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Em busca do equilíbrio emocional Como aprender a lidar com as emoções Encarar os momentos de crise com tranquilidade e inteligência não é tarefa das mais simples, mas a psicologia e a fé podem ajudar a quem não costuma recusar ajuda

Por: Ana Luiza Machado - Diario de Pernambuco

Publicado em: 18/03/2015 16:02 Atualizado em: 18/03/2015 16:13

"A forma como eu me percebo em relação ao mundo pode gerar pensamentos distorcidos, e estes geram emoções negativas que certamente afetarão negativamente o equilíbrio emocional que é necessário para construirmos relacionamentos saudáveis", Monike Gouveia, psicóloga. Ilustração: Samuca/DP/D.A Press
"A forma como eu me percebo em relação ao mundo pode gerar pensamentos distorcidos, e estes geram emoções negativas que certamente afetarão negativamente o equilíbrio emocional que é necessário para construirmos relacionamentos saudáveis", Monike Gouveia, psicóloga. Ilustração: Samuca/DP/D.A Press

O que fazer para alcançar o equilíbrio emocional? De que forma a psicologia e as religiões podem ajudar nesta busca? Segundo a Organização Mundial de Saúde, dados de 2013, mais de 350 milhões de pessoas no mundo têm depressão. E as perspectivas para o futuro não são boas. A OMS acredita que até 2030, o número de depressivos será maior do que o de portadores de doenças como o câncer e a Aids. A maneira como encaramos a vida, a visão que temos das coisas e a forma como reagimos em momentos de crise podem dar boas pistas sobre o nosso estado emocional.

O caminho do equilíbrio passa necessariamente pelo "espelho". De que forma você tem reagido aos acontecimentos da sua vida? Como tem lidado com as suas emoções? O que tem feito para evitar desentendimentos quando sente que está prestes a explodir com alguém ou quando uma situação está difícil demais de suportar? Como procura se acalmar? Entrevistados pelo Diario, psicólogas e religiosos foram unânimes em declarar que o primeiro passo para lidar com as emoções é o autoconhecimento. Para eles, é impossível ter o domínio do que sentimos se não entendemos os nossos limites e as razões pelas quais “saímos do eixo”.

Especialista em psicologia transpessoal, Fabiana Padilha acredita que as pessoas costumam se distanciar do que sentem como mecanismo de defesa para corresponder às expectativas de alguém, delas mesmas ou da própria sociedade. “Se quisermos ter o controle de uma máquina, é preciso, primeiro, conhecê-la”, comenta Fabiana. Ela cita como exemplo alguém que está insatisfeito no trabalho, mas não sabe como sobreviver financeiramente. “Isso faz com que ela ignore o que sente e se distancie de si mesma. É como usar máscaras quando alguém pergunta 'tudo bem?' e respondemos 'tudo ótimo', com o mundo desabando sobre nossas cabeças. Distanciar-se de si é tornar-se incompetente emocionalmente”, explica.

Já a psicóloga organizacional Monike Cordeiro Gouveia chama atenção para a “qualidade” dos nossos pensamentos. Segundo ela, são os pensamentos que geram as emoções e, por sua vez, as emoções geram reações ou comportamentos que expressamos em uma dada situação. “Precisamos entender como percebemos a vida e como nos relacionamos com ela, saber como os nossos padrões de pensamento estão se estruturando, para daí compreendermos as emoções que estes estão gerando”, ensina.

Para a psicóloga Fabiana Padilha, "distanciar-se de si é tornar-se incompetente emocionalmente". Monike Gouveia, também psicóloga, chama atenção para a "qualidade" dos nossos pensamentos. Segundo ela, são os pensamentos que geram as emoções e são estas que movem as nossas reações. Fotos: Arquivos pessoais
Para a psicóloga Fabiana Padilha, "distanciar-se de si é tornar-se incompetente emocionalmente". Monike Gouveia, também psicóloga, chama atenção para a "qualidade" dos nossos pensamentos. Segundo ela, são os pensamentos que geram as emoções e são estas que movem as nossas reações. Fotos: Arquivos pessoais

Nos atendimentos que faz, Monike conta que é comum escutar pacientes culpando os outros ou a própria vida pela falta de equilíbrio que sentem, pelas reações impulsivas e devastadoras que têm, quando, na verdade, precisam de um olhar mais atento ao seu mundo interior. “A forma como eu me percebo em relação ao mundo pode gerar pensamentos distorcidos, e estes geram emoções negativas que certamente afetarão negativamente o equilíbrio emocional que é necessário para construirmos relacionamentos saudáveis”.

A advogada trabalhista Flávia Lima tem experimentado os benefícios que a terapia promove na área emocional, mas confessa que é difícil. “Não é fácil deparar-se consigo mesmo. Você é levado a refletir sobre suas ações e nem todo mundo está disposto a isto. No início você se assusta, se inquieta, mas percebe que precisa encarar suas características, as coisas boas e ruins”. Flávia conta que aprendeu a conhecer melhor seus próprios limites, a saber até onde suportava uma situação. Antes, era a vida que a levava; hoje, garante, tem muito mais consciência das decisões que toma e das consequências das mesmas.

 



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