atraso Estudante perde prova do Enem e lamenta mudança do horário de verão 'Com menos uma hora, ficou complicado. Moro sozinha e precisava organizar o material, dar banho na minha filha. Nesse processo todo, acabei esquecendo minha carteira de identidade', disse Monique Moreira, de 20 anos, com sua filha no colo

Por: Agência Brasil

Publicado em: 04/11/2018 14:22 Atualizado em:

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil/Agência Brasil
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil/Agência Brasil
Uma estudante que perdeu a prova de hoje (4) do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) no Rio de Janeiro lamentou o início do horário de verão nessa madrugada. Segundo ela, a necessidade de adiantar os relógios em uma hora prejudicou o planejamento para realização do exame que dá acesso a diversas universidades do país.

"Com menos uma hora, ficou complicado. Moro sozinha e precisava organizar o material, dar banho na minha filha. Nesse processo todo, acabei esquecendo minha carteira de identidade", disse Monique Moreira, de 20 anos, com sua filha no colo diante dos portões fechados da Universidade Veiga de Almeida (UVA), na Tijuca. 

O edital do Enem assegura o direito de amamentação durante a realização da prova. Moradora da Mangueira, essa é a segunda vez que Monique faria o Enem. Seu desejo é cursar Nutrição.

A estudante chegou dentro do horário previsto, mas só no local se deu conta de que havia esquecido a carteira de identidade, que deve ser apresentada no local da prova. Um parente se encarregou de trazer, mas não chegou a tempo e a organização do certame não permitiu que o documento fosse recebido após o fechamento dos portões. "Agora é retomar os estudos, aprimorar e tentar na próxima vez, para poder dar um futuro melhor para minha filha" acrescentou.

Transporte
A entrada ao local de prova era permitida até 13h. O início do exame está marcado para 13h30. Thaís Dantas, também de 20 anos, foi outra estudante que perdeu a prova. Ela chegou cerca de um minutos após o fechamento dos portões da UVA.

"Moro na Taquara. Peguei o trem e tive de fazer baldeação. O transporte atrasou. Do Maracanã até aqui até peguei mototaxi", informou. Ela estava inscrita no Enem pela segunda vez, mas avalia que, diferente do ano passado, dessa vez estava preparada e confiante que conseguiria uma vaga no ensino superior no curso de administração.

"A mudança do horário de verão não me atrapalhou. O problema mesmo foi o transporte. Demorou muito. Sai de casa 11h30". Hoje são realizadas as provas de linguagens, ciências humanas e redação. Os estudantes têm 5h30 para responder as questões propostas. No próximo dia 11, serão aplicadas as avaliações de ciências da natureza e matemática.

Preocupação

Algumas pessoas, embora tenham chegado cedo, também se queixaram da mudança do horário de verão. "Atrapalhou com certeza. Não consegui dormir direito com medo de atrasar. Acordei cedo. De manhã, aquela preocupação constante em saber se o horário estava certo", disse Mariana Castro, de 17 anos, que pretende uma vaga no curso de engenharia de produção da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Com mais de uma hora de antecedência ela já estava diante dos portões da UVA , onde também faria a prova. "Tem muita gente, mas estou tranquila. Decidi não ir para a fila por enquanto para não ficar nervosa", acrescentou.

Para Pedro Gonçalves, de 18 anos, a mudança trouxe mais impacto para quem mora em regiões mais distantes do local de prova. "No meu caso, já havia adiantado o relógio ontem e também ajustei o despertador para acordar uma hora mais cedo. Estou seguro, ainda que um pouco nervoso, mas me preparei", disse o estudante de 18 anos, que quer cursar ciências da computação.

Impacto
O fato da prova ocorrer no período da tarde levou o administrador de empresas Marcelo Matta a minimizar os prejuízos na alteração do horário. Ele foi até o portão acompanhar a filha, Júlia Gomes, que busca uma vaga no curso de medicina da UFRJ ou da Universidade Federal Fluminense (UFF).

"Para nós não houve impacto. Se fosse de manhã talvez fosse pior. Mas a tarde não. Uma horinha a mais ou a menos, ao menos pra gente, não fez diferença", avaliou. A estudante também disse não ter sido afetada pela mudança e se considerou pronta.

"Pensei que fosse ficar mais nervosa, mas estou tranquila. Claro que não tem como ficar 100% relaxada, mas sei que me preparei e, se não der este ano, tem o próximo. Acho que este é o pensamento. Pensar que pode dar errado, aumenta o nervosismo e atrapalha".


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