de idade representa cerca de 9% dos casos. A doença está associada ao aparecimento anormal de placas senis no cérebro, decorrentes do depósito de proteína beta-amiloide. Além disso, está relacionada a emaranhados neurofibrilares, frutos da hiperfosforilação da proteína tau.

No início, os sinais da doença podem ser sutis, mas são agravados com o tempo. Entre os principais sintomas estão a dificuldade de memória (especialmente de acontecimentos recentes), discurso vago durante as conversações, demora em atividades rotineiras, esquecimento de pessoas e lugares conhecidos, deterioração de competências sociais e imprevisibilidade emocional.

Segundo a Constituição Federal, o sistema público de saúde deve fornecer o acesso gratuito ao tratamento completo para a doença, envolvendo a medicação indicada. Para isso, o paciente deverá procurar seu médico para orientá-lo no processo de obtenção do medicamento. De acordo com o Protocolo Clínico de Diretriz de Tratamento³ (PCDT) do Ministério da Saúde, geriatras, neurologistas, psiquiatras ou qualquer médico especialista no tratamento de demências podem prescrever medicações para o tratamento de Alzheimer.

COMO FUNCIONA 

O adesivo é colado nas costas do paciente a cada 24 horas. Pode ser molhado durante o banho, mas precisa ser removido no dia seguinte após uso. Por ser colocado na pele, o adesivo pode trazer esporadicamente algumas reações no local da sua colocação e por isso é recomendado um rodízio no local de uso do adesivo.

COMO TER ACESSO PELO SUS

O medicamento já está disponível nas unidades de saúde responsáveis pela distribuição deste tipo de remédio. Mas os pacientes precisam atender aos crritérios de elegibilidade dos protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas e apresentar os documentos em um estabelecimento de saúde designado:
 
Cópia do Cartão Nacional de Saúde; 

Cópia de documento de identidade, cabendo ao responsável pelo recebimento da solicitação atestar a autenticidade de acordo com o documento original de identificação; 

Laudo para Solicitação, Avaliação e Autorização de Medicamentos do Componente Especializado da Assistência Farmacêutica (LME), adequadamente preenchido;

Prescrição médica devidamente preenchida;

Documentos exigidos nos Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas publicados na versão final pelo Ministério da Saúde, conforme a doença e o medicamento solicitado; 

Cópia do comprovante de residência.


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