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Infância e tecnologia Feira investe em gadgets infantis em meio ao temor do vício em tecnologia A pergunta é se isso não leva as crianças a passarem ainda mais tempo em frente às telas.

Por: AFP - Agence France-Presse

Publicado em: 12/01/2018 20:44 Atualizado em:

Tablets, escovas de dentes de realidade aumentada, jogos educativos: os artigos para crianças tomam os corredores do salão eletrônico de Las Vegas, apesar das preocupações com os riscos de vício à tecnologia.

No CES, os mais jovens têm sua própria seção com produtos que, segundo os organizadores, são destinados a "permitir que as crianças do século XXI aprendam e joguem de forma mais inteligente".

Com seus tablets, a startup chinesa Dragon Touch mira nas crianças de "3 a 6 anos", explica o CEO Lei Guo. Com um desenho colorido, um lápis touch lúdico e aplicativos educativos, o dispositivo também tem uma interface para controle parental.

"Os pais podem limitar o tempo que seus filhos passam no tablet, por exemplo, 30 minutos por dia", disse o jovem empresário, que assegura que essa "é a preocupação número um dos pais".

"Não quero que meus filhos passem muito tempo na Internet, mas se proíbo o tablet eles choram, e não quero partir o coração deles", acrescentou, rindo.

Os fabricantes em geral têm um discurso muito bem amarrado. Sobram estudos sobre possíveis problemas do vício das crianças em redes sociais, tablets e smartphones, alertando sobre os riscos de que sofram ansiedade, depressão, obesidade, ou distúrbios do sono.

O debate ressurgiu no começo dessa semana com a carta de dois grandes acionistas da Apple, preocupados com os efeitos sobre a saúde mental do uso excessivo do iPhone, pedindo ao grupo um estudo sobre o vício dos mais jovens em seus smartphones.

- Exposição benéfica -

Em resposta, a Apple afirmou que sempre esteve "atenta às crianças" e que "tem trabalhado duro para criar produtos (...) que entretenham e eduquem as crianças enquanto ajudam os pais a protegê-las on-line" através de ferramentas de controle parental, entre outras.

A diretora de marketing da startup americana Pai Technology, Amy Braun, é pragmática frente a esses temores: "A tecnologia está aqui por enquanto e é importante expor nossos filhos à tecnologia, mas de maneira benéfica".

Com os "Pai Storybooks", por exemplo, um aplicativo permite transformar livros de contos infantis em universo de realidade virtual na tela de um tablet. "Trata-se de transformar o tempo que se passa em uma tela em tempo de leitura" por meio da tecnologia, diz.

"A pergunta não é 'tela ou não tela'", acrescenta.

Nos Estados Unidos, "41% das famílias tinham um dispositivo móvel em casa em 2011" frente a "95% atual", segundo a organização especializada Common Sense Media.

Com a Magik, a colorida escova de dentes para crianças de entre 6 e 12 anos da francesa Kolibree, a criança se vê na tela do smartphone enquanto escova os dentes.

"Graças à análise de imagens, o aplicativo detecta os movimentos de escovação", explica sua criadora Léonie Williamson.

A escovação se transforma em um jogo que utiliza a realidade aumentada: para ganhar pontos, a criança deve eliminar pequenos monstros na imagem e, à medida que faz isso, prova que está usando a escova corretamente.

"É preciso encontrar um equilíbrio", disse Ahren Hoffmann, chefe de "educação" da American Specialty Toy Retailing Association, uma associação de lojas de brinquedos independentes.

É importante "que as crianças saiam para se divertir, brinquem com os brinquedos tradicionais, jogos de tabuleiro, mas que também usem seus tablets e seus jogos tecnológicos, aprendam a administrar os códigos (de informática) e todas essas coisas que estão ao nosso redor hoje em dia", estima.


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