Mina do Feijão Vale deu remédio vencido para animais resgatados em Brumadinho, diz Ibama

Por: Simone Kafruni - Correio Braziliense

Por: Correio Braziliense

Publicado em: 14/02/2019 14:16 Atualizado em:

Foto: Gladyston Rodrigues/ Estado de Minas
Foto: Gladyston Rodrigues/ Estado de Minas
A Vale negligenciou o atendimento de índios do entorno de Brumadinho (MG) e dos animais resgatados da lama. A denúncia foi feita nesta quinta-feira (14) pela coordenadora de Emergências Ambientais do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Fernanda Pirillo, durante audiência na comissão externa da Câmara de Deputados para apurar o rompimento da barragem do Córrego do Feijão.

"Temos feito vistorias diversas nas áreas que a Vale está implementando para o recebimento de animais e temos verificado a validade de medicamentos. Por incrível que pareça, nos primeiros dias, a Vale tinha providenciado medicamentos vencidos", afirmou.

Indígenas desassistidos
Fernanda também disse que o Ibama está controlando de perto o que vem sendo feito com os indígenas de uma aldeia da etnia pataxó, nas proximidades de Brumadinho. "Eles estavam desassistidos. O Ibama chegou ao local, exigiu providências da empresa e solicitou a retirada dos peixes mortos que estavam na aldeia, com nove mulheres grávidas e um bebê recém-nascido. Os índios estavam tirando os peixes mortos com as mãos”, ressaltou.

Segundo a coordenadora, o Ibama está fazendo vistorias diárias. "Temos mais de 60 relatórios e estamos com uma média de 20 servidores por dia em campo", destacou. O órgão ambiental está redirecionando o resgate de fauna, em um trabalho integrado com o Ministério Público e órgãos ambientais estaduais. “Não só dos animais que foram impactados pela lama, como também dos que ficaram presos nas casas e nas instalações que foram abandonadas. E também daqueles que não haviam sido impactados, mas passaram a ser porque costumam buscar água nessas áreas e ficaram atolados”, acrescentou.

Ânimos exaltados
Presente na sessão, o presidente da Vale, Fabio Schvartsman, afirmou mais cedo que a empresa tomou medidas para intensificar a segurança de suas barragens. Para isso, contratou o órgão norte-americano de licenciamento US Army Corps of Engineers.

Após as apresentações dos integrantes da mesa da comissão, os deputados passaram a fazer perguntas para os membros da mesa, a maioria delas dirigidas a Schvartsman. Os ânimos ficaram bastante exaltados. Alguns parlamentares chamaram a empresa de "assassina" e outros lamentaram ter de encarar a "cara deslavada" do presidente da Vale, ao dizer que a companhia é uma joia brasileira. 


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