internet Especialistas alertam para os perigos do submundo da internet

Por: Marília Sena

Publicado em: 16/03/2019 10:01 Atualizado em:

Páginas na web, não acessíveis a todos os usuários, são usadas para ações ilegais. Foto: Philippe Huguen/AFP - 23/1/18
Páginas na web, não acessíveis a todos os usuários, são usadas para ações ilegais. Foto: Philippe Huguen/AFP - 23/1/18
A internet está na mira das investigações do Ministério Público de São Paulo e da Polícia Civil sobre o massacre em Suzano. Especialistas realizam perícias nos equipamentos apreendidos dos dois atiradores, Guilherme Taucci Monteiro e Luiz Henrique de Castro, e vasculham a rede mundial de computadores para saber se fóruns na deep web incitaram a barbárie.

A deep (funda) web, assim como a dark (obscura) web, são os outros lados da internet não acessíveis para todos os usuários. A deep é a que armazena dados restritos, como exames e dados bancários, por exemplo. Já a dark é usada para ações ilegais, como a compra de drogas ilícitas e de armamentos.

De acordo com Rafael Sousa, professor de engenharia de redes de comunicação da Universidade de Brasília (UnB), os acessos à deep web respondem por 92% de todo o universo virtual. Para ele, não se pode criminalizar totalmente a ferramenta, pois é apenas uma parte dela que caracteriza a dark web. Segundo explicou, o acesso ao lado sombrio é por meio do software Tor browser, um sistema instalado nos computadores.

O uso do Tor permite o acesso a sites diferentes daqueles que a maioria dos usuários está acostumada a conectar nos computadores domésticos. São páginas de grupos criminosos, conteúdos ilícitos e ofertas de produtos ilegais. De acordo com Sousa, a comunidade de segurança da informação, um setor policial que monitora as redes, pode detectar os crimes, mas, para isso, é preciso muita apuração e cuidado nas investigações. “Para averiguar, é necessário estar dentro do sistema e jogar o jogo”, disse.

O professor de ciências da computação Alex Avellar, do Centro Universitário Augusto Motta (Unisuam-RJ), alertou que alguns dos perigos no uso da deep web são baixar arquivo que tenha algum tipo de vírus muito danoso ou ser vítima de um crime que a polícia não pode investigar, pois o rastreamento no servidor da deep web é mais difícil que no browser, usado pelo usuário comum.

Prevenção
O cofundador da empresa Semantix, Leonardo Dias, afirmou que os departamentos policiais precisam se aprimorar nas investigações dos fóruns de infratores na internet obscura. “Os criminosos estão tomando conta. Já foi preso um líder dessas comunidades, mas outro ficou responsável, ou seja, é necessário que tenhamos uma abordagem preventiva”, frisou.

Frederico Meinberg, promotor da Unidade Especial de Proteção de Dados e Inteligência Artificial do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios, disse que a quantidade de crimes cometidos na deep web são 10 vezes maiores do que nos navegadores tradicionais.

De acordo com ele, um dos principais riscos é se deparar com conteúdos ilegais, como os de pedofilia. A Justiça brasileira, disse, trabalha na investigação desses fóruns, mas as ações são sigilosas. Porém, os usuários das páginas criminosas não devem ficar sossegados, pois há agentes nos fóruns ilegais. “Não ache que estará na deep web e não será punido. Uma pessoa pode estar planejando algo com um agente que investiga o crime.”

"Não ache que estará na deep web e não será punido. Uma pessoa pode estar planejando algo com um agente que investiga o crime”


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