Museu Acervo pode estar salvo em cofres e armários, dizem pesquisadores Restauração de prédio vai custar pelo menos R$ 15 milhões

Por: Agência Brasil

Publicado em: 03/09/2018 20:35 Atualizado em: 03/09/2018 21:26

Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Pesquisadores do Museu Nacional nutrem a esperança de que parte do acervo, justamente peças mais raras e valiosas, possa ter sido salva do fogo dentro de cofres e armários de aço especiais. Entre essas, está o crânio de Luzia, o fóssil humano mais antigo encontrado no Brasil, com mais de 12 mil anos.

Eles reconhecem que o trabalho não será fácil, pois o interior do prédio ainda está muito quente e os dois andares superiores desabaram sobre o térreo, formando uma grossa camada de cinzas, carvão, ferros retorcidos e tijolos. 

A vice-diretora do museu, Cristiana Serejo, estima que serão necessários, pelo menos, R$ 15 milhões para iniciar a restauração do prédio.

“As pessoas foram de manhã tentar achar a Luzia, mas parece que ela estava em uma caixa e tem muito escombro. A gente não sabe se dentro dessa caixa ela possa ter resistido. Tem que haver a perícia, para liberar o prédio e os pesquisadores entrarem de fato e retirar os escombros. A parte lá de trás, do departamento de geologia e paleontologia, parece que sobrou alguma coisa”, disse a vice-diretora do museu, Cristiana Serejo.

Segundo ela, alguns departamentos guardavam peças mais valiosas dentro de cofres que podem ter resistido às altas temperaturas. “Existe [esta possibilidade]. A gente vai ter que aguardar. Mas a coleção de entomologia, de insetos, que ficava no terceiro andar, não resistiu. Isto foi uma perda gravíssima. Estava em armários compactadores, mas como desabaram, foi um impacto muito grande”, afirmou Cristiana.

Dinossauros
Os esqueletos de dinossauros que estavam em exposição eram, em sua maioria, réplicas, segundo o pesquisador Helder de Paula Silva, um dos responsáveis pela coleção de paleontologia. Grande parte, com maior valor científico, ficava dentro de um armário de aço compactador, que é fechado e pode resistir a impactos e a altas temperaturas, desde que não sejam extremos.

“Nós ainda temos esperança de que a coleção tenha se salvado, pois uma boa parte desse material não estava na parte que foi mais atingida, que era a da exposição, e sim na reserva técnica, dentro de armários compactadores. A maioria desses armários estava fechada, no térreo, e foi atingida por material que caiu dos andares superiores. Então não dá para saber o estado do material que estava lá dentro. Mas temos esperança de que alguma coisa tenha sido preservada em condições de ainda ser aproveitada”, disse Helder.

Biólogo, Helder foi um dos primeiros a chegar ao museu, cerca de meia hora depois do incêndio começar, por volta das 19h30 de domingo (3). Ele ajudou a guiar os bombeiros a entrarem no prédio e ficou no local até as 3h, quando foi para casa. Com apenas duas horas de sono, ele retornou ao prédio do museu às 6h.

“O crânio de Luzia estava em uma região que foi bem atacada pelo fogo, difícil de ser acessada, e não conseguimos localizar”, contou Hélder. Já sobre as múmias egípcias, ele considerou que foram totalmente perdidas, com exceção de uma, que estava em uma sala e que talvez esteja ainda preservada.

O pesquisador e professor Renato Cabral Ramos também tem esperanças de encontrar algumas peças intactas, que ficaram guardadas dentro de cofres nos departamentos.

“Eu estive no departamento junto com um bombeiro para vermos a situação. Estava muito quente, com muita fumaça, o chão ainda fumegando. Eu vi que os armários compactadores, de aço, ainda estão em pé, com muito entulho em cima. A gente tem esperança de que os fósseis ali dentro possam ser salvos, assim como os materiais que estavam dentro dos cofres”, disse o pesquisador.


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