MST MST lamenta o assassinato de Dinho, militante da Unegro Ele foi atingido por disparos de arma de fogo por supostamente não ter parado durante a abordagem da PM

Publicado em: 25/12/2018 08:44 Atualizado em: 25/12/2018 16:06

Dinho era locutor da Rádio Cultural FM de Sorocaba. Divulgação: MST
Dinho era locutor da Rádio Cultural FM de Sorocaba. Divulgação: MST
Na tarde do último domingo (23), o locutor da Rádio Cultural FM de Sorocaba e militante da União de Negros pela Igualdade (Unegro), Milton Expedito do Nascimento, conhecido como Milton Dinho, foi atingido por disparos de arma de fogo por supostamente não ter parado durante a abordagem realizada pela Polícia Militar (PM).

Em nota, o MST no estado de São Paulo denuncia, repudia o ocorrido e destaca: “A história de sua morte é terrivelmente absurda, pois mistura racismo, violência e a prática naturalizada de execução antes da abordagem, de atirar primeiro e depois averiguar, de considerar que um negro é sempre um "suspeito", mesmo quando a descrição de ‘procurado’ indica cor de pele branca”.

Confira a nota na íntegra:

NOTA DO MST DE DOR E INDIGNAÇÃO PELO ASSASSINATO DE DINHO, DA UNEGRO

A proximidade do natal não impediu que a Polícia Militar (PM) de Sorocaba - SP fizesse mais uma vítima. Desta vez foi Milton Expedito do Nascimento, o companheiro Dinho, radialista comunitário, militante ativo do movimento negro - UNEGRO e defensor das causas sociais do povo brasileiro. A história de sua morte é terrivelmente absurda, pois mistura racismo, violência e a prática naturalizada de execução antes da abordagem, de atirar primeiro e depois averiguar, de considerar que um negro é sempre um "suspeito", mesmo quando a descrição de "procurado" indica cor de pele branca.

O tema “pena de morte” voltou a ser ventilado na mídia nessa semana e logo foi afastado pelo capitão de plantão. Para ele não é necessário debater algo que já funciona com rigor, entre os tantos 60 mil casos de homicídios que o Brasil arrasta por ano. As autoridades brasileiras silenciam diante deste cruel tribunal das ruas, no qual a força policial reúne ao mesmo tempo a função de abordar, prender, julgar, condenar e submeter a pena, tudo em fração de segundos, no apertar do gatilho.

O MST compartilha sua total indignação com este grave crime ocorrido contra mais um militante popular e exige controle social sobre as investigações. Também prestamos toda nossa solidariedade aos amigos e familiares que terão a dor de enterrar um filho querido em pleno dia de natal. Seguimos na luta!

24 de dezembro de 2018
Direção do MST-SP


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