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Saúde Realidade virtual pode reduzir paranoia em psicóticos Exercícios com essa tecnologia tornaram as relações sociais dos sujeitos menos tensas

Por: AE

Publicado em: 09/02/2018 09:47 Atualizado em:

Mais testes são necessários para confirmar os benefícios a longo prazo desse tipo de tecnologia. Foto: RODGER BOSCH/AFP
Mais testes são necessários para confirmar os benefícios a longo prazo desse tipo de tecnologia. Foto: RODGER BOSCH/AFP
Uma terapia que combina realidade virtual com tratamentos tradicionais pode reduzir a paranoia e a ansiedade em pessoas com transtornos psicóticos, informaram cientistas nesta sexta-feira (9).

De acordo com testes clínicos realizados em 116 pacientes na Holanda, os exercícios com tecnologia de realidade virtual tornaram as relações sociais dos sujeitos menos tensas, escreveram os cientistas na revista The Lancet Psychiatry. Mais testes são necessários para confirmar os benefícios a longo prazo desse tipo de tecnologia, que simula estar em uma realidade cheia de outros avatares virtuais.

Até 90% dos pacientes com psicoses têm pensamentos paranoicos, o que os leva a perceber ameaças onde não há nenhuma. Como resultado, muitos pacientes evitam lugares públicos e contato com pessoas, passando muito tempo sozinhos.

A terapia cognitivo-comportamental (CBT) em que os pacientes recebem ajuda para superar problemas que parecem esmagadores, ajudam a reduzir a ansiedade, mas fazem pouco para controlar a paranoia. Um grupo de cientistas liderado por Roos Pot-Kolder, especialista da VU University da Holanda, ampliou o uso desse método para um ambiente virtual.

Para o teste, os 116 participantes receberam um tratamento tradicional, com medicação antipsicótica e consultas com o psiquiatra, mas apenas metade deles também praticou interações sociais em um ambiente virtual. O tratamento consistiu em 16 sessões de uma hora de duração, num período de entre oito a 12 semanas. Os pacientes foram expostos, através de avatares virtuais a situações sociais que provocariam medo e paranoia em quatro cenários: a rua, o ônibus, o café e o supermercado.

Os terapeutas podiam alterar a quantidade de avatares, sua aparência e se as respostas já registradas para o paciente eram neutras ou hostis. Os especialistas também aconselhavam os participantes, ajudando-os a explorar e testar seus próprios sentimentos em diferentes situações. Os participantes foram avaliados no início do teste, três meses e seis meses depois.

O estudo revelou que a exposição à realidade virtual não aumentou o tempo que os participantes passaram com outras pessoas, mas sim a qualidade das interações. "A adição da realidade virtual aos tratamentos tradicionais reduziu os sentimentos paranóicos e o uso de comportamentos ansiosos em situações sociais, em comparação com a terapia padrão sozinha", declarou a autora principal, Roos Pot-Kolder. "Com o desenvolvimento da realidade virtual e da tecnologia móvel, a gama de ferramentas disponíveis para a psicoterapia se expande", disse Kristiina Kompus, da Universidade de Bergen.


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