• Compartilhar no Facebook Compartilhar no Twitter Compartilhar no Google Plus Enviar por whatsapp Enviar por e-mail Mais
Cérebro Especialistas explicam a dislexia Segundo a Associação Brasileira de Dislexia, o distúrbio já havia atingido 17% da população mundial até o ano de 2014

Por: Diario de Pernambuco

Publicado em: 25/10/2016 16:00 Atualizado em: 25/10/2016 16:21

Foto: Reprodução/Internet
Foto: Reprodução/Internet
Dificuldade em aprender a ler, escrever e compreender textos. Esses são alguns dos sintomas da dislexia. O portador desse transtorno pode apresentar diferentes graus, indo desde problemas para identificar palavras a dificuldades em escrever, ler e entender o que está sendo apresentado. Apesar disso, um tratamento adequado torna possível a convivência com o distúrbio. O exemplo mais famoso de pessoa disléxica é a escritora Agatha Christie, cujos livros passam de geração a geração.
                               
Segundo a Associação Brasileira de Dislexia, o distúrbio já havia atingido 17% da população mundial até o ano de 2014. A causa ainda é desconhecida. No entanto, acredita-se que o distúrbio atue em alguns pontos do cérebro: Área de Broca (responsável pelo processamento da linguagem, produção da fala e compreensão), Corte x Auditivo Primário (área excitada por sons de alta e baixa frequência), Giro Supramarginal (compreensão da palavra falada, ações e metáforas), Giro Angular (colinguagem, resgate de memória, atenção e cognição espacial) e Área de Wenicke (região que lida com o conhecimento, interpretação e associação das informações).

Entre os primeiros sintomas apresentados pelos portadores de dislexia estão a demora para começar a falar, a dificuldade em formar frases, o atraso para aprender a ler, a troca de ordem das palavras em frases, a mudança de sons na fala e dificuldades para entender e escutar.

Palavras dos especialistas
A dislexia tem sintomas semelhantes a outros distúrbios. Por isso, para identificá-la é necessária uma avaliação conjunta envolvendo profissionais das áreas da neurologia, psicologia, psicopedagogia e fonoaudiologia.

De acordo com o neurologista Lucas Alves, a avaliação para identificar o grau da dislexia inicialmente é feita através da aplicação de um questionário. Depois do resultado, deverão ser determinados o tempo e as diretrizes do tratamento.

"Quando é um caso mais leve, onde o paciente consegue ter notas razoáveis, solucionar alguns problemas matemáticos e interpretar textos um pouco mais longos, a estimativa é de que os primeiros sinais de melhora sejam alcançados em até quatro meses. Já os mais graves, onde o aluno não consegue compreender enunciados simples, a evolução começa a ser apresentada em, até, um ano", comenta o neurologista em nota. O médico explica, ainda, que "a intervenção é similar a uma terapia, onde o disléxico aprenderá dicas de interpretação e resolução de problemas".

Inicialmente, não há necessidade de medicamentos. "Apenas em casos em que existem outros fatores envolvidos é preciso usar medicação, como, por exemplo, transtorno de atenção e problemas comportamentais", explica a neuropsicopedagoga da Tutores Educação Multidisciplinar Andréia Pereira em comunicado. Não há uma terapia exclusiva para todos os disléxicos, reforça.

Por sua vez, a especialista na área de educação Adelaide Sampaio defende que o apoio familiar é fundamental para que a criança não fique frustrada e continue motivada. "A motivação é muito importante para alunos disléxicos, pois, ao se sentirem limitados e inferiorizados, podem se revoltar e assumir uma atitude de negativismo. Por outro lado, quando há compreensão, eles ganham segurança e vontade de colaborar", comenta em nota.

Exemplo de superação

Língua estrangeira, geografia e história. Matérias essas que, por exigirem uma maior necessidade de leitura, estão entre as maiores dificuldades para quem possui esse problema. A funcionária pública Janine Luz, mãe de Tiago, 13 anos, conta que começou a desconfiar de dislexia no momento em que o filho fez 7 anos. "Nessa idade, ele passou por uma psicopedagoga que não conseguiu explicar o porquê de ele ainda não ser alfabetizado", revela.

Ela conta, ainda, que o filho só foi diagnosticado em 2010, ano em que passou a ser atendido por uma professora particular e uma psicopedagoga. "A partir de então descobrimos que, além da dislexia, Tiago também tem o Transtorno de Déficit de Atenção (TDAH)", comenta.

Hoje, seis anos após o início do tratamento, o estudante está com a autoestima melhorada, além de mostrar avanço em matérias nas quais apresentava bastante dificuldade. "Após começar a estudar na Tutores Educação Multidisciplinar ele conseguiu tirar nota nove em inglês. Depois desse resultado, Tiago ficou bastante animado e disposto a ir sempre em busca de grandes resultados", pontua a servidora pública.

Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.