PROTESTO Em uma hora, protesto distribui mil placas com nome de Marielle Marielle e Anderson foram assassinados com balas compradas para a Polícia Federal (PF), num crime que completa sete meses sem solução.

Publicado em: 14/10/2018 17:01 Atualizado em:

Mobilização para protesto contra destruição de placa em homenagem a Marielle recebeu 1.569 doações e distribuiu mil novas placas. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Mobilização para protesto contra destruição de placa em homenagem a Marielle recebeu 1.569 doações e distribuiu mil novas placas. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Um ato em homenagem à vereadora Marielle Franco (PSOL), morta a tiros no dia 14 de março junto com o motorista Anderson Gomes distribuiu mil placas com o nome da parlamentar neste domingo, na Cinelândia, Centro do Rio de Janeiro. Foi um protesto contra a destruição de uma tabuleta com o nome de Marielle, no mesmo local, por dois candidatos do PSL, no primeiro turno da campanha eleitoral. Houve protesto contra o presidenciável Jair Bolsonaro, do mesmo partido ("Ele não!)", e gritos de apoio a seu oponente, Fernando Haddad (PT) ("Haddad sim!").

"Fascistas, fascistas não passarão!", gritaram os manifestantes, exibindo as placas, no início da tarde, na capital fluminense. Havia muitas mulheres. Sem aparelhagem de som, os ativistas fizeram coros de palavras de ordem, como "Não seremos interrompidas"; "Quem mexeu com Marielle atiçou o formigueiro"; e "Os que quebraram a placa da Marielle quebraram a cara". Apesar da distribuição, os manifestantes foram instruídos a não pendurar as placas nas ruas e a guardá-las "como memória". Em uma hora, as placas acabaram.

Marielle e Anderson foram assassinados com balas compradas para a Polícia Federal (PF), num crime ainda não elucidado. À manifestação, foram a viúva de Marielle, Mônica Benício, e os pais da vereadora, Marinete da Silva e Antonio Francisco da Silva Neto. Também participaram parlamentares, como os deputados Marcelo Freixo (estadual) e Jandira Feghali (federal).

A placa-homenagem original foi quebrada pelos então candidatos Rodrigo Amorim (a deputado estadual) e Daniel Oliveira (a deputado federal). Eles alegaram que a tabuleta fora instalada ilegalmente sobre a inscrição original - Praça Floriano (nome oficial da Cinelândia). Registraram o ato nas redes sociais, com imagens.

"Cumprindo nosso dever cívico, removemos a depredação e restauramos a placa em homenagem ao grande marechal", escreveu Amorim, em sua página no Facebook. "Preparem-se, esquerdopatas: no que depender de nós, seus dias estão contados". Eles também exibiram a tabuleta destruída em ato em Petrópolis, na Região Serrana, da qual também participou o candidato a governador pelo PSC, Wilson Witzel. Ele afirmou que, como ex-juiz, defende a apuração do crime. Amorim e Oliveira foram eleitos.

No fim da manifestação, os ativistas receberam instruções para guardarem as placas em envelopes e saírem em grupos, em segurança. "Vamos mostrar nas urnas que o amor sempre vence", disseram em coro.

Samba - O ato foi a segunda homenagem a Marielle em dois dias. Na véspera, a Estação Primeira de Mangueira escolheu o seu samba-enredo para o carnaval de 2019. O enredo "História Para Ninar Gente Grande", de autoria do carnavalesco Leandro Vieira, se propõe a contar a história do Brasil e citará a vereadora assassinada. O samba é de Deivid Domênico, Tomaz Miranda, Mama, Marcio Bola, Ronie Oliveira e Danilo Firmino. Em uma rede social Tomaz celebrou a vitória na disputa, que teve mais dois concorrentes. "Pela memória de Marielle e Anderson Gomes e toda a luta que ainda virá. São verde e rosa as multidões", escreveu, em referência às cores da Mangueira.


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