Orgânicos, naturais e veganos Cosméticos alternativos para proteger o corpo Em todo o mundo, cresce movimento por substituição de produtos químicos que podem provocar danos à pele por opções naturais

Por: Alice de Souza - Diario de Pernambuco

Publicado em: 02/07/2018 18:51 Atualizado em: 02/07/2018 19:21

Crédito: Thalyta Tavares/Esp.DP (Crédito: Thalyta Tavares/Esp.DP)
Crédito: Thalyta Tavares/Esp.DP

Ao longo das 24 horas que compõem um dia, cada ser humano usa cerca de 10 cosméticos. Pastas de dente, sabonetes e hidratantes, considerados indispensáveis para a higiene de muitos, podem ser vilões para a saúde. Geralmente escolhidos por cheiro ou preferência de marca, mas quase nunca pela composição química, esses produtos costumam ser feitos a partir de substâncias que podem trazer danos ao organismo. Em função disso, começou a se fortalecer em vários países, incluindo o Brasil, um movimento pela substituição desses cosméticos por alternativas naturais, orgânicas e até veganas.

Estima-se que diariamente os seres humanos sejam expostos a pelo menos 160 substâncias ao usar os cosméticos, das quais um terço traria algum risco à saúde associado. Em 2004, surgiu nos Estados Unidos uma campanha pela produção segura desse tipo de produto, a reboque de uma decisão da União Europeia. Em 2003, o bloco proibiu a presença de 1,1 mil substâncias químicas que vinham sendo usadas na produção de cosméticos. O principal alvo da época era o parabeno, química presente em shampoos, sabonetes e desodorantes, associada por alguns estudos à incidência de câncer de mama.

“A nossa pele já tem um filtro de bactérias que age evitando infecções de diversos tipos. No caso do parabeno em alto nível, que tem ação conservante, ele compromete essa microbiota e pode levar a alergias, irritações e inflamações”, explicou a farmacêutica e professora de cosmetologia e estética Mariana Pedrosa. Segundo ela, para pessoas que têm sensibilidade na pele, dermatite atópica e psoríase, os riscos são maiores. Entretanto, na população em geral, essa química pode levar ao envelhecimento precoce da pele, por aumentar a geração de radicais livres.

Em função desses riscos, a procura por cosméticos menos danosos aumenta em todo o mundo. No Brasil, o movimento começou a ganhar força há cerca de dois anos, com o surgimento de companhias dedicadas à fabricação de produtos naturais, orgânicos, veganos e crueltyfree. Cada um atende a uma especificação técnica, mas em geral são cosméticos que levam no DNA a consciência e preservação do meio ambiente. 

Os naturais são aqueles que contêm alguma substância natural em sua composição. Os veganos não podem conter nada de origem animal. Os orgânicos devem ter composto vegetal certificado, de acordo com produção e processo de extração. Essas nomenclaturas são definidas segundo certificadoras nacionais e internacionais, o IBD e a Ecocert. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ainda não legislou sobre o setor.

Onde encontrar cosméticos veganos, naturais e orgânicos no Recife

Empório Greencare
Rua João Tude de Melo, 77 – Parnamirim
Horário de funcionamento: das 9h às 18h (sábados – das 9h às 13h)
Instagram: @greencare.emporio

Loja Vegaria
Rua Barão de Souza Leão, 221 – Boa Viagem
Horário de funcionamento: das 9h às 19h (sábado – das 9h às 15h)
Instagram: @lojavegaria

Me Poupe! Loja Colaborativa
Rua Conselheiro Portela, 417 – Espinheiro
Horário de funcionamento: das 10h às 19h (sábado – 10h às 16h)
Instagram: @mepoupe.lojacolaborativa

Comedoria e loja colaborativa Vegan
Cinema São Luiz – Bloco C – sala 302 – Boa Vista
Horário de funcionamento: das 11h40 às 17h (Com ecoentrega via whatsapp ou instagram)
Instagram: @vegostices

