crime Polícia Ambiental apreende 5 toneladas de palmito em Eldorado (SP) Para obter a quantidade de palmito apreendido, foram cortadas cerca de cinco mil palmeiras juçara, que está ameaçada de extinção

Por: AE

Publicado em: 22/11/2018 12:05 Atualizado em:

A espécie é típica da Mata Atlântica e é considerada espécie chave da Mata Atlântica, pois seus frutos constituem a base da alimentação de aves ameaçadas. Foto: Reprodução/Flickr
A espécie é típica da Mata Atlântica e é considerada espécie chave da Mata Atlântica, pois seus frutos constituem a base da alimentação de aves ameaçadas. Foto: Reprodução/Flickr
Uma operação da Polícia Ambiental fechou uma fábrica clandestina e apreendeu mais de cinco toneladas de palmito da palmeira juçara, nesta quarta-feira (21), em Eldorado, no Vale do Ribeira, região sul do estado de São Paulo. É a maior apreensão desse produto no Estado neste ano.

Para obter a quantidade de palmito apreendido, foram cortadas cerca de cinco mil palmeiras da espécie, típica da Mata Atlântica e ameaçada de extinção. A Ambiental acredita que o palmito foi extraído de parques estaduais, unidades de conservação com o mais elevado grau de proteção.

A fábrica funcionava em uma casa, no bairro da Serrinha, zona rural do município paulista. As pessoas que estavam no local fugiram quando os policiais chegaram. Nos cômodos do imóvel, eles encontraram 5,3 toneladas de palmito processado e embalado em potes de 1,8 kg e 500 g.

Um carro e equipamentos deixados no local pelos ocupantes do imóvel foram apreendidos. A polícia constatou que o processamento do palmito se dava em péssimas condições de higiene, trazendo riscos à saúde, como o botulismo, doença grave decorrente do consumo de alimentos contaminados. A Polícia Civil abriu inquérito para apurar o crime contra o meio ambiente.

Conforme a Polícia Ambiental, como a palmeira juçara já está praticamente extinta em áreas de Mata Atlântica fora de unidades de conservação, os 'palmiteiros' que abasteciam a fábrica podem ter retirado o palmito das florestas do Mosaico de Unidades de Conservação do Jacupiranga, formado pelos parques estaduais da Caverna do Diabo, Rio Turvo e Lagamar de Cananeia.

Para extrair o palmito, é preciso cortar a palmeira, que tem apenas um caule e não rebrota, ou seja, a árvore morre. Uma planta da espécie juçara precisa chegar aos 12 anos ou mais para render cerca de um quilo de palmito.

A palmeira juçara (Euterpe edulis) é considerada espécie chave da Mata Atlântica, pois seus frutos constituem a base da alimentação de aves ameaçadas, como a jacutinga, a araponga e o tucano. Em razão da ação predatória intensa que ainda sofre, a palmeira juçara está incluída na lista vermelha das espécies da flora do Brasil em perigo de extinção, elaborada pelo Centro Nacional de Conservação da Flora.


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