Minas gerais Corregedoria assume apuração de tiroteio entre policiais em Juiz de Fora Antes a cargo de delegado de Juiz de Fora, investigação criminal envolvendo agentes de MG e de SP agora será feita pelo órgão de fiscalização interna da Polícia Civil mineira

Por: Estado de Minas

Publicado em: 26/10/2018 11:24 Atualizado em:

Policiais chegam ao local onde ocorreu a troca de tiros, que levou à morte de um agente de Minas e de um empresário de São Paulo. Foto: Fernando Priamo/Tribuna de Minas
Policiais chegam ao local onde ocorreu a troca de tiros, que levou à morte de um agente de Minas e de um empresário de São Paulo. Foto: Fernando Priamo/Tribuna de Minas
A investigação criminal do tiroteio envolvendo policiais civis de Minas Gerais e São Paulo em Juiz de Fora, na Zona da Mata, passou para a corregedoria-geral da corporação, em Belo Horizonte. A informação foi confirmada ontem pela Polícia Civil mineira. A corregedoria apura, agora, dois inquéritos. Um administrativo, para analisar a conduta dos policiais, e outro que identificará os crimes cometidos. O empresário do ramo de segurança Jerônimo da Silva Leal Júnior, que teria sido contratado para fazer a escolta de um executivo paulista e foi baleado durante a transação suspeita, morreu em um hospital da cidade, onde estava internado desde a sexta-feira passada. A Secretaria de Segurança de São Paulo pediu a transferência dos quatro policiais presos na Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, na Grande BH, para aquele estado.

Em nota à imprensa, a Polícia Civil de Minas justificou a transferência citando as normas da corporação.  “Conforme previsto em sua lei orgânica, inquéritos complexos que envolvam servidores da instituição podem ser presididos pela Corregedoria-Geral da PCMG, que assumiu as investigações junto com os Promotores de Justiça da comarca de Juiz de Fora/MG e do Gaecco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) da capital e, assim que os trabalhos avançarem, as informações serão repassadas à imprensa”, diz o texto.

As investigações do tiroteio estavam sob responsabilidade do delegado Armando Avólio Neto, de Juiz de Fora. Antes do anúncio do envio do caso à corregedoria, o delegado, que segundo a PC ainda auxilia nas investigações, negou que os R$ 14 milhões em notas falsas apreendidos no local do crime tenham relação com pagamento de caixa 2 a campanhas eleitorais. “É golpe”, limitou-se a dizer. A principal linha de investigação é que a troca de tiros tenha ocorrido durante uma negociação suspeita malsucedida.

As apurações dão conta de que o empresário de Minas Gerais Antônio Vilela, que seria o dono do dinheiro falso e se apresentaria como Antônio Vasconcelos, fazia uma transação com o executivo paulista Flávio de Souza Guimarães. Vilela já havia sido preso por tentar distribuir cédulas falsas em 2009, em Minas, e em 2015, em São Roque, no interior de São Paulo.

Em depoimento, Flávio Guimarães alegou que foi até Juiz de Fora se encontrar com Antônio para uma negociação de empréstimo entre R$ 6 milhões e R$ 8 milhões. A polícia acredita que ele faria uma troca de dólares, mas o dinheiro estrangeiro não foi encontrado. O executivo paulista alegou que contratou a “escolta VIP” por R$ 30 mil, mas negou que soubesse da presença de nove policiais civis de São Paulo na segurança.

A troca de tiros ocorreu no estacionamento de um condomínio de consultórios em um complexo que faz ligação com o Hospital Monte Sinai na cidade da Zona da Mata. O empresário disse ainda que recusou a transação ao ser aberta uma bolsa com notas de R$ 100, sob o argumento de que não fora “aquele o combinado contratualmente”. Na troca de tiros, o policial civil de Minas Rodrigo Francisco, de 39 anos, morreu. O empresário do ramo de segurança Jerônimo da Silva Leal Júnior foi baleado. Internado desde a sexta-feira passada em estado grave, ele terminou morrendo ontem.

