Crime 'Eu só pensava que ia morrer', diz menina de 13 anos estuprada por vizinho no DF

Por: Isa Stacciarin

Por: Correio Braziliense

Publicado em: 04/02/2019 15:00 Atualizado em:

A 6ª Delegacia de Polícia (Paranoá) investiga o caso: acusado autuado por duplo estupro de vulnerável, roubo e violação de domicílio. Foto: Adauto Cruz/CB/D.A Press
A 6ª Delegacia de Polícia (Paranoá) investiga o caso: acusado autuado por duplo estupro de vulnerável, roubo e violação de domicílio. Foto: Adauto Cruz/CB/D.A Press
“Por mais que eu tente esquecer, é uma coisa que vai ficar na minha mente pelo resto da vida.” O depoimento é de uma menina de 15 anos, estuprada, com a prima de 13, pelo vizinho. O acusado, de 27 anos, mora na rua da família da vítima mais nova, na área rural do Paranoá, conhecida como Café Sem Troco, no Distrito Federal. O abuso sexual ocorreu na madrugada. O suspeito armou-se com uma faca, invadiu a casa, rendeu as adolescentes que estavam sozinhas no mesmo quarto e as violentou. “Eu só pensava que ia morrer e que não ia ver mais a minha mãe”, contou a menina de 13.

O crime aconteceu por volta das 4h, logo depois que as adolescentes chegaram do bar da mãe de uma delas, a 700m de casa. A mulher trabalhava no sábado e, para não deixar a filha e a sobrinha sozinhas na residência, levou as duas para o comércio. Minutos antes de fechar, ela pediu que uma amiga deixasse as garotas em casa, de carro (leia Depoimento). O acusado bebia no local e, por morar na mesma rua e ser conhecido da família, pediu carona.

No endereço, as meninas desceram e entraram em casa. O jovem também desembarcou e seguiu para a casa dele, a pé. Mas, ao notar que elas estavam sozinhas, ele voltou, arrombou o portão, invadiu o imóvel com uma faca e ainda pegou um garfo na cozinha. “Ele entrou no quarto onde a gente estava e disse: ‘Bora, tira a roupa’. Enquanto estava com uma, ameaçava a outra com a faca no pescoço. Antes de sair, disse que, se ouvisse qualquer barulho, voltaria para nos matar”, contou a vítima de 15 anos.

Antes de fugir, o suspeito levou o celular da mais velha. Com o telefone da prima, porém, elas conseguiram avisar a mãe, dona do bar. Ela voltou correndo para casa. Quando soube do crime, a mulher e o marido, de 45 anos, acionaram a polícia. “Ele é vizinho da gente. Nunca esperávamos uma coisa dessa. Na rua, todo mundo ficou revoltado. Queriam entrar na casa dos pais, onde ele estava, e linchá-lo, mas eu não deixei. Disse que tínhamos chamado a polícia”, explicou o pedreiro, padrasto da menina de 13.

Por morar na mesma rua, o pedreiro conhece a família do estuprador. “Não tem nem o que falar de uma coisa dessas. É uma tristeza muito grande. Eu sempre fui muito correto com essas meninas. É doído demais”, lamentou. “O pai dele deu apoio, disse que podia chamar mesmo a polícia. Só pediu para não entrar na casa à força. Para mim, ele (acusado) só podia estar alucinado, sob efeito de alguma coisa”, acrescentou.

Faca e garfo
Uma equipe do 2º Batalhão da PM Rural atenderam a ocorrência. O soldado Welington Filho contou que o suspeito confessou estar drogado no momento do crime. “Ele disse que passou a noite cheirando cocaína e falou que, antes de invadir a casa onde as meninas estavam, consumiu a última porção”, contou. O militar explicou que, segundo relato das vítimas e do acusado, houve o estupro. “Ele constrangeu as meninas armado com uma faca e um garfo”, explicou.

Ao chegar à 6ª Delegacia de Polícia (Paranoá), agentes conduziram as vítimas até o Instituto de Medicina Legal (IML) para exame de corpo delito. Ontem à tarde, elas foram encaminhadas para uma unidade de saúde a fim de tomar coquetel anti-HIV e pílula do dia seguinte. Delegada-chefe da unidade, Jane Klebia autuou o homem por duplo estupro de vulnerável, cuja pena varia de 5 a 15 anos de prisão, além de roubo e violação de domicílio. “Em depoimento, ele confessou o crime, mas justificou ao dizer que estava sob efeito de cocaína”, ressaltou.

Depoimento
“Eu fui deixar as meninas em casa e, por ele morar perto, também pediu que eu o levasse. Quando chegamos, elas desceram, entraram na casa e trancaram o portão. Eu virei para ele (acusado) e disse: ‘Você não vai descer?’. Aí, ele se tocou, saiu e foi andando para a residência dele. No caminho, eu fiquei conversando mais com elas. Ele veio quieto, calado o percurso todo. Para mim, se ele não estivesse drogado, estava, pelo menos, embriagado. A gente sabe quem ele é, quem é a família. Nunca esperávamos uma coisa dessas. Estou chocada”. Amiga da família das vítimas, 32 anos.

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