brumadinho Moradores vizinhos do Rio Paraopeba começam a sentir os efeitos da tragédia

Por: Marcelo da Fonseca

Publicado em: 30/01/2019 08:08 Atualizado em:

José Raimundo Gomes da Silva lamenta morte de peixes e água turva. Foto: Edesio Ferreira/Estado de Minas
José Raimundo Gomes da Silva lamenta morte de peixes e água turva. Foto: Edesio Ferreira/Estado de Minas
Milhares de moradores vizinhos do Rio Paraopeba nos municípios de Florestal, Juatuba e Pará de Minas começaram a sentir ontem os maiores reflexos do rompimento da barragem da Vale, em Brumadinho. A chegada de peixes mortos, a mudança na cor da água e até a mudança no cheiro chamou a atenção da população ribeirinha, que vê com apreensão e cada vez mais de perto os impactos do rompimento da Barragem do Córrego do Feijão.

No povoado de Tapera, em Florestal, os moradores perceberam o aumento da sujeira no quintal dos sítios. “Desde ontem (segunda-feira) de manhã, a água mudou de cor, ficou mais marrom. Hoje começou a dar um cheiro mais forte, esquisito. Apareceram também alguns peixes mortos, o que não é comum por aqui”, conta o agricultor José Raimundo Gomes da Silva, 57 anos, que mora desde 1982 às margens do Paraopeba.

Ele e um grupo de vizinhos conversavam sobre a tragédia em Brumadinho e a preocupação com o futuro do rio, que costuma receber muitos pescadores. Os moradores contam também que ainda não viram equipes da Vale ou de órgãos ambientais na região.

A alguns quilômetros de distância, outro agricultor demonstra preocupação com a situação do rio. Mauro Roberto Muniz, que mora há duas décadas ao lado do Paraopeba, conta que a lama ainda não surgiu à altura de sua fazenda, mas percebeu que a vazão da água estava abaixo do normal desde a noite de segunda-feira. “Nas últimas 24 horas, o volume de água baixou de repente. Não sei o motivo, se tem relação com a situação de Brumadinho. Nunca vi baixar assim, tão rapidamente.”

Sem contenção
A reportagem percorreu vários trechos do Paraopeba, na manhã e tarde de ontem, entre Pará de Minas, Florestal e Juatuba e não localizou as membranas (espécies de cortinas de contenção) que a Vale informou que instalaria para impedir a chegada da sujeira a Pará de Minas.

Procurada para esclarecer em que pontos as cortinas de contenção seriam instaladas, a Vale não respondeu. Ontem, pela manhã, uma equipe da Agência Nacional das Águas (ANA) fez medições no rio. No início da noite, uma equipe do laboratório ALS, que presta serviço para a mineradora, fez levantamento da qualidade da água debaixo do viaduto da BR-262, entre Juatuba e Betim. Nem o órgão nem o laboratório forneceram detalhes sobre o resultado preliminar das análises.

A empresa Água de Pará de Minas, que opera no abastecimento da cidade desde 2015, informou que desde domingo foram identificadas alterações nos padrões de qualidade do rio na altura de Juatuba, mas que, no ponto de captação da água, em Pará de Minas, não houve alteração até o momento.


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