Um mercado voltado a iniciados
Crédito: Thalyta Tavares/Esp.DP (Thalyta Tavares/Esp.DP)
Crédito: Thalyta Tavares/Esp.DP

O principal público-alvo desse mercado são pessoas que, de alguma forma, já iniciaram uma transição por uma vida mais sustentável. A nutricionista Priscilla Santos, 30 anos, começou a procurar desodorantes naturais há cerca de três anos, quando já vinha estudando sobre vegetarianismo. “Encontrei informações de que o alumínio estaria ligado ao câncer de mama e era uma substância muito presente nos desodorantes. Então resolvi buscar alternativas e acabei aderindo também a batons e hidratantes naturais”, conta.

Segundo Priscilla, o período de transição não foi fácil. Naquela época, a maioria dos produtos vinha pela internet, então nem sempre dava para testar. “No começo, você sente uma diferença, já que no desodorante convencional o alumínio ajuda a interromper a transpiração. O hidratante também tem uma consistência diferente. Mas é tudo questão de costume”, conta. Para Priscilla, o benefício agregado prevaleceu diante de qualquer estranhamento. 

Uma assadura no filho foi o pontapé da nutricionista Flávia Hanusch, 33, nesse universo. Ela, que já era vegetariana, só encontrou solução para o problema em uma pomada natural, depois de duas semanas tentando outros tipos de cremes. Além de aderir ao uso, Flávia abriu uma loja dedicada à venda desse segmento, a Empório Greencare. “Até um esfoliante ‘normal’ que a gente usa tem microplástico, que vai parar no meio ambiente”, ressalta. O maior público do negócio é de pessoas entre 25 e 35 anos, e que já mantêm um consumo consciente. 

A maior procura é por maquiagens e desodorantes. O mesmo acontece na Comedoria e Loja Colaborativa Vegan e na Me Poupe! Loja Colaborativa, outras lojas do Recife que vendem esse tipo de produto. “Em geral, o público é vegano. Mas a procura já atinge outras pessoas também”, diz Kamila Alves, da Me Poupe!. “Quanto mais as pessoas usam, mais indicam a amigos e familiares”, explica Nath Saints, da Vegan.

A pesquisa A percepção dos consumidores brasileiros sobre cosméticos sustentáveis, realizada pela Use Orgânico, mostra que 64% das pessoas também têm essa mesma percepção de Priscilla. O estudo mostrou ainda que 48% dos entrevistados se sentem atraídos por um produto que tem na fórmula ingredientes naturais, enquanto 21% dão mais valor a itens de beleza com menos aditivos químicos. Há, pelo menos, três marcas pernambucanas, nove nacionais e quatro internacionais. 

“O que a gente indica, sempre, é que as pessoas leiam os rótulos para fazer um consumo com consciência”, conclui Flávia Hanusch.

Entenda
Crédito: Thalyta Tavares/Esp.DP (Crédito: Thalyta Tavares/Esp.DP)
Crédito: Thalyta Tavares/Esp.DP

Cosméticos naturais
Podem ter, no mínimo 95%, do conteúdo total de matérias-primas naturais. Os outros 5% podem ser constituídos por substâncias sintéticas não proibidas para cosméticos naturais. 

Cosméticos orgânicos
Os cosméticos orgânicos devem possuir, no mínimo, 95% de matérias-primas certificadas como orgânicas. Os 5% restantes podem ser compostos por água e por outras matérias-primas naturais. Os cosméticos feitos com matérias-primas orgânicas devem possuir, no mínimo, 70% e, no máximo, 95% matérias-primas certificadas como orgânicas. 

Cosméticos veganos
São produtos que não utilizam matérias-primas de origem animal, como cera de abelha, leite ou banha, mas que podem conter ingredientes sintéticos. 

Cruelty free
Difere dos produtos veganos. Pode até conter produtos de origem animal, a questão que pesa na certificação é não ter sido testado em animais e não ter gerado qualquer sofrimento de qualquer bicho em seu processo de confecção.
 


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