distrito federal Justiça converte em preventiva prisão de integrante de cartel mexicano

Por: Mariana Machado

Publicado em: 01/03/2019 08:35 Atualizado em:

O mexicano Lucio Rueda Bustos foi preso em Curitiba, em 2006 e, no ano seguinte, condenado pelo juiz Sérgio Moro. Foto: PCDF/Divulgação
O mexicano Lucio Rueda Bustos foi preso em Curitiba, em 2006 e, no ano seguinte, condenado pelo juiz Sérgio Moro. Foto: PCDF/Divulgação
A Justiça converteu em preventiva a prisão de Lucio Rueda Bustos, apontado como integrante da alta cúpula do Cartel de Juárez, um dos maiores do mundo em tráfico de drogas. Policiais civis prenderam o mexicano de 65 anos na tarde de segunda-feira, em um hotel de luxo da Asa Norte. Agentes da Divisão de Repressão a Sequestros (DRS) chegaram a ele por meio de uma denúncia anônima. O informante suspeitou de um grupo de seis homens (quatro brasileiros e dois mexicanos) que estavam esbanjando dinheiro em espécie e contratando garotas de programa na hospedaria.

Os investigadores encontraram joias e R$ 34 mil em espécie com o grupo. Nenhum deles soube explicar a origem do dinheiro. A maioria foi liberada, mas, como estava com uma identidade cancelada, Lucio Rueda foi preso em flagrante. Durante audiência de custódia na manhã de ontem, a juíza Lorena Alves Ocampos, da 2ª Vara Criminal de Brasília, decidiu mantê-lo preso.

Na decisão, ela argumentou haver indícios de que o acusado ainda possa ser líder do cartel mexicano. “O custodiado possui condenação definitiva por delito de lavagem de capitais. Em que pese já tenha cumprido sua pena, não se passaram cinco anos da extinção e ainda é considerado reincidente”, afirmou a juíza no termo da audiência. Por esses motivos, a concessão de liberdade provisória e a aplicação de medidas cautelares não são recomendáveis.

Segundo o delegado que coordenou a operação, Luiz Henrique Sampaio, apesar de não haver mandado de busca ou prisão contra o acusado, nem provas de que o dinheiro apreendido é ilegal, há outras suspeitas contra Lucio. “A conduta desse grupo é incomum e suspeita. Lucio não é mais procurado; então, o fato de ele usar uma identidade falsa indica que estava ocultando sua atividade”, observa Sampaio. “A gente vai iniciar uma investigação agora para identificar a ação desse grupo e que tipo de negócios ilícitos eles estavam fazendo no Distrito Federal”, concluiu Sampaio.

Ainda segundo o delegado, o preso não quis acionar as autoridades mexicanas. O Correio tentou contato com a embaixada do país, mas, até o fechamento desta edição, não obteve retorno.

Outras prisões
O cartel Juárez atingiu o apogeu nos anos 1990, quando traficava até 20 toneladas de cocaína entre o México e os Estados Unidos. Um dos principais líderes do grupo foi o mexicano Amado Carillo Fuentes, mais conhecido como O Senhor dos Céus.

Lucio Rueda Bustos foi preso pelas autoridades norte-americanas em 1980, mas acabou inocentado por falta de provas. No início dos anos 2000, veio para o Brasil onde começou a lavar o dinheiro adquirido no tráfico. Em 2006, foi preso na Operação Zapata e, no ano seguinte, condenado pelo juiz Sérgio Moro (atual ministro da Justiça), a 10 anos e seis meses de prisão. Bustos morava em Curitiba com a esposa, que também foi presa na época e condenada a quatro anos pelo mesmo crime. Na época, a Polícia Federal confiscou mais de 30 imóveis, cinco veículos e quase R$ 3 milhões.

Nome trocado
No Brasil, o mexicano apresentou certidões falsas e conseguiu expedir uma carteira de identidade com o nome Ernesto Plascência San Vicente. Quando ele foi preso em 2006, teve o documento cancelado. Contudo, segundo o delegado Sampaio, ele conseguiu esconder tanto a carteira de identidade como a de habilitação e, uma vez solto em 2017, voltou a usar o nome Ernesto.
 


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