caso joão de deus MPGO protocola a primeira denúncia contra o médium João de Deus Religioso é acusado de violação sexual mediante fraude estupro de vulnerável

Por: Correio Braziliense

Publicado em: 28/12/2018 18:52 Atualizado em:

Médium nega todas as acusações. Foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press
Médium nega todas as acusações. Foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press
O Ministério Público de Goiás (MPGO) protocolou, nesta sexta-feira (28/12), a primeira denúncia contra o médium João de Deus, 76 anos, acusado de violência sexual por centenas de mulheres. No documento, os promotores da força-tarefa o acusam de violação sexual mediante fraude e estupro de vulnerável. Foram incluídos os depoimentos de 19 mulheres que relataram ter sofrido abuso sexual durante ou depois de consultas com o líder religioso. 

Segundo os promotores, os ataques teriam ocorrido dentro e fora do centro de atendimento que ele mantém em Abadiânia (GO), distante 120km de Brasília. A primeira denúncia se limita a alguns casos cujas investigações foram concluídas esta semana. Oito inquéritos ainda estão em andamento na Polícia Civil de Goiás. Um representante do Fórum de Abadiânia foi à sede do Ministério Público em Goiânia para buscar a denúncia. A defesa do religioso disse não ter sido notificada da denúnica.

Os promotores denunciaram quatro casos que teriam ocorrido entre abril e outubro deste ano. Outros 10 casos, registrados entre 1975 e 2018 prescrevera. Cinco casos ainda precisam de mais diligências e investigações para serem concluídos. "Muitas mulheres conseguiram provar que estiveram na Casa Dom Inácio de Loyola (onde os atendimentos aconteciam) e há atestados psicológicos. Há uma infinidade de elementos que mostram que a negativa do investigado não é verossímil. É emocionante ouvir os relatos, a quebra do silêncio. Ouvir os relatos é desesperador. Cada vez que elas falam, tiram um peso das costas", destacou a promotora Gabriela Clementino, ao comentar a denúncia. 
 
A assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) informou que a denúncia foi protocolada e "está em mesa para análise, mas, diante do volume de documentos que será analisado, é preciso aguardar" até que possam ser divulgadas mais informações. O órgão não repassou detalhes por o caso tramitar em segredo de Justiça. 
 
Bloqueio de R$ 50 milhões 
O Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) determinou, na quinta-feira (27/12), o bloqueio de R$ 50 milhões do religioso. O montante será usado para indenização das vítimas caso João de Deus seja condenado pelos crimes. Ele nega todas as acusações. Em depoimento, o médium chegou a dizer que não se lembrava de nenhuma das mulheres que o acusam e que tem disfunção erétil. Até o momento, 600 contatos chegaram ao Ministério Público de Goiás, e 260 foram identificadas como vítimas. Destas, 79 já prestaram depoimentos.   

Também na quinta-feira, a coordenação do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça Criminais do Ministério Público do Rio de Janeiro ouviu uma mulher que acusa o médium de crime sexual. Outras quatro mulheres já prestaram depoimento no Rio de Janeiro e uma no município de Angra dos Reis, na costa fluminense. As idades das mulheres variam entre 20 e 60 anos. Os casos teriam acontecido entre 2008 e o ano passado.

Reviravolta na Justiça
O juiz substituto Wilson Safatle Faiad, do Tribunal de Justiça de Goiás, concedeu habeas corpus para suspender uma das prisões preventivas contra o médium. A decisão afeta apenas a acusação de posse ilegal de arma e, por essa razão, o líder espiritual continuará preso no Complexo Penitenciário de Aparecida de Goiânia, já que ele tem outro mandado de prisão por abuso sexual. 

Faiad foi contra a recomendação da procuradora-geral da República, Raquel Dodge, que defende que há risco de fuga e intenção do médium de dificultar as investigações. Ela destaca que o Superior Tribunal de Justiça ainda não analisou o habeas corpus apresentado pela defesa do religioso. Neste caso, a soltura ou não de João de Deus cabe ao presidente do STF, ministro Dias Toffoli, responsável pelas decisões durante o recesso do Judiciário.

Faiad substituiu a prisão por medidas cautelares, incluindo uso de monitoramento eletrônico, recolhimento de passaporte, comparecimento quinzenal à Justiça, recolhimento noturno e proibição de deixar a cidade em que reside. O líder espiritual também deverá arcar com fiança de R$ 1 milhão


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