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Pesquisa Macacos são mais hábeis do que se pensava, aponta estudo Os animais observados são macacos prego com menos de quatro quilos do Parque Nacional Serra da Capivara, no estado do Piauí

Por: AFP - Agence France-Presse

Publicado em: 19/10/2016 16:03 Atualizado em:

Quebrar pedras para produzir fragmentos cortantes não seria uma habilidade exclusiva dos nossos brilhantes ancestrais, segundo uma pesquisa publicada nesta quarta-feira na revista científica Nature, que revela que macacos estudados no Brasil também são capazes de fabricar tais objetos.

"Observamos o Sapajus libidinosus (macaco prego, nativo do nordeste e do centro do Brasil) quando quebra pedras deliberadamente e cria involuntariamente fragmentos que têm várias semelhanças com os produzidos pelos primeiros homínidos da idade da pedra", disse à AFP Tomos Proffitt, pesquisador da Universidade de Oxford.

Os animais observados são macacos prego com menos de quatro quilos do Parque Nacional Serra da Capivara, no estado do Piauí.

Já se sabia que a espécie utiliza essas ferramentas de pedra para romper nozes, do mesmo modo que fazem os chimpanzés.

No entanto, os pesquisadores encontraram um espetáculo ainda mais surpreendente: os primatas golpeavam reiteradamente uma pedra contra outra e produziam fragmentos cortantes.

Os macacos prego seriam capazes inclusive de escolher as pedras que vão usar em função da sua composição e forma, preferindo as arredondadas.

"Esta observação é importante, já que os arqueólogos sempre pensaram que a produção de fragmentos de pedra que apresentam rupturas em curva e bordas cortantes era uma exclusividade dos homínidos", explica Proffitt.

Diferentemente dos nossos ancestrais, porém, os primatas não controlam a utilização dos fragmentos obtidos. Desse modo, "é difícil compreender porquê os macacos talham as pedras assim", segundo os pesquisadores. Em outras palavras, o ato intencional dos homínidos é fortuito nos macacos, o que constitui uma grande diferença.

Graças a esta descoberta, os cientistas deverão reavaliar "o nível máximo de complexidade cognitiva e morfológica necessária para produzir esses fragmentos" de pedra, afirma Proffitt.

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