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Falsa proteção Marcas famosas de protetor solar facial não cumprem o prometido; veja quais Metade dos produtos para o rosto testados não teve o desempenho esperado, com proteção inferior a indicada na embalagem

Por: Estado de Minas

Publicado em: 28/11/2016 19:41 Atualizado em: 28/11/2016 19:47

Marcas famosas foram reprovadas em avaliação de qualidade. Foto: Kaboompics/Pixabay/Reprodução (Marcas famosas foram reprovadas em avaliação de qualidade. Foto: Kaboompics/Pixabay/Reprodução)
Marcas famosas foram reprovadas em avaliação de qualidade. Foto: Kaboompics/Pixabay/Reprodução

Os protetores solares custam caro e não entregam o que prometem. É o que revela um levantamento feito pela Proteste Associação de Consumidores divulgado nesta segunda-feira. Metade dos produtos para o rosto testados não teve o desempenho esperado, com proteção inferior a indicada na embalagem. A instituição ressalta que o consumidor é prejudicado, pois paga o preço proporcional ao Fator de Proteção Solar (quanto mais alto o FPS, mais caro), não tem acesso à informação correta e está menos protegido dos efeitos dos raios solares.
 
Das dez marcas levadas ao laboratório para testar a eficácia Sundown, L'Oreal, ROC, Sunmax e La Roche Posay não apresentaram o FPS que constam dos rótulos dos produtos. O La Roche Posay tinha 42% a menos do que o indicado de fator de proteção solar (FPS). A metodologia indicada na norma da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) permite uma variação de até 17% em relação ao que é informado na embalagem, mas os outros quatro produtos (Sundown, L'Oreal, ROC e Sunmax ) também tinham acima desse percentual.

Também foi avaliada a proteção UVA dos produtos, que desde 2012 são obrigados a cumprir uma nova exigência da Anvisa: a legislação brasileira determina que, nos filtros solares, a proteção UVA deve ser um terço do FPS. Ou seja: um protetor com FPS 60 precisa ter proteção UVA igual a 20, no mínimo. O protetor da L'Oreal foi considerado ruim por apresentar 26% do FPS rotulado ao invés dos 33% exigidos para UVA.
 
Problemas recorrentes
Foi a quarta vez que a Proteste  fez teste com protetores solares (agora na versão para o rosto) tendo persistido o problema de discrepância entre o indicado nos rótulos e o que o laboratório constata de proteção oferecida. A associação solicita uma fiscalização mais adequada dos produtos comercializados para evitar estes  reiterados descumprimentos.
 
Preocupada com os resultados do teste, a associação solicitou aos fabricantes dos produtos com FPS inferior ao indicado que corrijam a informação nos rótulos dos protetores solares. Também pediu à Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), do Ministério da Justiça, que obrigue os fabricantes a fazer um recall desses protetores. Os fabricantes teriam que comunicar a quem os adquiriram, que o FPS é inferior ao informado no rótulo.
 
A Proteste orienta que o protetor solar faça parte do dia-a-dia, basta escolher os produtos adequados, pois além de proteger contra o envelhecimento precoce da pele, colabora para a prevenção de manchas e marcas de expressão causadas pela exposição excessiva ao sol, além de problemas mais sérios como o câncer de pele, que corresponde a 30% dos tumores malignos registrados no Brasil.

Testes "não reconhecidos"
A Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (ABIHPEC) questionou os dados divulgados pela Proteste relativos à eficácia dos protetores solares. Segundo a ABIHPEC, os testes realizados não são reconhecidos na comunidade científica internacional e apresentam "resultados altamente questionáveis". 

"Apesar de mencionar na presente comunicação ter seguido as metodologias requeridas pela Anvisa, a Proteste continua não informando o laboratório que realizou a análise e não fornece os detalhamentos necessários que asseguram as condições em que foram feitos os testes", questionou a associação, por meio de nota.
 
A ABIHPEC também frisou que a indústrias de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos são reguladas pela Anvisa, que exige a comprovação da eficácia e segurança dos protetores solares via métodos validados internacionalmente. 

Por meio de nota, a marca L'oreál também refutou os testes da Proteste. "Ao contrário da Proteste, a L'oreál apresenta, com total transparência, as análises feitas por laboratórios independentes e de reconhecimento mundial", explicou. Segundo a marca, os testes dos produtos Anthelios XL FLuide FPS 70 (La Roche-Posay) e Solar Expertise Invisilight FPS 50 (L'oreál Paris), foram feitos nos laboratórios Dermscan, IEC France e Poland Dermscan, e apresentaram resultados divergentes dos informados pela Proteste, sendo, portanto, seguros e eficientes.
 
A Johnson & Johnson Consumo, detentora das marcas Sundown ® e ROC®, afirma que as marcas oferecem o FPS declarado em suas embalagens, seguem a legislação nacional e são aprovados pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

Segundo a marca os produtos da linha Sundown® , assim como os da ROC ® , além de serem testados e aprovados pela Anvisa, também são validados por metodologias utilizadas por órgãos internacionais, como o FDA (Food and Drug Administration, dos Estados Unidos) e a CCE (Comunidade Comum Europeia).

Em resposta ao teste realizado pela ProTeste (Associação Brasileira de Defesa do Consumidor), o fabricante informou que não teve acesso a informações específicas sobre a metodologia, o que impede uma análise concreta e fidedigna dos resultados. 


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