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Estudo Bactérias percebem ambiente como os humanos, revela pesquisa Para comprovar isso, pesquisadores colocaram às bactérias dentro de uma superfície pegajosa e as observaram com um microscópio

Por: Agência EFE - EFE

Publicado em: 17/08/2017 15:02 Atualizado em: 17/08/2017 15:11

Se nada tocava às bactérias, elas se mantinha "apagadas". Foto: Stefan Sauer/EFE
Se nada tocava às bactérias, elas se mantinha "apagadas". Foto: Stefan Sauer/EFE

As bactérias, assim como os seres humanos, sentem o ambiente, uma descoberta que pode levar ao desenvolvimento de melhores medicamentos contra infecções bacterianas, revelaram pesquisadores da Universidade do Colorado, em Boulder, nos Estados Unidos.

O achado, divulgado nesta quarta-feira e considerado como "a primeira observação documentada" do sentido do tato em bactérias individuais, é o resultado de um estudo realizado com bactérias Escherichia coli.

Segundo Giancarlo Bruni, do Departamento de Biologia Molecular, Celular e de Desenvolvimento da universidade, tanto bactérias quanto humanos utilizam pequenos impulsos elétricos gerados por íons cálcio para transmitir informação do ambiente em volta ao sistema nervoso e sensorial (ou seu equivalente bacteriano).

"Humanos e bactérias não somos tão diferentes", afirmou Bruni sobre a descoberta publicada na revista especializada "Proceedings of the National Academy of Sciences" e feita em conjunto com Joel Kralj, Andrew Weekley e Benjamin Dodd.

Os cientistas já sabiam que as bactérias reagem ao ambiente e se comportam de maneira distinta se, por exemplo, têm acesso ou não ao açúcar, ou se estão sobre uma superfície rígida ou macia, mas o novo estudo percebeu que as bactérias "sentem" o entorno.

Para comprovar isso, Bruni e os colegas colocaram às bactérias dentro de uma superfície pegajosa e as observaram com um microscópio. Se nada tocava às bactérias, elas se mantinha "apagadas". Quando eram tocadas ou empurradas, "acendiam", ou seja, emitiam uma tênue luz indicando estava usando eletricidade para transmitir informação.

"Acreditamos que o poderia estar acontecendo é que as bactérias usam esses sinais elétricos para modificar o seu estilo de vida", explicou o professor Kralj, que faz parte do Instituto BioFrontiers.

Isso significa que bactérias e humanos compartilham "uma ferramenta comum para sentir o ambiente circundante", e os sinais elétricos e as origens do sistema neuronal humano, a partir de uma perspectiva evolutiva, se remontariam a "milhares de milhões de anos", já que bactérias estão presentes entre os organismos mais antigos do planeta.

Mas também quer dizer que a "ferramenta comum" agora poderia ser usada contra as bactérias, já que é exatamente essa ferramenta a que faz com que certas bactérias sobrevivam aos antibióticos. Por isso, o passo seguinte do estudo, segundo os investigadores, será determinar de que maneira as bactérias usam os seus impulsos elétricos para infectar células humanas.

"Se bloqueamos a atividade elétrica da bactéria, talvez elas tenham menos chances de infectar, basicamente, porque não saberão onde estão e, portanto não saberão como agir", afirmou Kralj.


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