caso joão de deus Ministério Público deve denunciar o médium João de Deus até domingo Ao todo, ele pode responder por quatro crimes: estupro, estupro de vulnerável, violação sexual mediante fraude e posse ilegal de arma

Por: Correio Braziliense

Publicado em: 26/12/2018 07:06 Atualizado em:

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Os promotores do Ministério Público de Goiás (MPGO) querem protocolar, até domingo, a primeira denúncia contra o médium João de Deus, acusado de uma série de abusos sexuais. Ao todo, ele pode responder por quatro crimes: estupro, estupro de vulnerável, violação sexual mediante fraude e posse ilegal de arma.

Preso preventivamente há 10 dias, João de Deus passou a noite de Natal sem receber visitas no Complexo Penitenciário de Aparecida de Goiânia. O religioso teve uma refeição comum na noite do dia 24 — arroz, feijão, salada, carne, uma fruta ou doce. A ceia ocorreu com os quatro detentos que dividem a cela com ele.

João de Deus prestará novo depoimento nesta semana. Os advogados dele tiveram dois habeas corpus negados e apelaram ao Supremo Tribunal Federal (STF). Mesmo que o presidente da Corte, ministro Dias Toffoli, conceda o habeas corpus, o médium seguirá detido por causa do mandado de prisão por posse ilegal de armas de fogo.

O religioso está encarcerado desde 16 de dezembro. A Polícia Civil colheu depoimentos de 16 mulheres. Um inquérito foi concluído e há oito em andamento. Ele nega todas as acusações. O Ministério Público já contabiliza quase 600 denúncias contra o médium. Os promotores não interromperam a investigação durante o feriado de Natal. O mesmo deve acontecer durante a passagem do ano.

Setenta e cinco possíveis vítimas foram ouvidas formalmente em Goiás e em outras 14 unidades da Federação. Também foram recebidos relatos de mulheres da Austrália, dos Estados Unidos, da Alemanha, da Bélgica, da Bolívia e da Itália. Segundo a promotoria, João de Deus se aproveitava da fé e da fragilidade das pessoas par cometer os crimes.

Atendimentos
Após a repercussão negativa do caso, Abadiânia, distante 120km de Brasília, está esvaziada. Ainda assim, os atendimentos espirituais na Casa Dom Inácio de Loyola continuam normalmente. Segundo agenda divulgada ontem no site da instituição, a partir das 8h de hoje e até sexta-feira médiuns farão rituais.

A queda no movimento, segundo integrantes da corrente mediúnica, é normal para esta época do ano. “As pessoas viajam para comemorar as festividades de fim de ano com suas famílias. Em alguns anos, chegamos a suspender os atendimentos. Isso não aconteceu este ano para não gerar mais burburinho no que está acontecendo conosco”, disse um médium.

Não é o que estão percebendo os comerciantes do município goiano. “Há 18 anos trabalhando aqui, nunca vi uma semana tão morta”, rebateu um vendedor de pedras. A derrocada pode ser ainda maior. “As pessoas vão deixar de vir aqui. A figura central, o líder que tocava a engrenagem está afastado, e isso desanima as pessoas. Só virá quem já o conhece”, apostou.

Críticas de juiz
O juiz Liciomar Fernandes da Silva, responsável por determinar a prisão de João de Deus por posse ilegal de arma de fogo, afirmou, na véspera do Natal, que as investigações apontam o médium como chefe “de uma organização criminosa que atua principalmente na cidade de Abadiânia”, em Goiás. O magistrado autorizou buscas em cinco endereços relacionados ao religioso. Em nota, a defesa de João de Deus criticou a manifestação do juiz: “(Ele) fez uma afirmação grave e sem qualquer base empírica”.



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