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Equilíbrio emocional Filosofias orientais buscam harmonizar corpo e mente A meditação e os mantras são apontados pelos líderes budista e Hare Krishna, Lama Padma Samten e Chandramukha Swami, respectivamente, como "antídoto" contra o mal-estar do desequilíbrio emocional

Por: Ana Luiza Machado - Diario de Pernambuco

Publicado em: 18/03/2015 16:02 Atualizado em: 18/03/2015 18:03

Com palestras cada vez mais concorridas, o Lama Padma Samten ensina: A flutuação da mente altera nossa disposição e nossa energia, que é modificada pelo que está ao nosso redor. Foto: CEBB/Divulgação
Com palestras cada vez mais concorridas, o Lama Padma Samten ensina: A flutuação da mente altera nossa disposição e nossa energia, que é modificada pelo que está ao nosso redor. Foto: CEBB/Divulgação

Na busca do equilíbrio emocional, algumas pessoas vão além do tratamento médico e procuram as religiões como suporte e alternativa para uma mudança de hábitos e de mentalidade. Alcançar o amadurecimento espiritual ajuda no entendimento das experiências pelas quais passamos e, por isto, algumas linhas da psicologia incentivam os pacientes a “buscar o sagrado”, paralelamente às terapias. A meditação e os mantras, por exemplo, são algumas práticas que podem auxiliar o indivíduo a se acalmar e a se perceber.

O Diario conversou com os líderes budista e Hare Krishina no Brasil, Lama Padma Samten e Chandramukha Swami, respectivamente, sobre como suas religiões lidam com a busca do equilíbrio emocional. Para eles, aprender a controlar a mente é a solução para evitar descontroles, rompantes e dor. Através de uma metáfora, Chandramukha explica que o nosso corpo é como uma carruagem puxada por cinco cavalos, que são os nossos cinco sentidos; a mente é representada pelas rédeas; o condutor é a nossa inteligência e o nosso eu verdadeiro é o passageiro da carruagem. “A verdadeira espiritualidade acontece quando assumimos as rédeas e alinhamos os cavalos”, diz Chandramukha.

O líder budista Lama Padma explica que o nosso ânimo está ligado à nossa mente que, por sua vez, é alterada pelos nossos órgãos sensoriais. “A flutuação da mente altera nossa disposição e nossa energia. Esta última também é modificada pelo que está ao nosso redor.” Na prática é comum algumas pessoas sentirem um desânimo durante e depois de passarem por momentos difíceis. Ele explica que é como se a nossa energia fosse sugada, provavelmente porque alimentamos algumas das emoções perturbadoras que temos. O Lama Padma fala em seis pares de emoções: orgulho/inveja; desejo/apego e insensibilidade; carência e raiva/medo.

Chandramukha Swami, líder Hare Krishina, diz que reclamar de tudo não faz bem nem interna nem externamente. "O antídoto para este mal é a celebração". FOTO: Facebook/Reproducao da Internet
Chandramukha Swami, líder Hare Krishina, diz que reclamar de tudo não faz bem nem interna nem externamente. "O antídoto para este mal é a celebração". FOTO: Facebook/Reproducao da Internet

Um caminho apontado por Chandramukha Swami é o canto de mantras que, segundo ele, tem o poder de penetrar a mente e remover “as poeiras” eventualmente ali alojadas. Ele entende que a saturação de informações a que temos acesso promove a agitação mental que nos faz seguir o que nossas mentes sugerem, “e isso, muitas vezes, significa apenas pôr lenha na fogueira”. Chandramukha afirma que é preciso encontrar prazeres mais internos, mergulhar mais profundamente em nós mesmos. “A maior doença da atualidade é a lamentação. As pessoas reclamam de absolutamente tudo e isto não faz bem nem interna nem externamente”, comenta. O antídoto para este mal, diz, é a celebração, “e o cantar do mantra se associa à felicidade”.

O líder budista Lama Padma Samten acredita que estar conectado todo o tempo, com tudo e com todos, aumenta o estresse e nos faz perder a paciência com mais facilidade. “Essa cultura da globalização vai cansar porque é o mesmo que correr numa esteira e não sair do lugar. O sofrimento, a vida acelerada e aflitiva nunca se resolvem e nos dão a impressão de que nada está bom. A meditação pode ajudar, mas não vejo muitas pessoas buscando a tranquilidade e sim a excitação”, afirma. Entre seus ensinamentos, a necessidade de não sermos reféns das emoções que nos perturbam, deixando que as boas emoções ganhem mais espaço nos nossos pensamentos.

A professora Regina Buccini descobriu o que se passava com ela e com o mundo ao seu redor no silêncio da metitação. Ela conta que, diariamente, reserva 30 minutos para meditar, respirar e calar a mente. “Desde que comecei, há seis anos, gerei mais estabilidade nas situações da vida. Ficar em silêncio é difícil, não estamos acostumados, mas depois que nos adaptamos, acaba fazendo muito bem. Apesar de, com a prática da meditação, ter me identificado com a filosofia budista, não acho que obrigatoriamente tem que ter uma conexão religiosa, porque meditação é uma prática humana”, argumenta.

Levada constantemente a situações de estresse por causa da profissão, a bancária Áurea Cristina Souza, praticante do movimento Hare Krishina, encontrou no cantar dos mantras o caminho para o equilíbrio. Há 18 anos. Ela confessa, no entanto, que nem sempre foi fácil. O perfeccionismo de querer escolher o momento certo para entoar os mantras, não chegava e o dia passava sem que a prática fosse realizada. Um erro, acredita, que a tirou da antiga sintonia e a fez voltar a sentir-se inquieta e depressiva. “A nossa rotina de muitos afazeres acaba sufocando a prática mântrica. A mente sempre arranja desculpa para não parar, mas temos que aprender a não ser refém dela e separar um momento para cantar individualmente (Japa) ou coletivamente (Sankirtana)”, sugere.



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