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aTIVIDADE Pesquisa aponta que exercícios físicos trazem benefícios na idade avançada A prática de exercícios físicos gera benefícios independentemente da idade. Por volta dos 50 anos, ameniza a rigidez arterial. Depois dos 70, reduz o risco de morte em até 70%

Por: Paloma Oliveto - Correio Braziliense

Publicado em: 22/01/2018 07:27 Atualizado em:

Aos 67 anos, Nely Rocha perdeu as contas de quantas meias maratonas participou: a primeira corrida de rua foi em 2005. Foto: Arthur Menescal/Esp CB
Aos 67 anos, Nely Rocha perdeu as contas de quantas meias maratonas participou: a primeira corrida de rua foi em 2005. Foto: Arthur Menescal/Esp CB


Nas listinhas de resolução para o ano-novo, praticar uma atividade física é, praticamente, item obrigatório. Nem sempre, porém, a promessa sai do papel. Ou, muitas vezes, é cumprida por menos tempo que a duração do plano fechado com a academia. Mas essa não deveria ser uma meta negociável, alertam as evidências científicas. Principalmente em um mundo em que a expectativa de vida está em curva ascendente, pesquisas recentes mostram que exercitar o corpo pode evitar ou retardar declínios cognitivos, físicos e mentais.

Mesmo quem passou boa parte da vida sedentário tem tempo de reverter os maus hábitos e, com um estilo mais ativo, reduzir riscos de doenças cardiovasculares, as que mais matam no mundo e no Brasil. No mês passado, um estudo publicado na revista Circulation, da Associação Americana do Coração, mostrou que pessoas com idade entre 45 e 64 anos incluídas em um programa de exercícios aeróbicos supervisionados tiveram melhoras na oxigenação do corpo e apresentaram rigidez arterial (um marcador para falência cardíaca) duas vezes menor do que aquelas com o mesmo perfil etário que fizeram atividades menos vigorosas.

O estudo acompanhou, ao longo de dois anos, 53 adultos saudáveis, porém pouco ativos, divididos aleatoriamente em dois grupos: um participou de sessões de ioga, equilíbrio ou manejo do peso, enquanto o outro foi inserido em um programa de atividades aeróbicas regulares de média a alta intensidades, de quatro a cinco vezes por semana. “Esse compromisso foi tão efetivo para prevenir o envelhecimento do coração dos sedentários quanto a prática de exercícios extremos por atletas de elite”, compara Benjamin D. Levine, principal autor do trabalho e pesquisador do Centro Médico da Universidade Sothwestern em Dallas, no Texas.

De acordo com o médico, as atividades praticadas pelos voluntários equivalem a sessões de uma hora de caminhada, ciclismo, corrida, tênis e dança quatro vezes por semana, ou a um treino semanal de intensidade alta e intervalado com três de atividade moderada. Em todos os casos, é necessário um dia de dedicação aos exercícios de fortalecimento, como a musculação. “As pessoas deveriam fazer com que os exercícios fossem parte de sua rotina, assim como escovar os dentes. Essa é uma parte importante das metas para preservar a saúde”, observa. “Essa é minha prescrição para a vida, e esse estudo reforça os efeitos extraordinários (dos exercícios) na estrutura e no funcionamento do coração e dos vasos sanguíneos.”

Com uma “saúde de ferro”, a pensionista Nely Rocha de Figueiredo é prova que incluir exercícios regulares na rotina pode reverter condições desfavoráveis à saúde. Embora tivesse o hábito de fazer caminhadas, foi só depois de descobrir que estava com a pressão e o colesterol altos que ela passou a se comprometer com atividades mais vigorosas. Com o peso acima do ideal para a saúde cardiovascular, foi aconselhada pelo cardiologista a acelerar os passos. Primeiro, trotava. Quando percebeu, já estava correndo 8km, ida e volta.

Nem uma lesão no ombro fez Gabriella Gianna abandonar os exercícios: "Não paro não, é só se adequar". Foto: Minervino Junior/CB
Nem uma lesão no ombro fez Gabriella Gianna abandonar os exercícios: "Não paro não, é só se adequar". Foto: Minervino Junior/CB


“Em 2005, participei da minha primeira corrida de rua. Eram só 5km, fiquei tão cansada!”, recorda, achando graça. Com toda a razão. Afinal, hoje, Nely, 67 anos, tem no currículo uma maratona (42km) e incontáveis meias maratonas, a prova de que mais gosta. Ela treina individualmente com uma consultoria de corrida três vezes por semana e, aos domingos, participa das sessões coletivas. Além disso, faz musculação.

