Protesto Ato em memória às vítimas de Brumadinho tem toque de sirene em frente a prédio da Vale Centenas de pessoas vestidas de preto fazem ato em frente ao Memorial Vale, em BH, para protestar contra o rompimento da barragem da mina Córrego do Feijão

Por: Estado de Minas

Publicado em: 24/02/2019 14:12 Atualizado em: 24/02/2019 14:15

Manifestantes colocaram faixas com dizeres como "Vale assassina" em frente ao museu da mineradora, na Praça da Liberdade. Foto: Edésio Ferreira/EM/D.A Press.
Manifestantes colocaram faixas com dizeres como "Vale assassina" em frente ao museu da mineradora, na Praça da Liberdade. Foto: Edésio Ferreira/EM/D.A Press.
Amanhã faz um mês da tragédia de rompimento da barragem da mina do Córrego do Feijão, em Brumadinho, na Grande BH, e, neste domingo, centenas de pessoas estão reunidas na Praça da Liberdade, na Região Centro-Sul da capital, para um ato de reverência à memória das vítimas e também para não deixar que a catástrofe seja esquecida.

O local de realização não poderia ser mais oportuno: em frente do Memorial da Vale, uma vez que a estrutura rompida em Brumadinho pertencia à mineradora. Até agora, são 177 mortos e 133 desaparecidos sob a lama que vazou do empreendimento em 25 de janeiro, pouco depois do meio-dia.

O pedido dos organizadores era para os participantes comparecem vestidos de preto, e muitos seguiram à risca. Já no asfalto, foram espalhadas cruzes brancas, num efeito que deu o tom de sofrimento das famílias enlutadas de Brumadinho e de outros municípios e da solidariedade dos belo-horizontinos.

Ao meio-dia, houve momentos de silêncio em memória dos mortos e desaparecidos e, às 12h20, foi tocada uma sirene para denunciar o que deveria ter ocorrido no dia da tragédia que comoveu os brasileiros e ganhou grande destaque internacional.

Na escadaria do prédio, foi colocada a faixa Guernica das Águas, numa referência ao trágico episódio da guerra civil espanhola, e, pendurada na grade da frente, outra: somos todos atingidos, entre bonecos cobertos de lama e máscara chamando a mineradora Vale de "assassina".

O ato tem à frente o movimento Águas e Serras de Brumadinho, do qual faz parte a artista de dança Dudude Herrmann, uma das organizadoras de evento que ocorre sob sol forte. "Queremos um progresso inteligente e com planejamento. Tivemos um crime, uma tragédia, e isso não pode mais ocorrer em Minas. Estamos mostrando nossa indignação e honrando as vitimas, com um grito de paz e protesto. Ecologia humana já", disse Dudude.

Está prevista uma performance sob orientação da bailarina, coreógrafa e professora Dudude Herrmann, moradora de Casa Branca, em Brumadinho. A programação inclui também a leitura da poesia Lira Itabirana, de Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), acompanhada de violino.


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