Um mês Dona de casa que viajava no dia da tragédia fala do retorno a Brumadinho: 'desolação' A mulher conta que teve que encurtar a temporada da visita aos parentes no Norte de Minas. Ao retornar, constatou a grande destruição provocada em seu sítio

Por: Estado de Minas

Por: Luiz Ribeiro

Publicado em: 24/02/2019 14:07 Atualizado em: 24/02/2019 14:12

A moradora conta que o sitio era %u201Cum lugar lindo, que tinha muita água e ar puro%u201D. Foto: Agência Estado.
A moradora conta que o sitio era %u201Cum lugar lindo, que tinha muita água e ar puro%u201D. Foto: Agência Estado.
Um mês depois do rompimento da barragem B1 da Mina do Córrrego do Feijão, em Brumadinho, que será completado nesta segunda-feira (25), as centenas de moradores de  atingidos  pelo desastre sofrem com as perdas e ainda esperam por uma indenização. Um dos atingidos é a dona de casa Ilda Maia, dona de um sítio, que foi quase todo destruído pela lama de rejeitos que vazou da barragem da Vale.

Hilda tem uma história peculiar entre os atingidos pela tragédia. Ela viajou e deixou tudo tranquilo em casa e não imaginava o drama que encontraria na volta. No dia 25 de janeiro, a data que ocorreu o desastre,  visitava os familiares na localidade de Canabrava, na zona rural de Montes Claros (Norte  de Minas) e tomou conhecimento do rompimento da barragem da Vale pela televisão. “Ficamos desesperados, pois ficamos sabendo que a tinha acontecido em Brumadinho, onde a gente mora e tem um sítio”.
 
A mulher conta que teve que encurtar a temporada da visita aos parentes no Norte de Minas. Ao retornar a Brumadinho, constatou a grande destruição provocada em seu sítio. Situada em um  lugar mais alto, a casa de Hilda não foi afetada. Mas, tudo que ficava na parte baixa do sitio foi devastado pela lama, incluindo um pomar, uma área de plantio, a vegetação natural e um pequeno córrego de água limpa.

Hilda diz que não se conformou com o cenário de destruição que encontrou na volta. “Tive um sentimento de tristeza e desolação. Quando cheguei e avistei a lama, eu entrei em pânico. Muito triste. Chorei muito. Tive um sentimento que não tenho palavras para descrever. A gente não esperava tanta destruição”, relata a dona de casa.

A moradora conta que o sitio era “um lugar lindo, que tinha muita água e ar puro”. No sitio corria um pequeno córrego “de água clarinha” que encontrava o Córrego do Feijão. Nas proximidades  estão situados várias outras nascentes e cursos d'água que são afluentes do Rio Paraopeba. Tudo foi devastado pela lama.  “Era um lugar de sonho. Para mim, era o lugar ideal para se viver. Agora, é só tristeza”, lamenta Ilda. “Perdi tudo que existia ali. Não foi só o terreno, mas também a natureza e as coisas belas que  ali existiam. Sinto que perdi tudo”, reclama.

la afirma que sofreu um grande impacto emocional diante da devastação ambiental e das vidas que foram perdidas na tragédia de Brumadinho. “Perdi o direito de apreciar na natureza. Perdi as esperanças porque vidas foram levadas. A natureza foi parcialmente destruída onde a lama passou”.

Ela disse que dá graças a Deus pela manutenção de sua casa no sítio. Mas, por outro lado, cobra a indenização da Vale pelas perdas que sofreu durante a tragédia. “A gente espera que eles possam indenizar todos aqueles que tiveram seus terrenos invadidos pela lama. Que eles façam o que for melhor para cada um. Que cada morador receba aquilo que merece”, diz a mulher. “Infelizmente não tem dinheiro que vai pagar as perdas de vidas. Mas, elas poderiam ter sido evitadas”, protesta.



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