Educação 'Educação brasileira não tem dialogado com o projeto de país', diz Lucchesi De acordo com o diretor-geral do Senai, nos últimos 20 anos, o Brasil triplicou o investimento em educação e quadruplicou o gasto per capita

Por: Hamilton Ferrari - Correio Braziliense

Por: Correio Braziliense

Publicado em: 17/12/2018 13:48 Atualizado em:

Foto: Minervino Junior/ CB/ D.A Press
Foto: Minervino Junior/ CB/ D.A Press
O diretor-geral do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), Rafael Lucchesi, disse que a educação brasileira não tem dialogado com o projeto de país, o que prejudica a produtividade. Ele ajudou a construir a reforma do ensino médio, ocorrida no governo de Michel Temer. O discurso ocorreu na manhã desta segunda-feira (17) durante o Correio Debate “A importância da Indústria para o desenvolvimento do Brasil”.

De acordo com ele, nos últimos 20 anos, o Brasil triplicou o investimento em educação e quadruplicou o gasto per capita. “Mesmo assim, a produtividade está estagnada”, comentou Lucchesi. “A grande questão é que nós não conseguimos estabelecer uma trama entre o projeto país e o desenvolvimento educacional”, completou.

Durante a apresentação, o diretor do Senai apresentou dados alarmantes na educação brasileira. Há 77 milhões de adultos que não têm ensino médio. Além disso, 83% dos jovens que estão nas escolas não irão para a universidade. “O sistema educacional estava de costas para essas pessoas. Dos que entram no ensino médio, apenas 53% concluem. Entre os mais ricos, 79% concluem. Entre os mais pobres, 26%”, disse.

Lucchesi ainda ressaltou que o grande patamar de desemprego está associado ao modelo educacional adotado até então. “Hoje, o desemprego é de 11,9%, mas entre os jovens a taxa se aproxima de 30%. Parte da explicação está no modelo educacional que nós adotamos”, alertou.

O diretor declarou que o Brasil precisa inserir a educação dentro do projeto do país, levando a sociedade a discutir os programas para melhorar a produtividade com base no novo modelo educacional.

“Construir uma agenda de competitividade que seja sustentável. Não tem que ser um debate só de educadores, mas também da sociedade”, afirmou Lucchesi. “O Brasil estava indo na direção errada no ensino médio e estamos adequando ao que os países desenvolvidos e os emergentes adotam. O ensino médio é um período de transição e a implementação do novo ensino médio tem como principal oportunidade a manutenção daquela matriz, que se mostrou ineficaz”, acrescentou o diretor do Senai.



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