Em pouco tempo de prática, Nely viu resultados. Com a mudança na alimentação e os exercícios, não precisou de remédios. Atualmente, tem percentual de gordura de atleta. “Minha massa magra é de gente jovem. Minha saúde é ótima”, comemora a corredora, que coleciona medalhas e troféus. No ano passado, ganhou de aniversário uma viagem a Arraial do Cabo (RJ), onde participou de uma corrida de trilha, no meio do mato, cheia de obstáculos. Foram 14km. Nely terminou em primeiro lugar.

Média intensidade 
Mas nem é preciso ter a mesma agilidade de Nely para proteger a saúde. Mulheres mais velhas podem se beneficiar dos exercícios de média intensidade, como caminhadas rápidas, reduzindo significativamente os riscos de mortalidade por todas as causas, segundo outro estudo também publicado na revista da Academia Americana do Coração. Os pesquisadores basearam-se em dados de mais de 16,7 mil mulheres com em média 72 anos, acompanhadas por dois anos e meio. Quando acordadas, elas tinham de usar um aparelho que media o nível de atividade física com grande sensibilidade.

No decorrer do estudo, 207 participantes morreram. Os pesquisadores descobriram que aquelas que faziam atividade física de intensidade mais vigorosa, como caminhada rápida, tiveram risco entre 60% e 70% menor de morrer por qualquer causa. Atividades de baixa intensidade, como passear no shopping ou fazer serviço doméstico, não influenciaram no risco de morte. “Pessoas mais velhas podem não se adequar à corrida. Então, queríamos ver se um exercício de média intensidade poderia influenciar positivamente a saúde”, disse, em nota, o epidemiologista I-Min Lee, do Hospital Brigham de Boston, principal autor do estudo.

Analisando os resultados do estudo, o médico de família Howard Selinger, da Universidade de Quinnipiac, observa que todos, independentemente da idade, devem se esforçar para tentar ir além do que pensam que podem fazer. “Eu falo para meus pacientes fazerem o tanto de exercício que puderem”, diz, ressaltando que, para tanto, é preciso o aval de um médico.

Para a corretora Gabriella Gianna Mazza, nada é impeditivo para se exercitar. Nem as lesões que sofreu no ombro, na lombar e no joelho. “Não paro não, é só se adequar. Não há necessidade de parar. Tem gente que fala: ‘Ah, tenho problema no pé, não posso malhar’. Isso é desculpa furada”, aposta. No ano passado, três médicos disseram que ela teria de operar o ombro. “Não operei. Em menos de seis sessões de fisioterapia, voltei ao normal e fiquei ótima”, diz Gabriella, que sempre foi fã de atividade física e credita à prática regular o fato de não ter “pifado” quando era empresária e lidava com alto nível de estresse. Atualmente, ela faz pilates, alongamento, dança, spinning e musculação.

Pós-graduada em fisiologia do exercício e especialista em hérnia de disco, a professora de Gabriella reforça o que a aluna diz: quem sente dor tem um motivo a mais para se exercitar. “Quem tem hérnia de disco, por exemplo, não consegue fazer nada no ápice da dor. Mas, assim que começa a passar, precisa fortalecer a musculatura”, diz Renata Antunes de Rezende, que dá aulas na academia Bodytech. “Se não fizer, fica no ciclo vicioso de dor. O melhor remédio é a atividade física, para todas as idades. O exercício nos ajuda a envelhecer melhor”, afirma.


"As pessoas deveriam fazer com que os exercícios fossem parte de sua rotina, assim como escovar os dentes. Essa é uma parte importante das metas para preservar a saúde”
Benjamin D. Levine, pesquisador do Centro Médico da Universidade Sothwestern em Dallas


Mais longevos
Em dezembro passado, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou a tábua de mortalidade de 2016, segundo a qual a expectativa de vida média no país é de 75,8 anos, três meses e 11 dias a mais do que calculado em 2015. A tendência do aumento da longevidade é mundial, inclusive nos países em desenvolvimento. Segundo a Organização Mundial da Saúde, entre 2000 e 2015, a expectativa de vida aumentou cinco anos.




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