brumadinho Sargento conta como ajudou a juntar mãe e filha após tragédia em Brumadinho

Por: Mateus Parreiras

Publicado em: 01/02/2019 07:49 Atualizado em:

O militar disse que o caso foi um dos mais emocionantes da sua carreira. Foto: Juarez Rodrigues/EM/D.A Press
O militar disse que o caso foi um dos mais emocionantes da sua carreira. Foto: Juarez Rodrigues/EM/D.A Press
Salvar uma vida da lama de rejeitos, num desastre de magnitude como a de Brumadinho, não é algo corriqueiro, principalmente em vista da grande quantidade de mortos. Mas um dos socorristas não apenas salvou uma pessoa que quase morreu, como ainda reuniu uma família das várias que foram dilaceradas pela tragédia. O sargento Sérgio Natalino, do Batalhão de Rádio Patrulhamento Aéreo da Polícia Militar de Belo Horizonte resgatou Alessandra Paulista de Souza, 42 anos, que depois se reencontrou com a filha Talita Cristina de Oliveira Souza, de 15. Outra filha, Laís de Souza, de 14, porém, continua desaparecida.

Na sexta-feira, dia do rompimento da Barragem de Córrego do Feijão, o sargento foi enviado ao local da tragédia a bordo de um helicóptero da Polícia Militar. Ao chegar, ele descreveu a situação como uma cena de guerra. “Fomos ajudar no resgate aos sobreviventes naquele primeiro momento. Quando chegamos, vimos tudo acabado, lama para todo lado. Os vilarejos e as casas sumiram, pontes caíram.”

Naquele dia, a aeronave embarcou dois bombeiros para serem lançados em campo. Foi então que a equipe avistou o que parecia ser um corpo no meio da lama. Os dois bombeiros desceram e o helicóptero teve de ficar pairando, pois o pouso na lama seria impossível.

Esperança 
Ao ver que os bombeiros faziam manobras de reanimação numa mulher, o sargento Natalino desembarcou e ajudou a trazê-la para dentro da aeronave. “A gente sempre acredita que as pessoas poderão sobreviver, por isso, quando vemos que há esperança, não desistimos. Nosso papel é procurar e ajudar sem parar”, disse.

O sargento conta que a mulher estava tão suja, com uma grossa camada de lama de rejeitos, que ele não conseguia enxergar direito o seu rosto. “Foi quando percebi que ela mexeu a perna, tentando me ajudar a embarcá-la. Nesse momento, vi que era uma pessoa que poderia sobreviver e me agarrei a isso. Pensei: ‘ela está viva, graças a Deus’”, lembrou.

Enquanto era levada para o hospital, a mulher disse que se chamava Alessandra tinha 43 anos, e havia duas filhas na casa: Talita, de 15 anos, e Laís, de 14 anos. O militar disse que o caso foi um dos mais emocionantes da sua carreira. “Não apenas salvamos mais uma vida, como ajudamos uma família a se reencontrar, numa tragédia que separou tantos pais dos filhos. Tenho uma filha pequena e só de pensar em ela estar desaparecida, longe de mim, é devastador”, afirmou.


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