Caso MARIELLE FRANCO Ativistas e políticos do DF homenageiam Marielle Franco e pedem justiça

Por: Correio Braziliense

Publicado em: 15/03/2019 08:08 Atualizado em:

Houve um ato na Praça Zumbi dos Palmares, seguido do lançamento de um livro, fruto da dissertação de mestrado de Marielle, e, por fim, uma solenidade na Câmara Legislativa do DF (CLDF). Foto: CB/D.A Press
Houve um ato na Praça Zumbi dos Palmares, seguido do lançamento de um livro, fruto da dissertação de mestrado de Marielle, e, por fim, uma solenidade na Câmara Legislativa do DF (CLDF). Foto: CB/D.A Press
O assassinato da vereadora do Rio de Janeiro, Marielle Franco, completou um ano nesta quinta-feira (14/3). Em homenagem à ativista, ocorreram manifestações em Brasília e no Brasil. Na capital, houve um ato na Praça Zumbi dos Palmares, seguido do lançamento de um livro, fruto da dissertação de mestrado de Marielle, e, por fim, uma solenidade na Câmara Legislativa do DF (CLDF).

Na Praça Zumbi dos Palmares, foram distribuídas 365 placas com os dizeres “Rua Marielle Franco”. O ato contou com performances, falas e apresentações musicais. Para Keka Bagno, da diretoria nacional do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), a placa tem o simbolismo de ressignificar o 14 de março. “Queremos que, para além da barbárie, esse dia signifique esperança e luta para todas as mulheres, principalmente as mulheres negras e LGBTs. A placa é um símbolo de resistência,” comenta. 

A professora Chantal Castelli completou 44 anos e resolveu passar o dia do seu aniversário homenageando Marielle: “Desde que ela foi assassinada, meu aniversário ficou marcado por isso. Quem se identifica com as lutas dela entende que isso foi obra de uma sociedade preconceituosa e que precisamos estar juntos nessa luta. Eu peguei a placa e pretendo deixar em lugar que seja visto por outras pessoas, para manter viva a memória de Marielle.”

O deputado distrital Fábio Félix, presidente da Comissão de Direitos Humanos da CLDF, cobrou respostas: “Hoje faz um ano de sua execução e nós temos respostas incompletas. A nossa pergunta é: quem mandou matar? Que interesses estão por trás? A gente quer uma resposta que dê conta do que foi essa tragédia para o país”.

Quanto a projetos futuros relacionados a Marielle, Félix afirma: “Temos o projeto da Praça na Estação Galeria que será discutido em audiência pública dia 1º de abril. Também temos outros projetos apresentados por Marielle que viraram lei no Rio de Janeiro e queremos trazer para a realidade do DF.”

Câmara
Às 17h, ocorreu um lançamento simbólico do livro “UPP: A redução da favela em três letras” na CLDF. O lançamento  já havia ocorrido em outros estados, como no Rio de Janeiro e Paraná. 

A professora Haydee Caruso abriu o lançamento contando sobre o livro, cujo enredo é a tese de mestrado da ativista carioca, e que, de acordo com ela, era “alguém que conhecia a vida empírica da favela.” Para Haydee, Marielle tinha como objetivo mudar o paradigma de associar a pobreza à violência e ao crime, no que afirmava que as UPPs deveriam ser chamadas de “Unidade de Política Pública.” 

Em seguida, a advogada Deise Benedito, especialista em gêneros e relações étnico-raciais, discursou na defesa dos ideais da vereadora executada. “Marielle lutou pela vida e pelo direito de existir. Nós somos a continuação dos sonhos dela,” ressaltou a advogada. O evento também contou com a presença da deputada Arlete Sampaio (PT-DF). A renda dos livros vendidos será revertida para ajudar a família de Marielle. 

No final do dia, ocorreu uma Sessão Solene na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), organizada pelo deputado Fábio Félix, que presidiu a mesa. Ele lembrou a noite em que Marielle foi executada. “Estávamos em reunião planejando o ano político do PSOL-DF, todos os presentes estavam muito animados, mas logo que chegou a notícia por um portal da internet, ficamos muito abalados”, contou. 

Félix classificou a Sessão como “a Sessão do coração”. Outros deputados da CLDF estiveram presentes, como Chico Vigilante (PT-DF), líderes da militância negra, do Movimento dos Trabalhadores sem Teto e a professora e pesquisadora do Departamento de Desigualdade e Democracia da Universidade de Brasília, Flavia Biroli. 

Nanã Matos, ex integrante do The Voice, também compareceu e cantou a música “samba dos ancestrais” em homenagem à vereadora. Todos questionaram “quem mandou matar Marielle?” e clamaram por justiça.


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