brumadinho Acionistas pedem que CVM investigue se Vale foi negligente e omitiu informações

Por: Juliana Cipriani -

Publicado em: 30/01/2019 11:21 Atualizado em:

O rompimento da barragem em Brumadinho matou dezenas de pessoas. Foto: Juarez Rodrigues/EM/D.A Press
O rompimento da barragem em Brumadinho matou dezenas de pessoas. Foto: Juarez Rodrigues/EM/D.A Press
Um grupo de acionistas da Vale pediu, na manhã desta quarta-feira (30), a abertura de um inquérito administrativo contra a empresa na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para apurar a suposta omissão de informações sobre os riscos socioambientais dos seus empreendimentos. As denúncias foram encaminhadas em razão do rompimento da barragem em Brumadinho na última sexta-feira, que matou dezenas de pessoas e deixou, até o momento, centenas de desaparecidos.

Segundo os acionistas, a Vale descumpriu o dever de prestar informações ao mercado. A denúncia fala especificamente do Córrego do Feijão, do Fundão em Mariana, e cita barragens no Pará e no Maranhão. 

“O exemplo mais contundente desta gestão atrapalhada relaciona-se ao rompimento da barragem de Fundão, operada pela Samarco, que é uma associação com a BHP Billiton. Há muitos indícios de que o episódio tenha ocorrido em virtude da negligência da empresa em monitorar as barragens e corrigir problemas identificados. Foi uma consequência de uma opção administrativa da Samarco em reduzir os custos de segurança, com o que a Vale jamais poderia concordar”, denunciam os acionistas. 

Alertas ignorados
Os acionistas dizem que a Vale foi alertada dos riscos de ampliação da barragem de Brumadinho e ignorou. “Ao diminuir os gastos, principalmente em segurança e prevenção, está, na realidade, ampliando os riscos e os incidentes nas operações, o que acarreta processos judiciais por desrespeito às leis trabalhistas e por crimes ambientais”, argumentam na denúncia. 

Os acionistas pedem à CMV uma investigação para comprovar se a Vale omitiu informações sobre riscos socioambientais nos empreendimentos no Pará, Maranhão e Minas, “manipulando artificialmente os preços de seus valores mobiliários”. Pedem que assim que verificada a situação, seja declarada a ilegalidade da conduta e sejam aplicadas multa e suspensão da autorização ou registro para o exercício das atividades. 

A representação pede que sejam reconhecidos os indícios de crime de manipulação de mercado e que o resultado seja enviado ao Ministério Público Federal para as medidas legais cabíveis.


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