reciclagem Brasil reciclou 295,8 mil toneladas de latas de alumínio O índice de 2017 ficou em 97,3%. Desde 2004, o índice se mantém acima dos 90%, colocando o país entre os líderes mundiais da reciclagem

Por: Correio Braziliense

Publicado em: 05/12/2018 08:25 Atualizado em:

Foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press
Foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press
O Brasil caminha com bons resultados rumo ao desenvolvimento sustentável. Um levantamento da Associação Brasileira dos Fabricantes de Latas de Alumínio (Abralatas) e da Associação Brasileira do Alumínio (Abal) mostra que no setor de reciclagem de latas de alumínio para bebidas, o índice ficou em 97,3%. O número se refere a 2017, período da análise. Das 303,9 mil toneladas de latas de alumínio colocadas no mercado no ano passado, 295,8 mil toneladas foram recolhidas e recicladas, segundo as pastas.  

Os dados serão divulgados na tarde de hoje (5/12), no mesmo dia do lançamento da Frente Parlamentar  pela Criação de Estímulos Econômicos para a Preservação do Meio Ambiente. 

Em comparação com 2016, houve uma queda de 0,4%, que, segundo o presidente executivo da Abralatas, Renault Castro, não é significativa. Além  disso, o volume reciclado aumentou.“Há mais de 10 anos o setor está acima de 90% no índice de reciclagem. Ou seja, não é um sinal, é consolidado. É um modelo de reciclagem bem desenvolvido. O volume reciclado em 2016 era de 286,6 toneladas. Em 2017 aumentou para 295,8. As vendas de lata cresceram cerca de 5%. Logo, a queda é insignificante diante de quase 100% dos números”, apontou.

Castro ressalta que as latinhas recicladas usam apenas 5% da energia que seria utilizada na produção da mesma quantidade de alumínio primário e reduz em 95% a emissão de gases de efeito estufa. Além disso, a cada quilo de latinha reciclada, cinco quilos de bauxita (mineral usado para fabricação do alumínio) deixa de ser extraído para a fabricação de novas latas. Ele conta que também existem reflexos econômicos e a geração de empregos. Foram injetados R$ 1,2 bilhão diretamente na economia brasileira em 2017. O montante corresponde a 1,2 milhão de salários mínimos ou a remuneração de um salário mínimo por mês para a população de uma cidade com cerca de 100 mil habitantes.

Outro ponto levantado por Castro é sobre a importância da criação da Frente Parlamentar  pela Criação de Estímulos Econômicos para a Preservação do Meio Ambiente. “Há mais de 10 anos que as latinhas são recicladas em mais de 90% e o volume de aluminio para fabricar novas latas tem se mantido, o que significa que a lata está sendo tributada em cima de tributação. O consumidor paga imposto sobre o mesmo produto várias vezes. Se reciclo 100%, no ano que vem estou produzindo nova lata em cima do alumínio de uma lata usada que está sendo reciclada, é uma bitributação. A Frente quer que a política tributária seja desenhada considerando a reciclagem dos materiais, refletindo o dano de cada material ao meio ambiente. Que o mérito de quem beneficia o meio ambiente seja reconhecido e reflita num benefício tributário”.

O presidente executivo da Abal, Milton Rego observou que fatores históricos,  técnicas de desenvolvimento de processo da reciclagem e a valorização no mercado fazem com que o país esteja há tanto tempo na liderança de reciclagem destes produtos. 

“O Brasil esteve no patamar de 97% nos últimos cinco anos, enquanto que o Japão aparece com 92%. Há 20 anos que a indústria brasileira procura meios de utilizar a sucata de latas de alumínio. As cooperativas se profissionalizaram e fez com que as sucatas fossem competitivas no setor econômico. Entramos num ciclo vicioso que fez com que o país fosse adaptado para utilizar a sucata, ao mesmo tempo desenvolver tecnologias para melhorar a metalurgia da refusão (técnica de reciclagem). O mercado começa a dar mais valor. Uma parcela importante da sociedade dá mais valor a produtos feitos com material reciclado do que aquele que não tem”.

Rego relata ainda que é necessário difundir na sociedade a conscientização sobre a importância da reciclagem e da separação correta dos materiais. “Precisamos melhorar a conscientização da população sobre o que é reciclável nos domicílios. Por exemplo, muitas pessoas não reciclam o desodorante de spray. Para ele ser realmente reciclado, precisa de separação correta e infraestrutura de coleta seletiva. É uma questão de cidadania e sustentabilidade. Do ponto de vista de reciclagem da lata estamos em patamar de excelência. O desafio é difundir na sociedade essa experiência como exemplo de reciclagem também para outros materiais”, finalizou.

Frente Parlamentar
A Frente Parlamentar  pela Criação de Estímulos Econômicos para a Preservação do Meio Ambiente é um grupo multipartidário de parlamentares da Câmara dos Deputados que anunciou a criação de um foro específico para debater práticas sustentáveis, a chamada Tributação Verde. A partir de 2019, a Frente Parlamentar pela Criação de Estímulos Econômicos para a Preservação Ambiental, debaterá na Câmara dos Deputados questões  para a adaptação do país a um modelo mais justo, que privilegie uma economia circular e garanta recursos para as próximas gerações. O lançamento da Frente ocorrerá no Salão Verde da Câmara dos Deputados, às 15 horas.


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