massacre em suzano Especialistas analisam possíveis motivações dos assassinos de Suzano

Por: Correio Braziliense

Publicado em: 14/03/2019 08:19 Atualizado em:

Especialistas analisam as motivações para atos violentos e destacam a necessidade de apoio psicológico a sobreviventes. Foto: AFP / NELSON ALMEIDA
Especialistas analisam as motivações para atos violentos e destacam a necessidade de apoio psicológico a sobreviventes. Foto: AFP / NELSON ALMEIDA
Barbaridades como a cometida ontem, em Suzano (SP), que resultou na morte de 10 pessoas, costumam ser provocadas por traumas, como bullying e até desigualdade social, segundo psicólogos. Além disso, influências virtuais podem funcionar como um gatilho para a prática de atos violentos.

Áderson Costa, professor do Instituto de Psicologia da Universidade de Brasília (UnB), enumerou algumas das motivações que podem impulsionar ações como as de Suzano, como religião e traumas na infância. “São razões que ultrapassam o limite da normalidade. É muito difícil apontar motivos que levam alguém a pegar uma arma ou utensílio de alta destruição sem conhecer a história de vida das pessoas em questão”, afirmou.

Do ponto de vista da segurança pública, casos como esse podem ser bem difíceis de se remediar. Para o consultor de segurança pública, coronel reformado da Polícia Militar de São Paulo José Vicente da Silva, uma tragédia ocorre devido a um conjunto de falhas. “Um dos papéis da segurança pública é monitorar o acesso a armas de fogo”, disse. “Quanto mais armas circulando, mesmo legalmente, elas acabam se tornando ilegais e caindo nas mãos de pessoas que tomam atitudes como essas”, criticou.

Silva argumentou que seria impossível armar trabalhadores que circulam em escolas. “São Paulo tem cerca de 20 mil escolas públicas. Imagina se cinco funcionários circulam com arma em cada escola. Isso corresponde a um efetivo maior do que a PM de São Paulo. E como treinar essas pessoas? Com tanta arma, bandidos e até alunos buscariam por elas”, argumentou.

Vítimas 
Para as vítimas e pessoas que estavam no momento de um ataque, o trauma fica para sempre. Segundo Áderson Costa, os impactados, provavelmente, desenvolverão estresse pós-traumático. “Transtornos que envolvem pânico em qualquer nível ficam impregnados no indivíduo durante muito tempo. Ele pode apresentar dificuldades em retornar ao ambiente em que aconteceu a situação, além de ser levado à instabilidade emocional. Isso pode gerar depressão extremamente grave”, ressaltou.

Para identificar os problemas que podem vir após esse tipo de evento, é necessário estar atento às ações comuns do dia a dia. “Qualquer comportamento que o indivíduo apresente diferente do normal, que ele perceba ou que outra pessoa note, pode ser um indício de trauma”, alertou Costa. De acordo com ele, nesses casos, a melhor opção é já procurar acompanhamento psicológico.

Para a pedagoga Jane Patrícia, é importante que existam profissionais disponíveis para escutar as crianças nas escolas antes e depois de casos como esse. “Tem de levar profissionais para conversar com essas crianças, com professores e funcionários. Eles precisam falar sobre isso. Esse trauma é para o resto da vida, e a gente não sabe como essas pessoas vão reagir. Às vezes, a resposta é a própria violência”, reforçou.


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