sem solução Oito meses sem respostas sobre o assassinato de Marielle e do motorista Crime contra a vereadora carioca completa hoje oito meses, sem que a polícia tenha conseguido apontar os autores e os mandantes da execução. Anistia Internacional cobra respostas das autoridades responsáveis pela investigação

Por: Correio Braziliense

Publicado em: 14/11/2018 10:18 Atualizado em:

Vereadora foi atingida por quatro tiros, em 14 de março. Com ela, morreu também o motorista Anderson Gomes. Foto: Facebook/Reprodução
Vereadora foi atingida por quatro tiros, em 14 de março. Com ela, morreu também o motorista Anderson Gomes. Foto: Facebook/Reprodução
O assassinato da vereadora Marielle Franco (PSol) e do motorista Anderson Gomes completa hoje oito meses sem um desfecho do caso. Para cobrar respostas das autoridades, a Anistia Internacional divulga nesta manhã, no Rio de Janeiro, um levantamento intitulado “O Labirinto do Caso Marielle Franco”, que reúne informações veiculadas publicamente sobre os crimes e que denuncia a falta de respostas razoáveis das autoridades públicas frente à gravidade do caso. O evento contará com a presença dos pais da vereadora.

Segundo a coordenadora de pesquisa no Brasil, Renata Neder, o objetivo é apontar questões que não foram respondidas, incoerências e contradições no decorrer da investigação e questionar o posicionamento das autoridades. Entre os pontos críticos destacados estão a falta de respostas sobre o desligamento das câmeras de segurança do local do crime dias antes do assassinato, o desaparecimento de submetralhadoras do arsenal da Polícia Civil do Rio de Janeiro, e o desvio de munição de lote pertencente à Polícia Federal.

“Quando olhamos essas informações em conjunto, vemos um padrão de incoerência e falta de resposta pelas autoridades. Parece um labirinto de caminhos inexplorados e becos sem saída. Não se diz como a munição foi extraviada e a relação com um grupo de extermínio em São Paulo. Sobre o desligamento das câmeras do local onde eles foram mortos, as autoridades não se pronunciaram. Em maio, o ministro (da Segurança Pública, Raul Jungmann) afirmou que as investigações estariam próximas de um desfecho. Estamos em novembro. Com essa divulgação, esperamos que as autoridades deem resposta para a sociedade como um todo. Oito meses é um tempo inadmissível”, disse Renata.

Em nota, a mãe de Marielle, Marinete da Silva ressaltou o apoio que a família vem recebendo e cobrou a conclusão das investigações. “Temos recebido muito acolhimento e solidariedade, tanto no Brasil como no exterior, e nossa família está cada vez mais unida. Oito meses se passaram e tudo o que a gente quer hoje é que se descubra quem matou e quem mandou matar minha filha.”

No início do mês, Raul Jungmann solicitou à Polícia Federal que investigue denúncias de que uma organização criminosa formada por agentes públicos e milicianos estaria agindo para impedir que as autoridades cheguem aos verdadeiros mandantes e autores do crime. Para Renata Neder, a possibilidade de que agentes do Estado estejam envolvidos no crime reforça a necessidade de que seja estabelecido com urgência um mecanismo externo e independente para monitorar as investigações dos assassinatos.

Marielle Franco foi morta na noite de 14 de março no bairro do Estácio, no Rio de Janeiro. Ela foi atingida por quatro tiros na cabeça, disparados pelos assassinos, que seguiram o carro em que ela se encontrava. A vereadora estava no banco de trás, ao lado de uma assessora que não sofreu ferimentos. O motorista recebeu três tiros nas costas e também morreu.


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