Na quinta-feira, advogados de Jerônimo da Silva Leal Júnior chegaram a entrar com um pedido de habeas corpus, que era analisado pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Ele estava com a prisão preventiva decretada. Os advogados também queriam que ele fosse transferido para um hospital de São Paulo.

Quatro policiais paulistas, sendo dois delegados e dois investigadores, foram autuados por lavagem de dinheiro. As prisões em flagrante foram convertidas para preventivas em uma audiência de custódia. Todos foram transferidos para a Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem. Autuados por prevaricação, três policiais de Minas assinar termo em que se comprometem a comparecer a audiência em novembro e foram liberados.

A Secretaria de Estado de São Paulo pediu ao secretário Sérgio Barbosa Menezes, da Secretaria de Estado de Segurança Pública em Minas (Sesp/MG), a transferência dos quatro policiais paulistas para aquele estado. Por meio de nota, a Secretaria de Estado de Administração Prisional (Seap/MG) informou que está analisando a solicitação junto ao juízo criminal de Juiz de Fora.

O que já sabemos sobre o caso
» Em 19 de outubro, houve tiroteio entre policiais civis de Minas Gerais e de São Paulo, no estacionamento de um condomínio de consultórios que faz ligação com o Hospital Monte Sinai, em Juiz de Fora, na Zona da Mata.

» Na troca de tiros, o policial civil de Minas Rodrigo Francisco, de 39 anos, morreu. Duas pessoas ficaram feridas. Um deles, Jerônimo Silva, que morreu nessa quinta-feira (25/10) depois de seis dias de internação, era dono de empresa de segurança particular que acompanhava o grupo de São Paulo e irmão de um dos policiais paulistas envolvidos no caso. O outro ferido, Antônio Vilela, empresário de Juiz de Fora que estaria transportando R$ 14 milhões em notas falsas, recebeu alta e foi preso

» O confronto ocorreu em meio a uma transação suspeita entre Vilela e Flávio Guimarães, empresário de São Paulo. As apurações dos investigadores indicam que policiais de Minas Gerais estavam apoiando o empresário mineiro, enquanto os de São Paulo garantiam a segurança do empresário paulista

» Até o momento, a investigação aponta que o tiro que matou o policial saiu da arma de um segurança particular que acompanhava o grupo do empresário paulista com nove policiais do estado vizinho, incluindo dois delegados

» Quatro policiais paulistas, sendo dois delegados e dois investigadores, foram autuados por lavagem de dinheiro. As prisões em flagrante foram convertidas para preventivas em uma audiência de custódia. Todos foram transferidos para a Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem

» Três policiais de Minas foram autuados por prevaricação e liberados depois de assinar termo em que se comprometem a comparecer a audiência em novembro

» Do mesmo grupo de São Paulo, outros cinco policiais foram ouvidos e liberados.

» O empresário Flávio Guimarães fugiu da cena e se apresentou na segunda-feira (22/10) em São Paulo. Ele negou que estivesse transportando dólares e disse que estaria no local para tomar empréstimo. Indicou ainda que não sabia que havia policiais na escolta
 
» O empresário de Juiz de Fora que participaria do negócio, Antônio Vilela, foi baleado no pé. Ele recebeu alta na noite de domingo (21/10) e ficou a cargo do sistema prisional

» Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) designou uma equipe para acompanhar as apurações. Dois promotores de Juiz de Fora e outros três ligados ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaecco)

» A Ouvidoria de Polícia de São Paulo enviou ofícios para a superintendência da Polícia Federal (PF) do estado e para o Ministro de Segurança, Raul Jungman, para que a PF acompanhe o caso

» Nessa quinta-feira (25/10), a Corregedoria da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) assumiu as investigações policiais para apurar os crimes cometidos. Além disso, apura, em âmbito administrativo, a conduta dos policiais mineiros 


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